quinta-feira, junho 22, 2006

Coisa Boas



The best things come in small packages

O autor deste extraordinário pensamento, deve ter sido o "camone" que vivia neste nº 17.

Coisas boas sempre em pacotes pequenos de modo que coubessem na estreita ranhura da caixa do correio.

quarta-feira, junho 21, 2006

Dias do sol


Começam hoje os grandes dias do Sol,
que é como quem diz, os dias do Verão,
os dias de calma, aquecidos pelo Sol,
pelo Sol do Verão - veremos, se serão,
ou não?

Mas também ficamos a saber, só hoje soube.
Sabiam vocês que hoje é dia do Relógio de Sol!?
Não sei se é um Dia Mundial ou Nacional?
Só sei que é dia de dar corda ao Relógio de Sol.

E ainda... hoje, temos que comemorar o Solstício de Verão, que é uma coisa bonita - quem dera que houvesse mais, muitos Solstícios mais, para a gente saborear!
É bom saber que estamos a viver o MAIOR DIA DO ANO e que daqui em diante eles (os dias) vão começar a encolher, vão ficar cada dia (ou cada noite) mais pequenos, até..?
Até não haver mais dia?
Até ficar sempre noite?
Grande merda de teoria.
Vou pensar noutra solução:
Enquanto isso, é melhor parar aí o relógio.
Minguar os dias não é lá muito boa ideia.

Ahhhh! Já me lembro:

o tempo anda sempre à roda,
às voltas num círculo, ou em ciclos,
então, o tempo é cíclico.
Boa! O tempo é reciclável!!!
Estamos safos, a coisa volta a crescer
já no próximo Solstício de Inverno.

terça-feira, junho 20, 2006

Dias do avesso


Este desenho do "Bilo", fez-me bem à cabeça, fez-me desanuviar.
De repente lembrei-me que já não pinto uma tela há muitos meses.
Pois está na hora, é hoje, se tiver tempo, isto é, se me deixarem tempo livre para isso?

Isto vem a propósito do que há pouco, ouvi na Antena1 em "Os Dias do Avesso" - a rubrica diária, de 5 minutos de conversa fiada entre Isabel Stilweel (Jornalista) e António Alçada (Psicólogo), que hoje terminava assim:

A consciência do tempo
As pessoas têm normalmente a ideia que o futuro é uma coisa tão longínqua que imaginam que tudo será perfeitamente realizável, isto é, terão tempo suficiente no futuro para fazer isto e aquilo e aqueloutro, coisas que se deixam mais ou menos em suspenso na vida até... um dia. Mas o futuro certo, das pessoas, é a morte.

E isso não está normalmente presente no nosso pensamento. Se esta noção estivesse mais activa na consciência, decerto que a maioria das pessoas passaria a justificar muito mais aquela conhecida expressão, "não guardes para amanhã, o que podes fazer hoje".

segunda-feira, junho 19, 2006

Dias piores


(Escultura em areia - Pêra, Algarve)

Há dias em que sinto que não pertenço a esta terra, a este planeta, devia ter sido depositado aqui por engano do entregador de encomendas. Quer dizer, sinto que sou uma encomenda que ninguém mandou vir. Mas que grande encomenda que este gajo me saiu! Dizem agora os leitores.
Eu explico melhor:
- secalhar não sou só eu, quer dizer que há mais, haverá decerto muitos mais, outros de que eu tenho ouvido falar, também inadaptados a este meio onde vieram cair, como Eu, sem pára-quedas.
continua...

domingo, junho 18, 2006

aos sete dias


(Domingo, 18 de Junho de 2006)

e ao sétimo dia, descanso...

chove, é bom estar em casa,
no conforto,
na companhia da família.
Isso faz esquecer o resto

Não vale a pena repensar,
por hoje não há nada a fazer,
só quando for segunda-feira
poderei saber as novidades?


os avisos de Cartas Registadas
chegaram no dia 13 pelo Correio.
Ah, pois, os pressentimentos,
os presságios naquela noite de 13...

no sexto dia


(Sábado, 17 de Junho de 2006)

Ansiosamente, forçosamente, o regresso.
A chuva é intensa, muito forte, a trovoada acompanha.
É tempo de sair daqui, vamos embora, o tempo já não está connosco.
Vou escrevendo e ouvindo "Os quadros de uma exposição" penso que de Mussorgski.
Escorraçado depois de desprezado e depois de ignorado.

