terça-feira, abril 17, 2007

a Pastelaria


Velhas da Pastelaria Benard

Cada qual de cão ao colo
damos de comer ao cão
chá e migalhas de bolo
pão-de-ló de Alfezeirão.

Arejamos com o leque
calores dos 60 anos
pérolas de pechisbeque
brincos de prata ciganos.

Lá em casa convivemos
com os estalos da mobília
tristes silêncios serenos
doçuras de chá de tília.

Réstias de sol nas janelas
de cortinas desbotadas
candelabros de três velas
retratos das afilhadas.

A crueldade do espelho
vem mostrar-nos de manhã
ruínas de um corpo velho
num casaquinho de lã.

E à cabeceira da cama
o sorriso do falecido
garante qu'inda nos ama
por trás da placa de vidro.

(António Lobo Antunes)

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