sábado, novembro 28, 2020

Despertar DCCII


Praia das Maçãs, Sintra

Acontece por vezes, após uma noite de mar agitado, com ondas alterosas fustigadas por ventos fortes e sabe-se lá que mais outras condições são necessárias para resultar na produção de tão grande aglomerado de espuma do mar, na orla marítima.




sexta-feira, novembro 27, 2020

O Dia Claro


Costa Oeste, Miradouro das Azenhas do Mar 

Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa – salvar a humanidade. 

"A Invenção do Dia Claro" - Almada Negreiros

segunda-feira, julho 20, 2020

Linhas do Tempo

Praia das Maçãs, Sintra 

"Time Capsule" - (a playlist with songs to take you back in time) - é a coleção de temas musicais selecionados pelo software de uma  aplicação informática "online", que eu vou escutando, desde há algumas (talvez) horas, para me alhear dos desinteressantes temas que passam na televisão esta noite.

Pois bem, a selecção musical que os auscultadores vão injectando directamente no meu cérebro, provoca-me um estranho estado de alheamento do que me rodeia, inebriando todos os meus outros sentidos, consegue exacerbar a sensibilidade virada para o interior - resultado, a nostalgia tomou conta do momento, capturou o meu tempo algures no espaço.

Foi então que me senti regressar ao tempo em que fazia, com prazer, algum esforço mental (ou intelectual) para escrever - por vezes alguma coisa relacionada com um momento, com um estado de espírito, com uma memória ou, simplesmente uma descrição de sentimentos destilados, quero dizer extrovertidos - o olhar perdido mergulhando numa fotografia. 

Muito tempo sem escrever - sinto que preciso, devo continuar, ainda que em esforço… amanhã talvez...


sábado, junho 06, 2020

Despertar DCLXXVII


Praia das Maçãs, Sintra

É uma hora da tarde e a praia ainda não abriu...

O adágio local, acerca do tempo nublado, diz que "ao meio dia, ou carrega ou alivia" - hoje pelo que  vejo, a neblina carregou!



quinta-feira, abril 09, 2020

Noite Parada


Retido em Casa - dia 29

O nevoeiro cerrado adensa o silêncio e as sombras da noite.
Não há movimento na rua - está toda a gente fechada em casa - impressionante!
Depois de fazer a fotografia, deixo-me estar mais alguns minutos com a janela aberta.
Fico de ouvido à escuta, à espera de um som, de um ruído de movimento, sinal de vida.
Que impressão! Um sentimento exacerbado de solidão. Mais nada.
Perscruto o ambiente e, na rua apercebo apenas o silêncio fechado. 


sábado, abril 04, 2020

Despertar DCLXVIII


Retido em Casa - dia 24

Maravilhoso tempo, o de hoje - faz jus ao adágio, "Abril, águas mil!"
As chuvas de primavera são muito bem vindas:
estas águas fazem falta nos campos e nas cidades;
elas vão amaciar a terra antes de ser lavrada para as sementeiras;
e vão engrossar o caudal dos ribeiros e preencher as charcas
e outros reservatórios de água utilizada nas culturas de regadio;
a água corrente há-de lavar as ruas, as estradas e as paredes exteriores das casas;
vai fazer descolar do alcatrão das estradas aquela película de borracha dos pneus
e de gasóleo queimado pelos motores dos automóveis.  
Está um bonito dia para ficar em casa!


sexta-feira, abril 03, 2020

Forno dos Milagres


Retido em Casa - Dia 23.

Um desafio bem sucedido, ou,
como disse uma amiga: "ena pá, o teu forno faz milagres!"
Deu resultado, quem diria, a minha experiência em doçaria caseira.
A receita mais simples que encontrei na Net,
foi a que me pareceu mais adequada às minhas capacidades.
Misturam-se, por ordem, todos os ingredientes na batedeira,
e com dois pequenos extras da minha autoria, envolve-se muito bem e... pronto.
Após meia hora de forno, já se sente o aroma - delicioso! - na cozinha.

