segunda-feira, abril 09, 2018

O fogo interior


Sei que não devia, mas penso...
no meu dia-a-dia, que percebo ser cada vez mais composto de hábitos, uns mais antigos e outros mais recentes;
procuro viver apenas para um amanhã que espero sempre que seja o mais possível despojado de inovações;
com o passar dos anos aprendi que na vida as coisas mudam, ficando apesar disso, sempre tudo na mesma, ou quase;
e talvez por causa desta variante do princípio de Lavoisier aplicado ao imaterial, eu sou avesso a surpresas no sucedâneo dos meus afazeres diários;
sinto que o fogo interior que anima o meu ser (o espírito, ou lá o que quer que seja) está como o âmago desta bola de vidro - um magma em arrefecimento - que não reflecte a luz, o brilho, o calor do sol que recebe de fora.
Eu penso, e no entanto, tenho dias em que não existo!

1 comentário:

M,Franco disse...

Quem existe pode reflectir, mas ás vezes é melhor
não o fazer. Podem surgir pensamentos irreflectidos
e nem a bola da vidente consegue algum milagre.

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