quarta-feira, abril 09, 2008

a Fonte 222


Valença do Minho

Depois da ressaca e dos bois,
olha a fonte duzentos e vinte e dois;
está no antigo terreiro da Feira
em Valença do Minho;
obra Municipal do Ano de 1867
No calendário Hebreu - 5627
No calendário Islâmico - 1283
No meu calendário - vou apagar.

Ressaca


Olho com indiferença pela janela a tempestade que agita o ar pesado, carregado de electricidade.
No horizonte, o ceu cinzento chumbo amarelado é rasgado pelos coriscos de luz.
No mar à minha frente, da mesma cor do ceu, as rajadas de vento levantam ondas alterosas.
Vento, chuva, trovoada, lá fora, não oiço, não me impressiona, sinto-me tão calmo... que contraste.

segunda-feira, abril 07, 2008

os Bois

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"É preciso chamar os bois pelos nomes", dizem.
Não concordo. É feio, chamar nomes aos outros, mesmo que sejam bois.
Nem mesmo os Forcados que conhecem bem os bichos, na arena da tourada, não chamam nomes ao animal - eles clamam, "Eh, Boi!!! Eh, Touro!.. e mais nada.

E quando falamos em forcados e touradas, "Há que pegar o touro pelos cornos", diz-se.
Pois, pois, mas nem sempre. E se aparece um boi com os cornos partidos, como é?
Bom, se alguém partiu os cornos ao boi, então a Pega terá que ser de Cernelha.

domingo, abril 06, 2008

a Fonte 221

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Novamente pelos caminhos do norte,
uma paragem na Praça da Ribeira (Porto):

- Será que há tempo para uma francesinha?

sábado, abril 05, 2008

Amanhecer CX


Ao despontar o Sol sobre as flores do meu terraço,
a realidade da natureza:
umas murcham enquanto outras reviçam.

sexta-feira, abril 04, 2008

murcharam


- Estão "môchas", Pai, dizia o meu filho em pequenino, quando observava as flores que estiolavam nos canteiros.

Como o último pé destas "Coisas", não me lembro como se chamam que, juntamente com as Frésias, este ano perfumaram o ar da Primavera no terraço da Casa da Praia.

Pois é, agora estão murchas, exalam um odor um tanto esquisito - não sei porquê, algumas vezes gosto e outras nem tanto.

quinta-feira, abril 03, 2008

a Fonte 220


No páteo da Alcáçova do Castelo de S. Jorge de Lisboa.

Vaidoso

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O Miguel (10 anos) nunca tinha visto
tal bicharoco que, podemos dizer em toda a acepção da palavra, se pavoneava livremente pelos terraços do Castelo de S. Jorge em Lisboa.

Que coisa exuberante.
O Miguel ficou parado
a olhar, embasbacado
a cena impressionante.

Ó Pai, chega cá um instante,
o que é que vem a ser isto:
um galo, um pombo, misto?
Um bicho tão espampanante.

A isto chama-se um Pavão.
Exibe a parabólica de penas
para "engatar as piquenas".
Ele é primo direito do Faisão.

É um pombo grandalhão
que faz tremer de nervoso
as penas do leque vistoso
quando está com... comichão.

quarta-feira, abril 02, 2008

o reverso


(recuperação? da Lisboa antiga - Mouraria)

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

(Ary dos Santos)

Fábrica da Água

Fábrica da Água do Porto Santo Em 1906 começou a funcionar uma fábrica rudimentar (com máquinas a vapor) de engarrafamento da água da Fontin...