quarta-feira, março 08, 2006

Poema Elfo


-
Nelde Cormar Eldatárin nu Tarmenel,
Otso Herunaucoin hrótassen ondova,
Nerte Fírimoin marte nurunen,
Er i More Herun mormahalmas hárala
Morinóreva mí arda, már i fuinion.
Er Corma ilyar turien ar tuvien te,
Er Corma tucien ar móresse nutien te
Morinóreva mí arda, már i fuinion.

(J.R. Tolkien)

Mare e Cielo


III
A poco a poco andava fuggendo
dietro di noi la visione delle patrie montagne:
restavano addietro il caro Tago e la fresca giogaia
di Sintra, su cui gli occhi si attardavano.
E restava addietro nella amata terra
il nostro cuore, che la nostalgia là tratteneva.
E quando infine quella visione fu tutta svanita,
non vedemmo altro che mare e cielo.

(Lusíadas - Canto V)

Nossas Ruas 5


[monólogo da menina]
-
Menina e moça me levaram de casa de minha mãi para muito longe.
Que causa fosse então daquela minha levada, era ainda piquena, não a soube.
Agora não lhe ponho outra, senão que parece que já então havia de ser o que despois foi.
Vivi ali tanto tempo quanto foi necessário para não poder viver em outra parte.
Muito contente fui em aquela terra, mas, cuitada de mim, que em breve espaço se mudou tudo aquilo que em longo tempo se buscou e para longo tempo se buscava.
Grande desaventura foi a que me fez ser triste ou, per aventura, a que me fez ser leda.
Depois que eu vi tantas cousas trocadas por outras, e o prazer feito mágoa maior, a tanta tristeza cheguei que mais me pesava do bem que tive, que do mal que tinha.
...

terça-feira, março 07, 2006

Janela a chegar


Eis-me chegado sem desvios ao último
não tão triste como o primeiro mas
mais longo que o segundo
por causa da ansiedade dos últimos dias
de espera só mais um sábado
aguentar só mais um domingo
Finalmente vais chegar
segunda-feira de Setembro
acabou-se Agosto
quente de férias
para toda a gente
menos para mim
que não gosto
de Agosto
porque sou diferente!

monologamia II


[ensaios II]

Como posso ser bruto, bestial, corrupto perante tais atitudes e sentimentos porque não sigo os vestígios da cauda do cometa que ainda vai iluminado um caminho que na verdade - o que é? - eu desejava sempre percorrer sem sair do mesmo sítio.
Não, não era bem assim.
Sem sair do mesmo sítio, já eu consigo estar em todo o lado ao mesmo tempo, (ou não) mas sempre perfeitamente incompleto, inacabado e então impotente.
Impotente no respeitante à criação, ao abandono dos sentidos no racional, a emoção ao serviço (da razão) de quem, no fim?

amontoado II


[elevador do Lavra - Lisboa]

poema do abandobno em si (II)

Pensando poder alienar-me totalmente do exterior, para que estava virada a atenção, provoquei uma reviravolta para o interior - não desejando, talvez não; antes, evitando o fulcro do desejo - mas o resultado é obviamente apercebido sem experiência prévia necessária, pois que, assim vou directamente de encontro ao desejo, ou seja, à fonte da atenção, porque ela vem do interior para onde me volto mais intensamente; por tal procuro satisfação no interior para os apelos de si próprio - impossível conseguir resultado, pois são apelos directos a objectivo exterior...

segunda-feira, março 06, 2006

monologamia I


[ensaios I]

Como tu aderiste à minha declaração de esperança
Não podia imaginar
Porque sou complicado, isto é, tenho maneira de rebuscar
na simplicidade das evidências aspectos impensáveis
mas possíveis
Foi porque alguém me disse muito fácil, clara, simples
e despreocupadamente que gostavas de mim!
Sim, de verdade, que sofrias!

amontoado I


[elevador do Lavra - Lisboa]

poema do abandono em si (I)

Percorro fustigado na desesperança do nada um campo desprovido de sépalas licorosas onde só resta um vago sabor de não sei que docemente penetrante, insólito e imaturo, mas forte e constante na insinuação que demanda os meandros da inconsciência para enfim roer e corromper todo o estado de equilíbrio forçado imposto por não só querer não desejar mas ainda mais compulsivo na desclassificação personalista que advém da sobriedade impessoal, impeditiva do verdadeiro fortalecimento do carácter que deveria sempre prevalecer de encontro aos investimentos sinuosos, acusatórios e prometedores de mais incomparáveis libelos perdoados na preferência mística do encontro com o real interessante, desde logo perdido.

domingo, março 05, 2006

Diferente



Penso em ti
e
fico bem ou mal...
Não te encontro nunca
com a mesma emoção

Sempre me causas
diferentes estados
de ser, de espírio, de sentimentos...

Inquieto, inconstante ou infeliz
Importante, incompleto, indiferente, interessado (sempre)
Mas que bom
que me fazes sentir ser
aquilo que gosto de ser.

Diferente sempre!

sábado, março 04, 2006

a silhueta



Só por ti aperfeiçoei os meus sentidos
todos externos e internos e aprofundei
para exteriorizar a sensibilidade que
desconhecia cá dentro.

Os meus olhos cansados, revistam
todas as sombras do passado
em movimento rápido para o
entardecer, procurando uma
silhueta, uma luz ou só um
reflexo por outros olhos enviado.

(sentidos sem dono)

Autoretratos 1975



A perfeição das imagens
que correm no meu pensamento
nada tem que ver com
a realidade imaginada pela consciência.

São tudo, uma e outra
frutos de uma estratégia de sobrevivência
ou de sobrevida
muito para além da aparência...

(quem é que escreveu,
não quero mesmo saber,
se calhar até fui eu,
e acabei por esquecer...)

Fábrica da Água

Fábrica da Água do Porto Santo Em 1906 começou a funcionar uma fábrica rudimentar (com máquinas a vapor) de engarrafamento da água da Fontin...