sexta-feira, abril 17, 2009

Coisas de Janela



ALTER DO CHÃO

Passeando por Alter,
na volta de uma viela,
deparei com esta janela.
Não é uma janela qualquer.
Já que tinha a máquina à mão,
tirei-lhe uma fotografia.
Para quê? Isso não sabia.
Só para uma recordação...
Alguém disse, uma vez:
«Escrever um poema é abrir uma janela!»
E através dessa janela, pode o nosso espírito evadir-se da sua prisão corporal.
Ou contrariamente, ela pode servir de abertura para a entrada do mundo exterior na nossa alma.
O poema "Da Minha Janela" seria entrada ou saída, para a alma da Florbela?

4 comentários:

Maria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Maria disse...

Olha Bicho, vindo da Florbela, nem entrada, nem saída. Essa grande poetisa, teve a infelicidade de nascer num tempo em que as mulheres como ela, não tinham entrada nem saída, que não fosse o casamento e uma janela, por onde vissem a vida passar. Ela casou três vezes, fora as vezes que não casou, viveu uma vida que não a satifez e, no dia que fez 33 anos, saíu, pela única porta que encontrou: a morte.
Nasceu e morreu a 8 de Dezembro, dia em que também nasci, anos mais tarde. Era Sagitariana, como nós.
Era inconstante no amor. Repara:

Inconstância

Procurei o amor, que me mentiu.
Pedi à Vida mais do que ela dava;
Eterna sonhadora edificava
Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,
E tanto beijo a boca me queimava!
E era o sol que os longes deslumbrava
Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer...
Atrás do sol dum dia outro a aquecer
As brumas dos atalhos por onde ando...

E este amor que assim me vai fugindo
É igual a outro amor que vai surgindo,
Que há-de partir também... nem eu sei quando...

Ou nos versos, cantados pelos Trovante:
Eu quero amar, amar perdidamente.
Amar, só por amar, aqui, além.
Mais este, aquele, o outro, toda a gente.
Amar, amar e não amar ninguém........

O resto tu sabes.

Ser mulher, ainda hoje é dificil.
Ser mulher e Florbela, naquele tempo, devia ser impossivel.

Isto é do tempo, da neura, sei lá de quê.
beijo

O Bicho disse...

«O mundo quer-me mal:
Porque ninguém tem asas como eu tenho!...
Porque trago no olhar os vastos céus...
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém!...»
As jovens mulheres de hoje deviam ler e procurar entender declarações como estas, de uma MULHER mais que notável.

Maria disse...

Bicho:
Numa carta a Guido Batelli, seu grande amigo, Florbela definiu-se assim:
"Sou pagã e anarquista, como não poderia deixar de ser uma pantera que se preza .."

Achas que a maioria das mulheres de hoje, seria capaz de se descrever assim?
Grande mulher, nascida num tempo, que não era o seu.
E qual seria o tempo dela?
O nosso, ou outro num futuro em que eu já não acredito?
Por ser quem era, não aguentou a mesquinhice burguesa em que foi obrigada a viver.
Beijo

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