quinta-feira, outubro 30, 2008

Suspiros de Bernardim


«Bernardim, depois de ter estudado Jurisprudencia em que sahio insigne, cultivou a Poetica com tanto applauso do seu nome, que mereceo as estimaçoens do Princepe desta divina Arte o divino Camoens chamando-lhe o seu Enio, sendo o primeiro que em toda Espanha compoz Sextinas em Redondilhas, e as Elegias em versos menores.

Arrebatado de impulsos amorosos passava muitas noutes entre a espessura, e solidaõ dos bosques explicando junto à corrente das aguas com suspiros, e lagrimas a vehemencia de paixaõ taõ violenta que o obrigou a emprender impossiveis dedicando os seus affectos à Infanta D. Beatriz filha do Serenissimo Rey D. Manoel.»

Certa noite, numa das minhas viagens de solitário, passei pelo Torrão e parei por uns momentos, aqui ao pé da ponte onde se encontra esta Capelinha e uma Fonte. Talvez quisesse escutar os murmúrios e suspiros de paixão, das cantigas de engate, do Bernardim, aqui à beira do rio da sua terra natal.

Mas não consegui ouvir mais nada senão o enorme fragor das águas do Xarrama a embater e a galgar os grandes rochedos polidos que ocupam todo o leito do rio no declive até junto à curva da ponte. Sozinho ali, no escuro, não fiquei muito tempo, pois confesso que era um bocado assustador o ressoar daquelas águas que eu não conseguia ver. Levava muita força a enxurrada, resultado de muita chuva na véspera.

2 comentários:

Anónimo disse...

"Menina e Moça", Bicho. Também não leste?
Depois de saber a história do poeta, é tão fácil de entender!
Maria

Anónimo disse...

Do "Romance da Saudade" li um ou outro bocadinho e não achei grande coisa.
Engraçada é a écloga do Pastor Jano, de entre o Tejo e Odiana...

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