sábado, março 31, 2018

Amanhecer DXCIII



De regresso a Lisboa

Para a minha geração, o Pavilhão Carlos Lopes, era conhecido como o "Pavilhão dos Desportos".
Eu lembro-me de, quando jovenzinho aqui ter vindo assistir a torneios de "Hóquei em Patins" e outros desportos de pavilhão.
Depois do 25 de Abril de 1974, participei, ora como espectador, ora como fotógrafo "freelancer" em muitos encontros, comícios, festas e espectáculos, de cariz político-partidário (essencialmente de esquerda) realizados no seu interior.
Foi depois, mais ou menos deixado ao abandono no princípio deste século, estando em risco, até os belíssimos painéis de azulejo (fábrica de Sacavém) da fachada. Finalmente, em 2017 reabriu, com outras funções, depois de remodelado.


sexta-feira, março 30, 2018

A Fonte 688


Fonte da Vila (Ponte de Sôr)

Junto à margem do rio Sôr e encostada à ponte (que foi romana) origem do nome desta cidade Alentejana.
Há escritos que mencionam a excelente qualidade da sua água para tratamento de problemas urinários.
Para mandar fazer esta bonita fonte, El-rei D. João V, "o Magnânimo", despendeu apenas uma infinitésima parte do orçamento real, naquele tempo (séc. XVIII) sobrelevado graças aos enormes carregamentos de ouro e pedras preciosas oriundos do Brasil.
Comparado com os custos de outras obras deste monarca - o Palácio, Convento e Igreja de Mafra, ou o Aqueduto das Águas Livres para Lisboa - isto foi nada...


quinta-feira, março 29, 2018

Horas Extra


Janela Mourisca - Castelo do Alandroal

A construção do castelo demorou apenas 4 anos; está registado o lançamento da 1ª pedra (1294) e também a data de finalização dos trabalhos (1298); o dono da obra foi El-rei D. Diniz.
Eu diria que foi um trabalho espantoso, tendo em consideração os parcos meios técnicos, equipamento, ferramentas, maquinaria, etc., que os construtores tinham à sua disposição há 725 anos - Época Medieval.
Por isso, à falta de tecnologia avançada, estou em crer que o maior esforço dessa empreitada ficou com toda a certeza a cargo da mão-de-obra humana.
Artistas talhadores de pedra, mestres canteiros, pedreiros, trolhas, carpinteiros e operários não especializados, devem ter feito uma bruta quantidade de horas extraordinárias que provocou decerto um valente rombo no erário real!
No entanto, estou convencido que houve aqui uma ajuda de fora - uma mãozinha mourisca; grande parte da construção foi feita sobre uma outra preexistente, de origem sarracena, tal como aconteceu em muitas outras fortificações do Reino de Portugal.
Contribui para esta ideia, uma Janela (de Ferradura) Mourisca que se encontra no cimo de uma das torres do castelo.

quarta-feira, março 28, 2018

A Fonte 687


Fonte da Praça da República (Vila Viçosa)

Nada de especial a dizer acerca desta fonte de pedra mármore da região.
O mesmo não se pode dizer em relação à igreja que sobressai nesta fotografia - Igreja do Espírito Santo.
Todo o seu interior é uma extraordinária obra quinhentista, de azulejaria e talha dourada.
Classificada como monumento nacional, tem as paredes revestidas com fantásticos painéis de azulejos policromados encimados por todo um friso de grandes painéis de pinturas, e talha dourada.

terça-feira, março 27, 2018

O sol na alma


Uma raridade que adorna a esquina de uma varanda em ferro forjado;
parece uma bolha de magma incandescente enclausurada numa redoma de rede vítrea;
este bonito trabalho em vidro concentra no seu âmago toda a luz e calor do sol da tarde alentejana.

Assim de repente fez-me lembrar uma bonita canção ("Flor Sem Tempo") que muitas vezes escutei na rádio de outros tempos - anos 70 do séc. XX.

Canta o sol
Que tens na alma...


(Paulo de Carvalho)

segunda-feira, março 26, 2018

A Fonte 686

Fonte das Bicas - (Alandroal)

Vista do cimo da muralha do castelo, lá está em baixo a grande caixa de mármore de Estremoz, que compõe a fonte. Na frontaria tem o brasão oitocentista com as armas reais rematadas por uma coroa fechada.
Diz na descrição do DGPC que era ladeado por dois bustos laureados, que exibiam as inscrições:
«HIC MARIS ORA DEUS PANDIT REGNATOR AQUARUM. TANTALIA UT FUGIAT PECTORAE DIRÁ SITIS e HUC LACRIMAT THETIS:
UT FLORAS SITIBUNDE VIATOR. ILLA UT TU RIDEAS, BIBE, LUGIT AMANS.»
O que quer dizer:
“Aqui o Deus que reina sobre as águas abriu as bocas do mar para que fuja do peito a cruel sede de Tântalo.
Aqui chora Tetis: Para que te lastimas, viandante sitibundo? Ela que te ama verte lágrimas para que te rias. Bebe."
Mas os bustos onde estão? Eu não os vi - levaram sumiço? Não sei, mas também não importa, ele há tantas coisas que eu não sei... e nem quero saber.
Sei, no entanto, que a tradição atribui diferentes nomes a cada uma das seis bicas que saem de cabeças de leões:
  1. bica das feiticeiras,
  2. bica de Santo António,
  3. bica dos namorados,
  4. bica dos reis,
  5. bica de São Pedro,
  6. bica de São João.