Ser ignorado pode ser, por vezes irritante e desencadear uma viva manifestação de protesto, que no fundo tem como objectivo apenas "dar nas vistas" pois muitas vezes já não é possível reparar a situação descriminatória que provocou o sentimento de inferioridade.
Quero desenvolver melhor o meu complexo de inferioridade.

  1. sou transparente - ser inexplicavelmente ignorado pelo empregado(a) do balcão da cafetaria quando quero fazer um pedido;
  2. sou uma sombra - o empregado de balcão, engana-se invariavelmente, entregando sempre a outro cliente ao lado, o café que eu tinha pedido;
  3. escolhi a mesa errada - pedir um serviço à mesa do restaurante e ficar a ver o cliente da mesa do lado ser atendido em primeiro lugar;
  4. pedi a comida errada - o prato do dia, que eu encomendei, só chega depois de todas as outras mesas em redor de mim estarem servidas;
  5. com azar até na sorte - no Casino, carrego no botão para recolher o prémio da Máquina onde estava a jogar. O entregador dos prémios, dá prioridade ao meu vizinho do lado esquerdo (que chamou depois de mim), depois passa para o vizinho do meu lado direito (que foi o último a chamar) e finalmente, eu. Mas só depois de eu ter feito alguns gestos, assim como que a dizer, então e EU não estou cá, não tenho direito a nada?
  6. a sorte de novo no azar - e que tal esta cena invariavelmente repetida ao longo de uma noite? É bom sinal, quer dizer que tive muitos prémios na noite de jogo e no final já nem me ralava com a descriminação negativa - que se lixem todos - de tal modo que quando me vieram entregar um prémio, passado apenas um minuto após eu ter chamado, apanhei um susto.
  7. e a senda continua - outras vezes, muitas vezes... há mais coisas, mas agora só mais esta, retirada de um texto do Blog do Pessoal, num convite para jantar: "Estou a contar com - Eu, tu, Rui, Pantas, Bruno, Júlio, Marcelo, Xico, Nelson, Carlos e Zé Maria... jantar amanhã, 5ª feira, numa tasca perto daqui." ORA AGORA, ADIVINHEM LÁ QUEM É QUE É O tu?!!

Um complexo de superioridade é o normal reflexo de quem se sente socialmente descriminado, quer seja negativa ou positivamente.

no quinto dia


(sexta-feira, 16 de Junho de 2006)

O cão sarnoso, com o pelo autenticamente a cair aos bocados, deambula à toa pelo areal de uma praia de Domingo, provocando uma inesperada sensação de mal-estar em quem o vê. Mete nojo e mete dó, aquele bicho, sem dono, sem alegria, sem rumo certo, vagueando inseguro.
Dirige-se para a toalha mais próxima, ou mais a jeito, ou sabe-se lá porquê, a que lhe parece ser a mais adequada para se estender ao comprido, se estiver vaga, ou na estreita faixa que dela restar se estiver ocupada por um ou uma descontraído banhista, que apanha invariavelmente um grande susto.
Parece que o triste e solitário cão, procura substituir a companhia de um dono que perdeu. Deve ser isso ou haverá mais? Queria saber e também descrever de uma forma mais clara, aquele andar do cão vadio, sem dono, sem casa, no fundo, um sem abrigo, mas não consigo encontrar as melhores palavras.
Também não sou grande escritor. Nem grande nem pequeno, sou apenas escritor, porque aprendi a escrever e escrevo, mais nada. Por isso, apelo à imaginação, dos que nunca observaram uma cena igual ou à memória de quem, certamente a maioria, já presenciou e provavelmente teve que enxotar, por ter sido objecto ou alvo do súbito interesse de um desses cãezinhos errantes.
Há dias, tive o desgosto de ver e mandar embora (Xô!!!), enxotar para longe, com um misto de receio e pena, um daqueles lobos de olhos azuis, oriundos do frio Norte da Europa. Uma raça de cão que nos últimos anos, esteve muito em moda nas casas de família da classe média-baixa desta nossa terra, de clima bem morno, por certo nada adequado a uma normal sobrevivência dos animais.
Fixei o estranho olhar do bicho. Era intensamente triste e simultaneamente ameaçador! Assim com que a querer dizer:
estou a precisar da companhia de alguém (de um dono) que me tolere, que me deixe estar junto a ele, sem mais nada; não quero comer, nem brincar, nem nada; só descansar, relaxar junto a uma pessoa; não preciso de meiguices, não me façam festas, só quero que não me tratem mal, caso contrário vou responder com raiva e com maus modos, vou rosnar e mostrar os dentes a quem levantar a mão, nem que seja só numa ameaça; estou numa de intolerância.

