sábado, fevereiro 11, 2012

Amanhecer CCCVI



Disse-me um amigo:
"Outra vez em Marvão?
Mas que raio de mania,
Isso também já enjoa..."

Isto sou eu que digo:
"Ora bem, porque não?
Muito mais vezes viria,
Se mais perto de Lisboa."

A manhã já vai alta;
o sol brilha no céu azul, ali prós lados da fronteira;
mas as muralhas do castelo ainda estão encobertas pela neblina;
é o resto da névoa da madrugada que vem subindo a escarpa, desde lá de baixo da Portagem, à medida que o sol vai aquecendo as terras do vale do Sever.


Há quem chame "Ninho de Águias" a este local onde se ergue o castelo mais elevado do Alentejo - 850 m.
Também chamaram "Ninho da Águia" ao local da residencia de Hitler, numa montanha da Baviera - 1.850 m.
Há uma diferença de 1.000 metros (em altitude) entre Marvão (Portugal) e Berchtesgaden (Alemanha).

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Reflectindo 2003



Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado...
isso é circunstância.
Solidão é muito mais do que isso.
Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma...

(Fátima Irene, poetisa braileira contemporânea)

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

a Fonte 609


Fuente Garcia - a nascente do Tejo

Tejo
- o rio que passa mais vezes por aqui,
por este repositório público de devaneios fotográficos e escritos que é o blog do Fotociclista.

- o rio que passa pela minha terra,
Lisboa, cidade amiga, cidade antiga, que também foi de Camões e de Pessoa.

- o rio que me viu nascer - "inda mal abria os olhos, já era para te ver.."

- o rio que eu fui ver nascer - algures entre Gualajara, Cuenca e Teruel.

- o rio que eu vejo, quase todos os dias, morrer às portas de Lisboa, desaparecer da nossa vista, fundindo-se no imenso oceano.
 
- o rio que, mais cedo ou mais tarde, se a vida neste planeta decorrer naturalmente, há-de ver-me desaparecer deste mundo para não mais voltar.

sábado, fevereiro 04, 2012

Amanhecer CCCV


Vá-se lá saber porquê?
(às vezes lembro-me de cada coisa...)
este enquadramento fotografico que captei
no terraço do Centro Cultural de Belém,
faz-me lembrar "2001 ODISSEIA NO ESPAÇO",
o extraordinário filme de Stanley Kubrick,
que tanto me impressionou, no final dos anos 60 (séc. XX).

Talvez desconhecido (ou esquecido) para os "jovens" que hoje tenham menos de 50 anos,
acho que essse filme foi único,
polémico em relação ao tema,
superior quanto à imagem,
monótono na acção e
com um fundo musical inesquecível - "ASSIM FALOU ZARATRUSTA", de R. Strauss.

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

a ver navios 121


VIAGEM

Para mais além
Só o sonho comanda,
É lá que quero ir,
Para mais além,
Só passa,
Em fúria,
A audácia
Que eu quero descobrir.

Para mais além não há navios.
Eu quero um carrossel para partir.

Fátima Marinho
(uma minhota nascida em Cuba, em 1966)

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

A Fonte 608



Reveladas (Portalegre)

Fotografia de Daniel Casado, um "Alentejano dos Açores",
que se tem dedicado a registar e divulgar em imagens, as coisas interessantes da natureza, costumes, tradições e da cultura da região onde se radicou - Portalegre.

Passei já uma ou duas vezes por este lugar, no Parque Natural da Serra de S. Mamede, mas não conheci a "TI ESPERANÇA" a quem terá sido dedicada esta fonte.
Encontrei, no entanto, numa antologia um poeta português da actualidade (que deve andar pelos 83 anos de idade) João Rui de Sousa, que escreveu um poema dedicado

A TI, ESPERANÇA
..
A ti, que diariamente nos acolhes
e nos trazes riso fresco
e nos dás uvas
e nos fazes cantar
nas horas difíceis.
A ti, que ofereces água
a todos que passam
e mostras um caminho
aos poucos iluminados.
A ti esperança, eu dedico
agora e sempre
este poema.


terça-feira, janeiro 31, 2012

Reflectindo e Refletindo



Sentado fora do mundo
Esquecido desde quando,
Olhar fixo no sobrado
Reflectindo,
Entre adormecido e desperto
O pensamento vagueando
Perdido no tempo deserto
Algures entre o passado
E o nada, que é o futuro,
Refletindo:
Vivo, ou estou enganado?

segunda-feira, janeiro 30, 2012

a fonte 607


Nada de importante há para dizer deste chafariz, no passeio da Praia de Carcavelos.
Deita água - por enquanto - e mais não sei?