Apenas mais uma forma de fazer uma coisa diferente,
das limpezas, pinturas, arrumações, pequenas reparações,
rearranjos na disposição do mobiliário e decoração da casa.
Trabalhos necessários, alguns sim, outros não, mas todos indispensáveis
para manter alguma actividade física nos intervalos das refeições.

quinta-feira, abril 02, 2020

Outra Viagem Cancelada


Retido em Casa - Dia 22

Amsterdam, é para esquecer!
Parece-me que não vou mais ter vontade (ou oportunidade) de lá voltar.
Após a minha única e breve visita à Holanda (dois dias e duas noites, em 1988),
prometi a mim mesmo, revisitar os Países Baixos, mas com estadia mais demorada.
"O prometido é devido", pensei eu quando há dois meses, estava tudo pronto e preparado para uma viagem de 5 dias.
«coisas para ver ou rever em Amsterdam: museu Van Gogh, fábrica Eineken, pontes e canais e montras do "Red Ligth District"; as feiras de queijo, os moinhos nos "polders" e os campos de tulipas nos arredores...»
Ora bem, não há certezas nesta vida - por causa do "COVID-19", foi tudo cancelado.
Fronteiras fechadas!
Viagens aéreas anuladas!

terça-feira, março 31, 2020

Liberdade Coartada


Retido em Casa - dia 20

Estou a ficar farto de ser, de estar - fechado!
Sinto-me cansado, chateado, e de mais outras formas adjectivado.
Triste, agastado, irritado, sem vontade para continuar neste estado.
Gaita. Viver assim, não é vida!
Para onde foi a minha LIBERDADE..?








sexta-feira, março 27, 2020

Pintura Demorada


Retido em Casa - dia 16

A pintura desta divisão da casa, o corredor,
vai demorar mais tempo do que estava previsto, ou seria desejável.
E tudo por culpa da nova "decoração" das aduelas das portas;
às tantas, esqueço-me do que estou a fazer e dou por mim a ler as notícias ou a apreciar as imagens dos recortes das revistas que me serviram para protecção da madeira.
Enquanto isso, do rolo de pintura que seguro na mão, vai pingando tinta para o chão.
Mas não faz mal - felizmente o chão está bem protegido e quanto ao tempo perdido,
não há problema - o orçamento da empreitada é suficientemente elástico para cobrir a falta de cumprimento dos prazos.
Não há pressa... ou como diz o meu primo australiano, "no worries, mate!"


quinta-feira, março 26, 2020

Armado em Pintor


Retido em Casa - dia 15

E então, descobri que também tenho algum jeito para a pintura, ou melhor, para as pinturas...


sábado, março 21, 2020

Despertar DCLXVI



Fechado em casa - dia 10
Mais um dia e, continua tudo na mesma:

o gato dorme num dos seus poisos preferidos, junto à janela;
aguarda que eu me levante para começar mais um dia de quarentena;
é então que o bichano desperta para vida - enquanto eu preparo o pequeno almoço,
ele fica num desatino, andando para cá e para lá, entre mim e a tigela da ração;
ele cheira a tigela e olha para mim, e põe a pata na caixa da ração e mia, baixinho, numa espécie de lamúria... e não desiste;
quando, finalmente, o bicho tem direito à primeira dose de ração do dia, ele aí vai, enroscar-se num lugar onde, não tarda, vai chegar o calor do sol - aí fica a dormir mais algumas horas, até despertar novamente ao sentir a azáfama da preparação do almoço.

domingo, março 15, 2020

Tempos de Incerteza


Retido em Casa - dia 4

Ui... agora é preciso melhorar um pouquinho a disposição.
Da garrafeira veio uma ajuda para:
 - esquecer as viagens que ficaram por realizar;
 - e não pensar nos tempos de incerteza que se avizinham.


sexta-feira, março 13, 2020

Sorte em dia aziago


Janela sobre Lisboa e o Tejo
Retido em Casa - dia 2.

