sábado, julho 04, 2009

amanhecer CLXXVI


Esta espécie de Cravo, habitualmente matizado de cor-de-laranja, é uma das poucas, mas fortes, recordações que guardo da minha infância, em Lisboa.

Ficou-me na memória o aroma picante, característico desta flor, que na Primavera e no Verão, dava mais colorido às varandas, aos páteos e quintais das traseiras das casas do bairro onde nasci, Campo de Ourique, no mesmo prédio onde viveu o maior poeta de Lisboa.

Dele, do Pessoa, obviamente, não me lembro mesmo nada - ele morreu duas décadas antes de eu nascer; do Poeta, desse sim, lembro algumas coisas escritas, como por exemplo,

«Quer pouco, terás tudo.
Quer nada: serás livre.»

1 comentário:

Maria disse...

Bicho:
Lisboa está-te no sangue, como Tomar está no meu.
Basta uma flôr, uma pedra, um som, uma luz, uma saudade e lá vamos nós para as nossas terras.
A mim corre-me nas veias a água do Nabão. A ti, o Tejo. O Nabão é subafluente do Tejo. E eu amo o Tejo, amo Lisboa. E sinto por ela um amor quase tão grande como tu.
Quando aqui chego, vinda de qualquer lado, a reação é sempre a mesma: Uns braços que me esperam, cheiros que adivinho, cores que sei de cor. E as lágrimas nos olhos, o aperto no peito, a alegria de voltar.
Tu nasceste no prédio de Pessoa, eu nasci no mesmo dia que Florbela. Somos ambos sagitários. Que lindo par de sentimentais, cheios de neuras, de sonhos! Neste mundo de materialismo, não temos grande futuro.
Beijo da Maria com uma neura daquelas.

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