quinta-feira, março 29, 2007

o Metro


Perto tinha de si
a gente exausta
e livremente
contemplava
tantos rostos,
tanto desespero.

Nas mulheres do campo
batia o seu coração,
para ajudá-las na saída;
e pelos olhos dos namorados
pedia licença
de passar
como um Inca pelos rios.

Era moço de recados,
servente, outra vez criança
num comboio,
canceroso
que vai para o hospital,
o aleijado que estende
ali a mão,
soldado que se despede,
emigrante que regressa
mais humilhado.

E gota infortunada
ou lágrima
escondida
ao lado do seu povo.

("Metro de Lisboa", António Osório)

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