Lá terá, possivelmente presenciado uma ou outra história - ao jeito das cenas de telenovela das tardes de televisão, ou de folhetim radiofónico, ou de crónica mundana de coluna social de jornal - coisa própria dos tempos modernos.
Testemunha impassível de humanos encontros e desumanos afastamentos, memoráveis para os protagonistas que ficaram certamente com algo para recordar e contar:
pequenas histórias vividas junto ao mar, no extenso areal desta bela praia da Costa do Estoril.
Também eu, ao passar por aqui nas minhas voltinhas de bicicleta, recupero memórias e revejo-me desempenhando o papel principal em episódios de filme - quase sempre, felizmente, tragicomédia - de cinema mudo.

sábado, janeiro 28, 2012

Amanhecer CCCIV



Bucólico,
este bocadinho de paisagem, com o arvoredo a recortar o verde que reveste as margens do arroio em cujas águas calmas se percebem reflexos de azul do céu e de paredes brancas de uma casa, faz-me lembrar lugares por onde andei a passear há alguns dias - os meandros da Ribeira de Nisa, na Serra de S. Mamede.
Mas este lugar fica bem distante da raia alentejana. É no vale do Jamor, um rio que nasce na Serra da Carregueira e desagua na margem direita do Tejo, na Cruz Quebrada. De caminho ele passa por Belas, por Queluz e passa sobretudo pela minha vida.

Em Belas,
o Jamor atravessa a Quinta do Senhor da Serra, que, antes de ser Quinta dos Marqueses de Belas, pertenceu a Diogo Lopes Pacheco - um dos três algozes de Inês de Castro, o único que escapou com vida à vingança de D. Pedro. O rei confiscou, na altura, todos os bens dos Pachecos e converteu esse lugar em Paço Real.
Aqui, junto a um dos portões da quinta, na margem do rio, encontra-se um dos mais belos (e desconhecidos) obeliscos do nosso país - foi descuidadamente escondido sob um viaduto da CREL.
Em Queluz,
o rio atravessa a quinta do Palácio Nacional de Queluz, outro "condomínio" da idade de ouro da realeza nacional, talvez o mais importante de todos, pois que, ainda hoje é utilisado pelos Chefes de Estado (republicanos) para banquetes e recepções oficiais.
Aqui, junto a um dos portões do jardim, encontra-se uma das mais famosas (e concorridas) estradas do nosso país - a IC19 - da qual praticamente toda a gente já ouviu falar.
Em Queijas,
o rio passa pelo Santuário da Senhora da Rocha, um importante lugar de peregrinação desde que, nos princípio do século XIX, se encontrou numa gruta na margem do Jamor, uma pequena imagem em barro, representando Nossa Senhora da Conceição, então Padroeira do Reino. Ainda hoje se realiza a romaria anual da Senhora da Rocha.

sexta-feira, janeiro 27, 2012

A ver navios 120



Aqui estou eu, mais uma vez,
sentado a ver passar o tempo
num dos mais bonitos estuários da Ibéria.
À beira do rio Sado, na baía de Setúbal,
recordando a velha canção do Otis Reding:

"Sitting on the dock of the bay
Watching the tide roll away
I'm just sitting on the dock of the bay
Wasting time.."

quinta-feira, janeiro 26, 2012

O tal dia


Quinta-feira,
(o dia que devia apagar da minha semana)

É sempre a mesma coisa, uma tristeza.
Já nem sei mesmo o que hei-de fazer...
Talvez tomar alguma droga qualquer
para passar todo o dia desacordado,
pois faça eu o que fizer, sai errado;
nesse dia tudo sai mal, é uma certeza.

O dia de hoje não foi excepção:
Saí à rua para comprar o jantar.
Fui de carro para me resguardar
Do tempo chuvoso e vento gelado.
Ora gaita, fiquei uma hora parado
No meio trânsito - uma confusão.

Fábrica da Água

Fábrica da Água do Porto Santo Em 1906 começou a funcionar uma fábrica rudimentar (com máquinas a vapor) de engarrafamento da água da Fontin...