sexta-feira, abril 13, 2018
Entardecer
o entardecer (Monsaraz)
O escuro da noite, com ajuda do vento leste, avança rapidamente sobre a planura do grande lago do Alqueva e começa a galgar a encosta em direcção às muralhas.
Muito em breve Nix, a deusa da noite, conseguirá invadir o velho burgo fortificado - não há forma de lhe resistir.
Então, todo o povoado ficará entregue à vontade de Hypnos, filho de Nix, o qual a coberto da escuridão, irá exercer toda a sua influência, fazendo descer sobre as casas o venenoso torpor do sono, que infiltrando-se por baixo das portas e pelas frestas das janelas e chaminés, vai atingir todos os habitantes.
quinta-feira, abril 12, 2018
Quadratura do Círculo
Porta da Vila (Monsaraz)
É tarde... são horas de seguir viagem, deixando para trás o Castelo, lanço um último olhar para esta porta e fico pensando:
É tarde... são horas de seguir viagem, deixando para trás o Castelo, lanço um último olhar para esta porta e fico pensando:
- como é curiosa a implantação da grande torre Sineira sobre um dos torreões que ladeiam a porta.
porém, uma torre quadrada em cima de uma outra redonda, não é exclusividade deste lugar. Isso acontece noutras fortalezas, como por exemplo em Figueira de Castelo Rodrigo, onde se pode ver a Torre do Relógio, assente sobre o que resta de uma Torre Albarrã.
Então, pergunto-me eu: «Será isto uma tentativa de solução Patafísica para a "quadratura do círculo"?»
quarta-feira, abril 11, 2018
A Fonte 692
Monsaraz
Porque fixei aqui esta imagem desfocada? É apenas mais uma fonte sem qualquer interesse de especial.
O que eu pretendia destacar, mal se percebe. Há duas fontes encostadas na mesma parede de xisto:
Um chafariz ornamental decorado com o brazão de Monsaraz no espaldar e seu largo tanque - que me parece em desuso.Hei-de lá voltar um dia, para fotografar, mas de outro ângulo e com mais calma, sem tremer.
Colado a este encontra-se um fontanário de branco caiado, e com uma torneira que verte para uma pia em pedra - este sim é funcional.
terça-feira, abril 10, 2018
da Primavera
Enquanto há Primavera, há Esperança!
Esta é uma afirmação verdadeira, se levarmos em conta o princípio fundamental da Lógica que Aristóteles aplica ao raciocínio dedutivo.
Da Filosofia que estudei no meu 3º ciclo do Liceu (antigos 6º e 7º anos) ficou-me a noção de Silogismo simples - uma conclusão válida deduzida de duas premissas verdadeiras.
Esta é uma afirmação verdadeira, se levarmos em conta o princípio fundamental da Lógica que Aristóteles aplica ao raciocínio dedutivo.
Da Filosofia que estudei no meu 3º ciclo do Liceu (antigos 6º e 7º anos) ficou-me a noção de Silogismo simples - uma conclusão válida deduzida de duas premissas verdadeiras.
Por isso,Que assim seja...
diz o adágio, «enquanto há Vida, há Esperança»;
ora, «a Primavera é renovação da Vida»;
logo, «enquanto há Primavera há Esperança!»
segunda-feira, abril 09, 2018
O fogo interior
Sei que não devia, mas penso...
no meu dia-a-dia, que percebo ser cada vez mais composto de hábitos, uns mais antigos e outros mais recentes;Eu penso, e no entanto, tenho dias em que não existo!
procuro viver apenas para um amanhã que espero sempre que seja o mais possível despojado de inovações;
com o passar dos anos aprendi que na vida as coisas mudam, ficando apesar disso, sempre tudo na mesma, ou quase;
e talvez por causa desta variante do princípio de Lavoisier aplicado ao imaterial, eu sou avesso a surpresas no sucedâneo dos meus afazeres diários;
sinto que o fogo interior que anima o meu ser (o espírito, ou lá o que quer que seja) está como o âmago desta bola de vidro - um magma em arrefecimento - que não reflecte a luz, o brilho, o calor do sol que recebe de fora.
domingo, abril 08, 2018
A Fonte 691
Chafariz da Porcalhota (Amadora)
Uma obra de 1850, o velho chafariz onde muitas vezes matei a sede e me refresquei na água do tanque, em quentes tardes de Verão dos meus verdes anos.Ao invés de colocar aqui uma imagem actual, optei por este interessante registo de 1912 (foto de Joshua Benoliel) da recolha de água para análise de qualidade, efectuada por um técnico do Instituto Câmara Pestana, acompanhado de um grupo de observadores - alguns governantes daquele tempo.
Naquele tempo o chafariz situava-se na confluência da rua Elias Garcia (Estrada Real de Sintra) com as travessas da Falagueira e da Reboleira. Actualmente encontra-se noutro local, não muito distante deste.
