quarta-feira, fevereiro 16, 2011

A Fonte 562


Chafariz D. Maria (Palmela)

Constituído por 2 bicas e 1 pequena bacia receptora da água, no centro do frontão apresenta o brasão de D. Maria.
Nas laterais encontram-se 2 tanques, encimados pelo brasão de armas do concelho, utilizados como reservatórios de água que permitiam dar de beber ao gado. 
Pois, este chafariz setecentista, mandado construir por D. Maria Francisca Isabel Josefa Antónia Gertrudes Rita Joana de Bragança, a simplesmente Maria I de Portugal, foi o ponto de concentração e partida para o Almoço/Encontro Anual  do "Pessoal da Porcalhota" que em 2011, decorreu em Palmela.

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

do Amor


(Praia da Aguda, Fontanelas, Sintra)

«Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.
Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém.
Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem.»


(de "ELOGIO AO AMOR" por Miguel Esteves Cardoso, in Expresso)

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

ex-votos


Capela da Misericórdia, Arouca


«Dizei-me se, entre tantos votos religiosos de reconhecimento que vedes cobrindo por completo as paredes das igrejas, já vistes pendurados um único de reconhecimento por cura milagrosa de loucura?

Decerto que não: os homens não costumam importunar os santos para obter uma graça dessa natureza.
Eis porque, enquanto se vêem, suspensos dos altares, ex-votos relativos a toda a espécie de graças recebidas, nenhum se encontra, todavia, que se refira a um caso curado de loucura.

Ora, bem vedes que ninguém deu graças a Deus, ou à Virgem, ou a qualquer santo, por ter recuperado o juízo.»

("Elogio da Loucura" - Erasmo de Rotterdão, 1509)

quinta-feira, fevereiro 10, 2011

da Escrita


Gaivoto (pousado sobre a pata esquerda)
- «Sabes, aqui há tempos, andei a pensar escrever algumas histórias de vida.»
Gaivota (aninhada sobre o muro quente)
- «Da vida de quem, da tua? Isso interessa a alguém?»
Gaivoto (estica e recolhe de novo a pata direita)
- «Sabes como é. Contar coisas que me aconteceram, ou coisas importantes a que assisti, durante a minha breve passagem por este mundo.»
Gaivota (aconchega-se mais ao calor da pedra)
- «Ah!!! Pois, tou a ver...»
Gaivoto (ainda sobre a pata esquerda)
- «Porém, a minha veia de procastinador inveterado, felizmente, fez-me adiar o projecto o tempo bastante para encontrar um motivo que justificasse não realizar essa tarefa»
Gaivota (quase a adormecer com o calorzinho)
- «Quem te arranjou a desculpa para evitar todo o trabalho de pensar o que escrever, e escrever?»
Gaivoto (flectindo um pouco a pata esquerda)
- «Olha, foi o Sr. Pitigrilli, um crítico/jornalista Italiano famoso, que, antes de morrer de velho, em 1975, escreveu o seguinte,»
«Aquele que escreve memórias é como um fulano que se assoa e depois olha para o lenço, antes de dobrar e guardar no bolso.»

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

a Fonte 561


Alto do Longo
uma espécie de pequena aldeia independente,
à semelhança da aldeia de Asterix, o Gaulez,
encravada no meio da cidade,
entre a Rua do Século e a Rua D. Pedro V,
no Bairro Alto de Lisboa.

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Santos da Casa (123)



S. JOSÉ
(LISBOA)

que diz a inscrição no pedestal da figura que (ainda) se encontra no seu nicho,
sobre a porta da Capela do Convento de Nossa senhora da Conceição dos Cardais,
na Rua do Século.
Pertence, desde 1878, às Irmãs Terceiras Dominicanas,
uma congregação fundada por Teresa de Saldanha em período complicado da história de Portugal.
A ordem sobreviveu à época conturbada que, antes e após a implantação da República em Portugal, ameaçou gravemente a existência das ordens religiosas.


Nessa altura, a perseguição movida às casas religiosas obrigou (decreto de 1901) ao registo da congregação como associação religiosa, com apresentação dos "Estatutos da Associação das Irmãs Terceiras de S. Domingos", aprovados e publicados:


"O fim das Irmãs Terceiras Dominicanas, é ministrar às meninas ricas e pobres o ensino primário e secundário; exercer a caridade em Asilos, hospitais, Sanatórios, Refúgios e outros estabelecimentos de caridade que possam fundar, administrar ou servir em conformidade das leis do País"

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

A Fonte 560


Lisboa
Largo do Príncipe Real de Portugal,
de seu nome completo Pedro de Alcântara Maria Fernando Miguel Rafael Gonzaga Xavier João António Leopoldo Victor Francisco de Assis Júlio Amélio de Saxe Coburgo e Bragança.
Tão grande nome para uma curta vida - 24 anos - teve este nosso príncipe sem sorte, apesar de bem amado, de cognome.
El-Rei D. Pedro V de Portugal, também conhecido por "O Esperançoso".

terça-feira, fevereiro 01, 2011

da Sabedoria


FORTE DE S. BRUNO
(Caxias)

Dia de sol aberto, céu azul, ar morno,
brisas ligeiras, que sopram, ora do mar, ora do montes,
misturando odores, de maresia, de mar salgado, de terra lavrada,
erva húmida e flores - é quase, quase Primavera.