no quarto dia


(Quinta-feira, 15 de Junho de 2006)

O desprezo não é problema!
Suporta-se bem, ou melhor, ignora-se como se fosse um normal reflexo.
Ser desprezado, acaba por não ser nada de especialmente grave: eu desprezo os pássaros que estão neste momento à minha volta aqui no jardim a chilrear – oiço, mas não me diz nada, tanto me faz, se não estivessem cá, não faria diferença nenhuma. Só não escreveria sobre eles, mais nada.
As flores vermelhas que estão a baloiçar ao sabor da brisa do sul e as abelhas que entram e saem dos cálices, com as patas cobertas de pólen amarelo, também estão incluídas no meu desprezo pelos seres que me rodeiam.
Eles vivem bem com isso e eu também. Eles não me procuram, não precisam de nada de mim...
Como eles, aprendi a viver com o desprezo: aquela flor é bem bonita e atraente para as abelhas, independentemente de eu lhe “passar cartão” ou não; o pintassilgo pousado neste raminho aqui perto de mim, está todo entretido a exibir ao sol a penugem laranja do papo e a repenicar uma cantoria, apesar de eu não estar interessado em fazer nenhuma captação de vídeo da exibição.

no terceiro dia


(Quarta-feira, 14 de Junho de 2006)
Mais uma noite sem conseguir dormir.
O pensamento às voltas com a mesma coisa de sempre, desde há quase dois anos.
O corpo às voltas na cama, como que acompanhando as imagens que percorrem o espaço reservado aos sentimentos mais indesejados, às emoções mais fortes do meu desassossegado espírito.
Não sei descrever melhor, porque na manhã que se segue, invariavelmente (e felizmente) tudo o que me passou pela cabeça, que me transtornou durante a noite, se desvanece com a luz do dia, como se estivesse numa sala de cinema assistindo à projecção de um filme e se acendessem as luzes e abrissem as janelas – as imagens na tela, deixam de ser visíveis, elas estão lá, o filme continua, mas já não vejo mais nada.
Para iniciar o dia, carrego então a confusão de sensações imaginadas, vividas ou revividas intensamente até ao fim da noite.

no segundo dia


(Terça-feira, 13 de Junho de 2006)

Depois de uma noite em claro, desperto para um dia que não me apetece.
Pela manhã, escrevi, o que nessa altura não disse a mais ninguém:

ficaram só para mim os presságios, o indescritível pressentimento de que
O FIM SE APROXIMA!

no primeiro dia


(Segunda-feira, 12 de Junho de 2006)

Um ano depois, o mesmo local, a mesma luz, o mesmo cheiro, as mesmas cores.
Quase os mesmos pensamentos, apesar de tudo, bastante menos angustiados.
Algumas coisas deixaram de ser preocupantes, mas ainda assim, uma preocupação subsiste, como uma ligeira recordação que vem ao de cima de vez em quando – insinuando-se ao de leve, ligeiramente, neste primeiro dia.

Vamos ver... o que se segue!!?

Fábrica da Água

Fábrica da Água do Porto Santo Em 1906 começou a funcionar uma fábrica rudimentar (com máquinas a vapor) de engarrafamento da água da Fontin...