É sexta feira 13, tradicionalmente um dia aziago.
Se dúvidas houvesse em relação a esta crença popular, enfim...
hoje seria o momento de confirmar uma regra e a sua consequente excepção.
A esta hora deveria estar a sobrevoar Lisboa, a bordo de um avião
com destino a Londres, de onde seguiria então para Reykjavik,
para passar uns dias na grande ilha do fogo e do gelo - Islândia.
Por opção, foi decidido cancelar a viagem, e ainda bem, porque,
soube entretanto, a viajem de regresso viria a ser assaz complicada,
se não impossível.
Uma boa dose de sorte numa decisão de sexta-feira 13. Ora aí está!

quinta-feira, março 12, 2020

Isolamento Social


Retido em Casa - dia 1

Vai ser duro suportar a quarentena anunciada.
Viver as próximas semanas (duas ou mais) retido em casa,
confinado, limitado a 120 metros quadrados de espaço "livre", entre paredes.


sábado, março 07, 2020

Despertar DCLXIV


Livramento, Mafra

Foi há mais de 50 anos, a primeira e única vez que entrei neste moinho, na Serra da Aboboreira.
Nesse tempo distante, o engenho estava ainda em actividade, moendo os grãos de trigo ou milho para fazer farinha.
Recordo-me bem que o moleiro de então (meu primo em 2º grau) fez questão de explicar toda a extraordinária engrenagem mecânica que fazia funcionar o moinho.
Um engenhoso sistema de eixos e rodas dentadas em madeira fazia girar a pesada mó de pedra (hoje ali encostada à parede) sobre uma outra igual, de forma a triturar os pequenos grãos de cereal colocados entre superfícies mais ou menos lisas das duas pedras.
Ainda tenho na memória os mecanismos simples mas eficazes (sem óleo, sem gasolina nem electricidade) que convertiam toda a energia do vento em trabalho útil.
Havia diferentes controlos do movimento, nas velas de pano e nos eixos, adaptando a velocidade do sistema à força do vento.
A quantidade de grão que escorria da calha e a espessura da farinha resultante da moagem, também tinham eram controladas mecanicamente.


terça-feira, fevereiro 25, 2020

Entardecer e Adormecer


Praia de Algés, Oeiras

Ah... tanto tempo que eu gastei a pensar;
a pensar nas coisas que então queria dizer;
mas foi tanto o tempo que levei a escrever
que esqueci a metade daquilo que pensei;
não faz mal, agora sei, percebo porquê:
logo depois de ler o que tinha escrito,
achei que tudo estava errado, sem nexo;
era pois o tempo de apagar a escrita.
Ora pronto - já está! 
Agora, não é tarde nem é cedo
- é hora de desligar, adormecer, 
fechar a memória, esquecer...



sábado, fevereiro 15, 2020

Amanhecer e Despertar DCLX


O que até aqui era "Amanhecer", devia agora passar a ser "Despertar".

E, porquê?
Tudo por causa de uma velha "mania" adquirida durante a minha formação de programador de computadores nos sistemas IBM.
As linguagens de programação dos primórdios da computação (COBOL, RPG, FORTRAN, etc.) eram definidas por um conjunto específico de palavras simples ou compostas, que tinham por base a língua inglesa.
Eram simples as instruções que faziam funcionar aquelas super-máquinas, então as mais avançadas criações cientificas dos anos 70 do Séc. XX, hoje completamente obsoletas, infinitamente ultrapassadas.
Mas eu, como velhote fora de moda, ainda hoje procuro não utilizar caracteres gráficos comuns na língua portuguesa (o "ç", as vogais acentuadas e os dígrafos "nh", "ch" e "lh"), nos títulos das minhas publicações na NET, bem como na denominação dos ficheiros (arquivos) informáticos que eu guardo no computador.






terça-feira, janeiro 28, 2020

domingo, janeiro 26, 2020

Sabor antigo


"O Frango na Púcara"

Parafraseando o título de um conhecido romance, hoje digo:
"Nem só de cultura vive o homem".
Para sustentar o alimento espiritual é preciso um complemento essencial - alimentar o organismo material que serve de suporte ao espírito.
E foi por isso que me entreguei completamente ao "pecado" da gula - redescobri uma iguaria original, uma especialidade de Alcobaça, que eu não saboreava desde os anos 70 do século passado - o verdadeiro "Frango na Púcara".



sábado, janeiro 25, 2020

Amanhecer DCLVII


"Jardim do Amor", Alcobaça

Situado na confluência dos Rios Alcoa e Baça, é um espaço de lazer que evoca o amor imortal de Pedro e Inês.
Aqui, pode-se para fazer uma surpresa original a alguém especial escrevendo uma mensagem (dedicatória, ou jura de amor) num pequeno papiro que depois se pode guardar num dos 700 cofres embutidos nas paredes do jardim.
No "Chalett Fonte Nova" pode adquirir o pequeno papiro e duas chaves de cofre.
A mensagem fica guardada num dos "Cofres do Amor" durante três anos, no fim do qual poderá regressar a Alcobaça para rever o seu cofre, fazendo deste modo, cumprir o mote da cidade: “Quem passa por Alcobaça, não passa sem lá voltar!”

