quarta-feira, março 04, 2009

a ver navios 66


Porque.

porque escrevo as minhas palavras aqui
poesias de trazer-por-casa
poemas nem para cantar-na-banheira
pensamentos profundamente inexplicáveis
conclusões ao abrigo da lógica-da-batata
raciocínios sobre filosofias-de-algibeira
dissertações sobre coisas-sem-sentido
apologia da extra-normalidade
iluminados os recantos da consciência
exortação de sensibilidades desconhecidas


porque coloco as minhas fotografias aqui
fontes de água imprópria para consumo
chafarizes que não servem para nada
bicas de água que já não deitam água
navios atracados nas docas do Tejo
barcos na linha do horizonte-mar
cacilheiros no Rio, à chegada e à partida
flores de todas as cores, de todo o tempo

palavras e imagens do entardecer
da vida porque
à mistura com outras de amanhecer
raramente coisas para enternecer
a ternura porque
a ternura deixa-me mudo
e que mais há-de ser, que mais
e que hei-de fazer, que mais
e que posso dizer, quase tudo
mas apenas o que eu quiser

2 comentários:

Maria disse...

Porque cada foto tua é um poema,
Seja mar, seja fonte ou, um castelo.
Consegues fotografando qualquer tema,
Um quadro incrivelmente belo.
Porque tens na alma a poesia,
Porque vês a beleza à tua volta,
Porque sentes no odor da maresia
A inspiração correr, à rédea solta.
E é por isso que escreves livremente,
Como contando histórias a um amigo.
E é por isso que tem te lê, pressente,
Poder falar de tudo o que quiser, contigo.

Beijo
Maria dos Alcatruzes

O Bicho disse...

Bem visto, Maria, ou seja, bem observado, bem descrito.
Obrigado. Sinto-me, lisonjeado, é o termo que me ocorre.
E sinto mais: "que afinal não estou p'raqui sozinho a soltar palavras ao vento."

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