segunda-feira, março 13, 2006

monologamia V


[ensaios V]

Em 1º lugar, temos o tempo por nossa conta - podemos adiantá-lo, atrasá-lo ou simplesmente, o mais natural de todo, deixá-lo correr por si mesmo, não interferir intencionalmente (como se fosse possível) - como? Não interessa agora isso.
Adiantemo-nos: O quê, seria um ponto ou uma vírgula? Também não importa já, deixemos isso. Agora bem.
Em 2º lugar e dentro e fora do tempo teremos todo o espaço necessário a qualquer forma de existência. Mas porque é que havemos de nos preocupar a pensar nisto, se há coisas bem mais directamente importantes para Revelar, como por exemplo porque é que sofro a sós comoigo mesmo e para dentro todos os passos de um dia-a-dia tragado aos soluços.

domingo, março 12, 2006

portas do tempo I


[Colares - Sintra]

O tempo, não mora aqui.
O tempo infinito passou por aqui, não parou.
Ele não pára, tem sempre pressa o tempo nunca tem tempo para parar um pouco e sossegar.
Avança sempre, não recua, não vacila, nem uma só esitação.
Monotonia cadenciada.
"Não há tempo a perder" - não se consegue perder o tempo não se perde, encontra-se e gasta-se, consome-se.
"Só para ganhar tempo" - ganha-se dinheiro (e gasta-se), ganham-se amizades, ganham-se cabelos brancos, o tempo não se ganha, é de borla, não se paga, ele está aí por todo o lado, sempre disponível para ser utilizado, usado, gozado, não acaba nunca, desde tempos imemoriais até... sabe-se lá quando!??

(acreditem, foi isto que eu pensei, quando vi esta porta)

monologamia IV


[ensaios IV]

Confessa-te lá, mas aqui só para nós, vá diz,não receies, por mim não te envergonhes, não digo a ninguém; minto, digo, isso digo, vou dizer para ti, de mim, sim senhor, aqui já não há lugar para mais ninguém, não há fuga possível, já é tempo, faz-se tarde, e depois é de mais.
Voltamos a encontrar-nos e vamos desta vez aproveitar decerto a última vez e oportunidade de conseguir comunicar sem reservas, sem esconder nada do que parece mal.

o Pudor


Todas as noites ela me cingia
Nos braços, com brandura gasalhosa;
Todas as noites eu adormecia,
Sentindo-a desleixada e languorosa.

Todas as noites uma fantasia
Lhe emanava da fronte imaginosa;
Todas as noites tinha uma mania
Aquela concepção vertiginosa.

Agora, há quase um mês, modernamente,
Ela tinha um furor dos mais soturnos,
Furor original, impertinente...

Todas as noites ela, ah!, sordidez!
Descalçava-me as botas, os coturnos,
E fazia-me cócegas nos pés...

(Cesário Verde)

sábado, março 11, 2006

amanhecer VIII



Mais um Sábado de manhã em Colares - Sintra.

sexta-feira, março 10, 2006

monologamia III


[ensaios III]

Das coisas que mais me afligem - e logo são várias - esta é atrozmente difícil de ultrapassar, porque afinal eu penso nisto e portanto não posso dizer que (estou) nasci idiota;
mas fiquei não sei porquê sem a capacidade que tanto admiro, invejo, adoro até, nos outros, da facilidade com que, por mecanismo inato ou adquirido imperceptivelmente ou por treino, conseguem colocar a imaginação ao serviço da razão.
Quando sob pressão (ou depressão) do sentimento.

amontoado IV


[Lisboa - elevador do Lavra]

poema do abandono em si (IV)

Cair no abismo do esquecimento verdadeiro
ou permanecer intermitentemente
apenas um de entre todos.

Nossas Ruas 8


E deve ser uma gente esquisita, uma vez que Pineus, não tenho a certeza mas acho que é nome de uma praga que ataca os Pinheiros.

quinta-feira, março 09, 2006

a primeira


Abriram hoje, no meu jardim, os primeiros cálices de Frésia.
Quando estas flores começam a impregnar o ar com o seu intenso aroma - autêntico perfume - é sinal que está a chegar o fim do Inverno.
Nos canteiros do meu jardim, elas são mais ou menos silvestres, nascem expontâneamente desde que, há alguns anos, eu recolhi alguns bolbos que encontrei a germinar na areia do pinhal da várzea. São cada vez mais e em muitas cores e tons naturais possíveis (amarelos, azuis, laranja, vermelhos, branco).
Antes disso, eu nem sabia que existiam tais flores.

amontoado III


[elevador do Lavra - Lisboa]

poema do abandono em si (III)

Estampado no colmo da minha imperfeição está o âmbito do meu terminar e recomeçar, está a ampulheta vertente insaturada no perpetuosismo do ser porquê... do ser nada porquê, porque não se é só por ser, ainda mais renovado imperfeitamente na compreensão de tudo, todo o resto, compreendo eu sei; mas não sei nada do tudo? que é isso de saber tudo de alguma coisa? que é isso de saber de tudo alguma coisa? pergunto porque não me dizem porque escrevo? como pisas o chão que se te sobrepõe? como te debruças sobre o que não existe - onde vai a abstracção subtrair o seu móbil?
para que vais abrir o segredo do ser,
- para do nada fazer ser?
- ou para do ser fazer nada!!!

Janela Mar e Ceu


III
Já a vista, pouco e pouco, se desterra
Daqueles pátrios montes, que ficavam;
Ficava o caro Tejo e a fresca serra
De Sintra, e nela os olhos se alongavam;
Ficava-nos também na amada terra
O coração, que as mágoas lá deixavam;
E, já despois que toda se escondeu,
Não vimos mais, enfim, que mar e céu.

(Lusíadas - Canto V)

Fábrica da Água

Fábrica da Água do Porto Santo Em 1906 começou a funcionar uma fábrica rudimentar (com máquinas a vapor) de engarrafamento da água da Fontin...