Em dias assim, apetece viver.
Viver e não pensar!
À semelhança do que escreveu Sófocles,
o maior dramaturgo Ateniense do Sec. V (A.C.):

«É muito bom viver! Mas sem sabedoria,
porque esta é o veneno da vida.»

domingo, janeiro 30, 2011

a fonte 559



Fonte da Cal (Fornos de Algodres)

Para além do aviso do costume sobre a falta de qualidade da água, reparei na data de construção que está inscrita na frontaria - 1871.

Ao lado esquerdo (só me apercebi disso ao rever a fotografia) encontra-se uma placa de ferro com algumas coisas escritas, provavelmente (?) narrando algum facto histórico relacionado com o local - não sei. Se alguem souber, p.f. escreva nos comentarios.

Uma coisa curiosa é que esta vila, que só vistei em 2010, se encontra presente na minha memória activa desde o meu tempo de aluno da Intrução Primária, no Colégio Lusitano de Benfica.

Naquela época, o Senhor Professor Pinto, à força de ponteiradas nas orelhas e palmatoadas nas mãos, tratava de inculcar nas "cachimónias" dos miúdos que comigo partilhavam as carteiras da sala das terceira e quarta classes, os nomes das estações principais de todas as Linhas de Caminho de Ferro de Portugal Continental e Colónias.

Decorar aqueles nomes todos, sem saber porquê nem para quê... era obra, meus amigos!

Por isso, a estação de Fornos de Algodres, ficou para sempre gravada na minha imaginação, talvez, quem sabe, à custa de umas quantas "réguadas", a espicaçar a memória durante uma "chamada ao quadro" em que declamava (alto e bom som) para toda a aula ouvir, as estações de comboio da Linha da Beira Alta.

sábado, janeiro 29, 2011

Amanhecer CCLII


A Calçada da Bica Grande,
desce a encosta de Santa Catarina, em direcção à zona ribeirinha, desaguando lá em baixo, na Rua de S. Paulo, por onde (infelizmente) já não se vê, nem se ouve, passar o eléctrico da Carris.
Mais além, junto ao Mercado da Ribeira, adivinha-se a torre do relógio que, nesta hora da manhã, ainda está embrulhada na névoa que transborda do Tejo.
O sol ainda vai demorar o seu tempo a chegar à calçada, para aquecer as pedras escorregadias do chão da rua e ajudar a secar os lençois e outra roupa da lavada que as vizinhas, antes de sair para as compras do dia, deixaram penduradas nas cordas sob as janelas.
Estas roupas penduradas, que são uma espécie de marca registada dos bairros típicos de Portugal, reflectem as cores da luz do sol, mesmo escondido, e atraem mais luz, mais cor e animação para o espaço meio sombrio das paredes altas e estreitas de muitas das ruelas da cidade velha.
E a maresia que sobe desde o rio pela calçada e se mistura com o cheirinho da "barrela"... hummm, só passando por lá!

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Sete


Aqui há tempos, sentei-me a descançar, recostado no tronco deste sobreiro, na região do Alentejo que eu mais aprecio - a zona raiana.
Enquanto retomava fôlego para prosseguir a caminhada do dia pelos montados, esqueci-me do tempo e dei comigo a pensar (coisa lixada, por vezes perigosa, esta mania de pensar) no número pintado no tronco:

Sete
o número primo, que está presente em muitas coisas da vida;
Sete Pecados
dizem que são os pecados capitais, alguns dos quais fazem de mim uma inegável vítima;
Sete Virtudes
serão igualmente as virtudes que se opõem aos pecados que afligem os humanos;
Sète
o nome da terra natal de Georges Brassens e Manitas de Plata, a Veneza do Languedoc, por onde passei uma vez, em 1987;
Sete fadas me fadaram...
a velha canção do Zeca que, de vez em quando eu ainda ponho a tocar;
Sete anos de pastor Jacob servia...
o belo soneto de Camões que, não sei porquê, me ficou na memória desde o meu 5º ano do Liceu;
Sete Mares
eram referidos na literatura árabe (Sinbad, o Marinheiro das 1001 Noites) e europeia na idade Média e Antiguidade Clássica;
Sete Maravilhas
havia no Mundo Clássico e outras tantas há agora no Moderno;
Sete Léguas
em cada passada, davam as botas mágicas do Pequeno Polegar;
Sete Rios
o local de Lisboa que foi durante muitos anos terminal do autocarro do "chora" que ligava a Porcalhota ao Metro da capital;
Sete Up
uma das marcas (de refresco) mais populares do mundo;
Sete Anões
os malandrecos donos da casa onde se recolheu a Bela Adormecida;
Sete Vidas
diz o povo, que tem o Gato;
Sete Quintas
se costuma dizer que alguém está, quando se sente à vontade;
Sete Colinas
tem a cidade de Lisboa, à semelhança de Roma;
Sete Cidades
é o nome da Lagoa mais bonita e famosa dos Açores;
Sete
o número de ondas que precedem uma onda maior;
Sete Dias
na semana e um só p'ra descançar..;
Sete Semanas
passaram sem uma única publicação neste blog...
então basta, ou como dizem no Alentejo, "tem avondo" de descanço, é hora de retomar.

Fábrica da Água

Fábrica da Água do Porto Santo Em 1906 começou a funcionar uma fábrica rudimentar (com máquinas a vapor) de engarrafamento da água da Fontin...