sexta-feira, janeiro 24, 2020

Selvajaria Francesa


Túmulo de Inês de Castro, Igreja do Mosteiro de Alcobaça

Os túmulo de D. Pedro e de Inês são verdadeiras obras-primas da escultura gótica em Portugal.
A profanação de 1810.
Por ocasião da invasão comandada por Massena, os soldados invasores franceses, imaginando tesouros escondidos nos túmulos, arrombaram-nos bárbara e estupidamente, despedaçando com "maça" e "picão", boa parte do lado direito do sarcófago de D. Pedro e o lado esquerdo de D. Inês, fazendo largos rombos por onde retiraram para fora quanto lá havia dentro.

quinta-feira, janeiro 23, 2020

Sala dos Reis


Mosteiro de Alcobaça

Passaram largos anos (algumas décadas) desde a minha primeira visita ao mais importante mosteiro cisterciense de Portugal.
Curiosamente, a única recordação que desde então, permaneceu viva na minha memória, foi a colecção de esculturas da "Sala dos Reis".
Antiga capela-salão (séc. XVIII) onde estão expostas ao redor das paredes, esculturas em terracota policromada representando os Reis de Portugal desde D. Afonso Henriques até D. José I - deveriam ser 23, mas acho que faltam algumas.
O conjunto é completado com uma alegoria à coroação de D. Afonso Henriques pelo Papa Alexandre III e por São Bernardo - tudo obra dos monges barristas do Mosteiro.

quarta-feira, janeiro 22, 2020

A Fonte 763


Cozinha, Mosteiro de Alcobaça

Uma perfeita canalização de água corrente, oriunda da nascente, alimentava as diversas torneiras sobre as grandes bacias de pedra da cozinha onde se lavavam os ingredientes utilizados na confecção das refeições.



terça-feira, janeiro 21, 2020

Claustrofilia



Claustro, Mosteiro de Alcobaça

A "clausura" (monástica ou conventual) é a forma de vida que levam os monges (homens) e as monjas (mulheres) em respeito ao voto religioso que lhes deu a obrigação de não mais saírem do seu Mosteiro ou Convento.
A acepção da palavra aponta para o conceito de retirado ou fechado - a etimologia é a mesma da palavra "claustro" - daí derivam as palavras "claustrofilia" (desejo da clausura) e "claustrofobia" (aversão à clausura) - estou em crer que os monges e monjas deviam  esporadicamente ser acometidos por acessos, ora de uma, ora de outra destas neuroses.


segunda-feira, janeiro 20, 2020

Lugar do Leitor


Mosteiro de Alcobaça

No refeitório, uma pequena escadaria de pedra dá acesso ao púlpito onde o leitor lia textos espirituais durante as refeições dos monges, que sempre se mantinham em silêncio, no estrito cumprimento de uma das normas da Ordem de Cister.





domingo, janeiro 19, 2020

A Fonte 762


Mosteiro de Alcobaça

No claustro do mosteiro, mesmo frente à porta do refeitório, esta fonte era usada como lavabo, pelos monges, antes de entrarem no salão de refeições.




sábado, janeiro 18, 2020

Amanhecer DCLVI


Rio Alcoa, Alcobaça

Na varanda sobre o rio, o Santo faz a sua pregação.
A quem se atribui a responsabilidade da corrupção da terra?
Pregadores e ouvintes são responsáveis pela corrupção da terra.
Os pregadores por não pregarem a verdadeira doutrina, por não a viverem de acordo com aquilo que pregam ou por se pregarem a si mesmos.
Os ouvintes por não ouvirem a pregação, mesmo que seja verdadeira, por preferirem imitar a vida e não a pregação dos pregadores e por cederem apenas aos seus apetites.
"Sermão de Santo António aos Peixes", por Padre António Vieira (1682)

Poema Esquecido

Praia Grande, Sintra Ao captar esta imagem, criei uma poesia. Decerto, inebriado por um momento de solidão, em que me senti inserido na pai...