domingo, outubro 25, 2009

o Padre Eterno


[..]
E, arremessando a Bíblia, o velho abade
Murmurou:
"Há mais fé e há mais verdade,
Há mais Deus concerteza
Nos cardos secos dum rochedo nu
Que nessa Bíblia antiga… Ó Natureza,
A única Bíblia verdadeira és tu!..."

Como se pode ver (ler) na literatura em Português, não é nenhuma novidade questionar os Dogmas da Fé Católica como fez recentemente Saramago.
Nem sequer é um caso único, este outro de há já 100 anos, em tempos infinitamente menos liberais do que hoje, quando Guerra Junqueiro teve coragem de escrever "A Velhice do Padre Eterno".

3 comentários:

Maria disse...

Bicho:
Junqueiro era corajoso. Pelos vistos, conhe-lo bem. Esta estrofe do "Melro" é tão verdadeira, tão de acordo comigo.
Conheces o "Como se faz um monstro"? É do mesmo livro. Esse livro foi malquisto e malvisto, durante um século. Talvez agora, depois do Nobel, de quem diga-se de passagem, nem sequer sou admiradora, ter falado como falou, se lembrem do génio que foi Junqueiro.
Obrigada por o teres lembrado.
Beijinhos

O Bicho disse...

«Os dogmas são de bronze,
e a lã duma batina
Já vai pesando mais que
as armaduras d'aço.»
Maria,
até parecia mal se eu não conhecesse a obra do patrono do jardim da minha infância - O Jardim Guerra Junqueiro, mais conhecido pelo Jardim da EStrela.

Maria disse...

Bicho:
Porque é que não andaste num colégio chamado "Eça de Queiroz"?
Assim tinhas que ler "Os Maias".
Estou a brincar. Já sei que és alinea F. Pronto.
Beijinhos

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