terça-feira, outubro 28, 2008

a Fonte 291


Excertos de um artigo de jornal publicado em 1983.

«Treze aldeias compõem a segunda freguesia mais rica do País - Almargem do Bispo.
As aldeias acordam de madrugada, para mugido o gado e colher da terra feteira os legumes que abastecem os mercados de Lisboa.
As hortaliças compram-se directamente nas hortas. Nos lugares, ainda se pratica o sistema de permuta de géneros - duas couves podem valer um litro de leite ou meio quilo de açúcar, por exemplo - numa exortação do passado que os saloios não querem esquecer totalmente.
Os queijos de cabra, feitos pelas mulheres segundo receitas antigas, vendem-se nos comércios locais, espécie de bazares onde há de tudo, desde botões a peças de tecido, de lixívia a adubos, aspirinas a xaropes...
Mas nem tudo são flores (embora existam plantados de violetas, margaridas e esquecidas...) no mundo dos saloios.
A falta de água canalizada é a carência principal. No seu quotidiano cada vez mais automatizado os pequenos lavradores sem um plano de rega comum, cada um deles vai fazendo os seus furos, onde melhor entende, razão porque nesta freguesia, o vedor é ainda uma profissão necessária.
Destes furos sai a água para as regas, enquanto que a de beber e cozinhar jorra dos mais de cem chafarizes existentes. Cada terra capricha na ornamentação da sua fonte que é uma espécie de "sala de visitas" pública onde as mulheres, enquanto as bilhas enchem, desenferrujam a língua.»
Pois é, mais de cem...
Só na Aldeia de "Covas do Ferro", se encontram, ainda em bom estado de conservação, meia-dúzia destas primitivas "salas de desenferrujamento" - talvez advenha daí a toponímia do lugar.

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