quinta-feira, novembro 23, 2006

O Desalento



Porque a vida não pára, eu, vacilante,
Quero parar, mas sinto, apavorado,
Que, mais a mim, se chega a cada instante,
O fim do meu caminho limitado!

Como vai longe! Ai, como vai distante
O tempo em que vivia descuidado,
E me falava a doce voz cantante
Desse presente que se fez passado!

E a ele volto e não encontro nada,
Que me fale da vida amargurada
Que ao recordá-la ainda me angustia.

Com que tristeza tudo, tudo lembro,
Neste dia cinzento de Novembro,
Nesta manhã viúva de alegria!

(JM Lopes de Araújo, Poeta dos Açores)

2 comentários:

Anónimo disse...

Às vezes, a solidão, tem tanto de belo como de arrepiante.
Esta pode ser a ponte que divide as nossas inseguranças.

Anónimo disse...

Porra cada vez estás a escrever melhor,onde vem tanta inspiração?Um beijinho da Maria.

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