terça-feira, junho 23, 2009

Quando


De vez em quando
encontro-me comigo mesmo!
Assim de repente,
como se deparasse com alguém conhecido,
subitamente, ao virar uma esquina.

Hoje, acontece cada vez mais,
mais do que dantes:
Ponho-me de fora
cá dentro a observar
o que éque eu faço
o que é que eu digo
o que acontece comigo
o que se passa à minha volta
o que se move dentro de mim?

Que encontro é este, fenomenal,
posso dizer transcendental,
mas muito pouco original:
- O que faço eu aqui fora
a olhar para mim cá dentro?
Para que mais me conhecer
se isso já não melhora nada?

Sento-me, ao pôr-do-sol,
numa escada e escrevo
para um amigo que já foi
o meu melhor amigo
e também o pior inimigo.
Esse que às vezes encontro
cá dentro de mim escondido.
Peço-lhe ajuda, sinto-me perdido.

4 comentários:

Maria disse...

Bicho:
Andamos todos ao mesmo, "Em busca do tempo perdido".
O teu poema fez-me lembrar Sérgio Godinho.

Quando
tu me vires no futebol
estarei no campo
cabeça ao sol
a avançar pé ante pé
para uma bola que está
à espera dum pontapé
à espera dum penalty
que eu vou transformar para ti
eu vou
atirar para ganhar
vou rematar
e o golo que eu fizer
ficará sempre na rede
a libertar-nos da sede
não me olhes só da bancada lateral
desce-me essa escada e vem deitar-te na grama
vem falar comigo como gente que se ama
e até não se poder mais
vamos jogar
Quando
tu me vires no music-hall
estarei no palco
cabaça ao sol
ao sol da noite das luzes
à espera dum outro sol
e que os teus olhos os uses
como quem usa um farol
não me olhes só dessa frisa lateral
desce peça cortina e acompanha-me em cena
vamos dar à perna como gente que se ama
e até não se poder mais
vamos bailar
Quando
tu me vires na televisão
estarei no écran
pés assentes no chão
a fazer publicidade
mas desta vez da verdade
mas desta vez da alegria
de duas mãos agarradas
mão a mão no dia a dia
não me olhes só desse maple estofado
desce pela antena e vem comigo ao programa
vem falar à gente como gente que se ama
e até não se poder mais
vamos cantar
E quando
à minha casa fores dar
vem devagar
e apaga-me a luz
que a luz destoutra ribalta
às vezes não me seduz
às vezes não me faz falta
às vezes não me seduz
às vezes não me faz falta.

Sérgio Godinho

Beijo

O Bicho disse...

O Sérgio é um dos "meus" ARTISTAS!Músico, Compositor, Intérprete, Cantor, Autor - como ele, haverá muito poucos.

Maria disse...

Já somos dois, Bicho. Vamos fazer um clube de fãs?
Pode ser que o Belmiro ajude, mas não me parece. O estilo dele é mais Tony Carreira.
Beijo

Kim disse...

Às vezes - é só sacudir os ventos da tempestade e a bonança acontece.
Experimenta!

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