segunda-feira, dezembro 05, 2005

porque te lavas no rio


Povo que te lavas no rio
Na corrente impetuosa
Deste meu pensamento
Cascata de água sombria
Prosas do meu desalento
Versos em flor de agonia.
Como uma onda alterosa
Congelada em gelo frio.

Com serena melancolia
Pergunto à brisa do mar
Para quê chamar o vento?
Aguardo novas de poesia!
Dizem que está para chegar
Envolta nas ondas do tempo.

Estou pior, sinto-me mal,
Pressagio novo temporal.
Irei decerto viajar outra vez
Como há um ano neste mês.
Ida e volta um dia inteiro
Quilómetros 900 sem parar
Desta vez, ainda, sem fumar
Viajante sozinho e solteiro.

Contradição, é o meu receio
De atravessar o Rio Lethes.
Pois queria muito esquecer
O que está para além dele.
Perder a memória do Norte,
(Sem perder o norte da memória)
Do passado recente de um ano,
Lembrança não sublimada,
Pensamento à força recalcado
Que volta sempre ao de cima
Todos os dias e todas as noites
A qualquer hora sem previsão
(Até mesmo a ver televisão)
Rompe tudo o que penso, ao meio
Como uma angústia muito forte
Não posso esquecer a história
Que até me faz arrepiar a pele.
Há que enfrentar o marrano
E talvez dele fazer uns filetes.
Não levo naifas nem pistolas
Só um metro e meio de raiva
E sede de justiça, pela injustiça!

Ó, merda, preciso de coragem
E não me perder na voragem.
E solidariedade, compreensão.
E um advogado, porque não?

1 comentário:

Anónimo disse...

E um amor para esqueceres a sede de vingança.Esquecer e dizer aos outros que estanmos indiferentes a coisas estúpidas.E como a estupidez é um mau caminho,sempre é melhor o advogado.Esquece e perdoa.Humildade e caridade é tudo que nos leva a viver,um beijo da Maria

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