A água chegava às duas bicas, vinda directamente do ramal do Aqueduto das Águas Livres que descendo das nascentes da Falagueira, vinha passar por baixo deste tanque.
sábado, abril 07, 2018
Amanhecer DXCIV
Tenho dias em que penso e... fico-me por aí - penso, logo existo e está tudo resolvido, isto é, não muda coisa alguma a não ser o tempo, no relógio e no calendário. Tempo livre em demasia para repensar naquilo que vou fazer, mas - porque talvez não queira - não chego sequer a iniciar qualquer acção, muito menos a concretizar o objectivo por demais idealizado.
Abulia - o que estará na origem desta falta de energia, falta de iniciativa, que me ataca algumas vezes? Vezes demais, acho eu.
Será um sinal de desequilíbrio maior que se avizinha - a depressão - ou apenas mais um sintoma do meu estado normal de procrastinador inveterado?
Seja lá porque for, não me preocupo muito com a resposta. O melhor é deixar passar, como de costume...
sexta-feira, abril 06, 2018
Vinho Fino
Rio Douro - Pinhão
Sentado numa esplanada do cais, à beira Douro, acompanhando com a vista o movimento silencioso dos grandes navios-hotel que deslizam rio abaixo, em direcção ao pôr-do-sol.
Sentado numa esplanada do cais, à beira Douro, acompanhando com a vista o movimento silencioso dos grandes navios-hotel que deslizam rio abaixo, em direcção ao pôr-do-sol.
Ora aqui está uma coisa, que já não é novidade para mim. Ao longo dos anos, durante as minhas viagens pela região do Alto Douro Vinhateiro, tenho tido felizmente, oportunidade, o (bom) gosto e o prazer de o fazer algumas vezes.
Num fim de uma tarde quente de Verão, ou morna de Primavera como a de hoje, deixar-me ficar quieto, sem pensamentos, simplesmente contemplando os reflexos dos raios de sol que no ocaso conferem cor especial ao espelho de água do rio e ao cálice de Vinho Fino que vou saboreando.
«Vinho Fino?» pergunta a menina que atende na esplanada do bar.
«Sim, um cálice de branco e "bem aviado", se faz favor!» disse eu.
«Ora bem, é a primeira vez que um cliente - de Lisboa, não é? - me faz um pedido como deve ser... sim senhor; toda a gente de fora, costuma pedir Vinho do Porto.» retrucou a menina.
«Pois, mas eu sei que o vinho é criado e produzido aqui nas vinhas do Alto Douro, não é no Porto. E sei que a gente daqui o considera um Vinho Fino, porque ele é mesmo isso, fino.» e com esta conversa, eu ganhei um cálice de vinho branco pouco doce, mas muito "bem aviado" e, mais importante ainda, acompanhado de um bonito sorriso.
quarta-feira, abril 04, 2018
A Fonte 690
Parque Eduardo VII (Lisboa)
Já que estou em maré de recordações, aqui fica mais uma, ligada a este local - porta do jardim da "Estufa Fria".
Memória de coisas simples da minha vida no século vinte, quando em tardes quentes de verão eu vinha até aqui passar algumas horas - umas vezes sozinho, outras bem acompanhado - percorrendo as veredas deste interessante jardim que é a "Estufa Fria".
Lá dentro não se ouve o ruído da cidade; o som ambiente posso dizer que tem uma componente aquática e uma outra aérea; uma com origem na água corrente (repuxos, cascatas, e pequenos córregos) e outra produto da normal actividade dos pássaros que se fazem ouvir, esvoaçando e pululando por entre as plantas e pequenos lagos que nos rodeiam por todos os lados.
O lugar é ideal para relaxar, desligar do stress do dia-a-dia, sentar num recanto a ler um livro, ou contar histórias mais ou menos segredadas juntinho ao ouvido de alguém que nos quer bem...
segunda-feira, abril 02, 2018
Ovo de Páscoa
Eis o ovo!
Um ovo, gemelado, recolhido por mim numa capoeira de galinhas do campo, no Ribatejo.
O meu "Ovo de Páscoa" bem cozido, junto com batatas novas e umas folhas de couve portuguesa, a fazer companhia à bela da cabeça de bacalhau; tudo temperado à antiga portuguesa - um bocadinho de pimenta das índias, azeite e alho e salpicos de vinagre de vinho.
Por falar nisso, vinho, foi o tinto "Quinta dos Aciprestes" reserva 2015 da Real Companhia Velha.
domingo, abril 01, 2018
A Fonte 689

Jardim de Guerra Junqueiro (Lisboa)
Aleluia!
Para matar saudades e matar a sede vim beber neste pequeno chafariz ao pé de um dos portões do jardim(1) que abre para o Largo da Estrela;
mesmo em frente lá está, desde 1790, a Real Basílica do Convento do Santíssimo Coração de Jesus(2), uma obra-promessa da Rainha D. Maria I de Portugal.
Aleluia!
- Mais conhecido por Jardim da Estrela;
- também designada Basílica da Estrela.
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