E lá está o aviso do costume: "água imprópria para beber".
Quão longe vai o tempo em que «a água das muitas nascentes da localidade era considerada de grande qualidade, atribuindo-se-lhe mesmo propriedades termais».

domingo, março 25, 2018

Domingo de Ramos


Matriz e Castelo (Alandroal)

Este domingo marca o início da Semana Santa; como tal, celebra-se a missa na Igreja Nossa Senhora da Conceição, aqui dentro do recinto amuralhado; mas eu não participo; em vez disso, celebro a minha liberdade, entrando e saindo livremente pelas diferentes portas da fortaleza, subindo e descendo as escadarias de acesso ao passadiço das muralhas e aos torreões do castelo.
Um excelente exercício físico, para abrir o apetite - não tarda muito está a sair a escudela com o belo do "ensopado de borrego" para a mesa do almoço.
Domingo de Ramos
Para além dos ramos de oliveira e palmeira que era comum, neste dia, enfeitarem algumas casas e ruas, havia uma antiga tradição da qual eu ainda me lembro - os afilhados ofereciam flores ou ramos aos seus padrinhos e madrinhas, os quais, por sua vez retribuíam o gesto no domingo seguinte (Páscoa) com o "folar", ou seja, a prenda da Páscoa.

sábado, março 24, 2018

Amanhecer DXCII


ÉVORA

Mais uma das muitas (e foram mesmo muitas) manhãs que me encontram nesta capital alentejana,  Património da Humanidade.
Nesta manhã fria, mas com sol radioso de Primavera, observo com satisfação plena o movimento das pessoas que passam, entram e saem das lojas, e param conversando com amigos ou vizinhos conhecidos, sem as pressas nem a atrapalhação da vida quotidiana dos grandes centros urbanos.

Este dia e este local, fazem-me recordar os meus tempos de guerra, isto é de tropa, passados aqui no Hospital Militar. Foram muitas semanas seguidas sem poder sair à rua - não tinha justificação para tal - até que, finalmente me lembrei de pedir autorização para ir à missa. Pronto! Desde então, todos os domingos de manhã, eu dava o meu passeio de algumas horas pela cidade para vir até aqui à Igreja de Santo Antão. - Ah! LIBERDADE!!!

Já agora, uma nota sobre o Chafariz classificado como Monumento Nacional, autoria de arquitecto e engenheiro militar, no lugar onde terminava o Aqueduto da Água de Prata.
Obra quinhentista em mármore branco, encimado por coroa de bronze (que por acaso, os "maus da fita", ainda não roubaram) e com oito bicas, as carrancas que correspondem às oito ruas que desembocam na praça.

sexta-feira, março 23, 2018

A Fonte 685


Fonte do Chão das Covas (Évora)

Chafariz em mármore e granito, tendo no baixo relevo frontal um cavaleiro rodeado por duas cabeças de mulher encimadas por esferas armilares e o símbolo da monarquia portuguesa.
Acoplado a uma interessante "caixa de água" de distribuição do ramal do Aqueduto da Água de Prata, o monumento nacional, que o Rei D. João III, mandou construir sobre o traçado original do veio que na época romana transportava a água fresca desde a nascente na aldeia de Nossa Senhora da Graça do Divôr até ao centro (forum) da cidade.
Está seca, este ano, como a maioria das fontes públicas, devido à escassez de água corrente - há que poupar...

quinta-feira, março 22, 2018

Dois em Um

VILA VIÇOSA

Foi o "Dia da Árvore" e também o "Dia da Poesia" - dois dias que partilham o mesmo dia, ou seja, dois dias com a mesma data - 21 de Março.
Do mesmo modo, aqui fica um bocadinho das duas coisas - uma árvore carregada de belas laranjas azedas (ou amargas) e o começo de um extraordinário poema a condizer.

"Cavalo à Solta"

Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura....

(Ary dos Santos)

quarta-feira, março 21, 2018

Poetisa calipolense


Casa de Florbela Espanca (Vila Viçosa)

No Dia Mundial da Poesia fica bem aqui esta minha lembrança de viajante.
Nesta casa simples (que me parece um bocado mal cuidada) nasceu e viveu até aos seus 14 anos de idade a maior poetisa portuguesa, Flor Bela d'Alma da Conceição Espanca.

Vaidade...

Sonho que sou Alguém cá neste mundo …
Aquela de saber vasto e profundo,
Aos pés de quem a Terra anda curvada !

E quando mais no céu eu vou sonhando,
E quando mais no alto ando voando,
Acordo do meu sonho … E não sou nada!


Fábrica da Água

Fábrica da Água do Porto Santo Em 1906 começou a funcionar uma fábrica rudimentar (com máquinas a vapor) de engarrafamento da água da Fontin...