quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Janela do Tempo


O tempo que falta
o tempo que não tenho
cada dia fica mais tarde
hoje já passou a hora
amanhã será ainda pior
mais cedo, mais tarde,
não importa o que passa

Pelo tempo que não existe.
é invenção, é manigância
o truque para nos fazer sentir
que precisamos viver hoje, agora
e depois uma e outra vez para... nada.

Devia haver segunda vez para tudo
uma vez nesta vida... e uma vez
numa outra vida qualquer
ou talvez não, sabe-se lá?

Claro, isto está complicado
de decidir, dormir ou não
são três e meia da manhã
e vê-se logo que já não dá
não digo nada de jeito
tenho fome, tenho sede
deve ser esse o problema
falta de açúcar no cérebro
a glicémia está em baixo
ah! finalmente o sono!

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

o Inverno



Estou a ficar farto deste Inverno.
Basta já. Tenho frio por dentro.
Angústia é o sentimento da época.

Lá fora, o dia é de sol, céu limpo.
Cá dentro, o temporal aproxima-se,
Nuvens negras cobrem o horizonte,
Sinto necessidade de me aconchegar
Recolher-me na concha bem fechada.
Concha, ostra, ostracismo, é isso!

Aquietar-me ainda mais num casulo
Permanecer numa espécie de torpor
Como a crisálida em metamorfose.

(Tempos Difíceis, de Outro Eu)

terça-feira, fevereiro 07, 2006

os Astros


SAGITÁRIO

SAÚDE: Colhe boas influências ainda que tenda a dramatizar pequenos e transitórios problemas.

AMOR: Prepare momentos a dois, períodos de romance; quebre rotinas e alimente uma relação.

DINHEIRO: Desenvolva com limites bem definidos actividades por conta própria mas sem pressas.

HORA MAIS PROTEGIDA: 15h ás 17h

(Previsões da minha prima Maya, para o hoje)

Redondilhas 1



E vi que todos os danos
se causavam das mudanças,
e as mudanças dos anos;
onde vi quantos enganos
faz o tempo às esperanças.

Ali vi o maior bem
quão pouco espaço que dura;
o mal quão depressa vem;
e quão triste estado tem
quem se fia da ventura.

(Camões)

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Rio abaixo


Por este rio acima

Por este rio acima
Deixando para trás
A côncava funda
Da casa do fumo
Cheguei perto do sonho
Flutuando nas águas
Dos rios dos céus
Escorre o gengibre e o mel
Sedas porcelanas
Pimenta e canela
Recebendo ofertas
De músicas suaves
Em nossas orelhas
leve como o ar
A terra a navegar
Meu bem como eu vou
Por este rio acima

(Fausto Bordalo Dias)

a Eternidade


A Eternidade

De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.

Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.

Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.

De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.

Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.

De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.

(Rimbeau, tradução de A. Campos)

Novo Blog


  • A Imagem para o novo blog a nascer algures na blogosfera.
  • O Nome (?) não terá nada a ver com o Objectivo.
  • O Objectivo está bem definido:
"Reflectir os estados de espírito que acompanham a metamorfose de um ser humano razoável, numa outra coisa que nem mesmo o próprio sabe muito bem o que será. Descrição das reais situações ou factos que estão na origem dessa transformação e respectivas consequências..."
  • A Objectiva será a do nosso Fotociclista.

domingo, fevereiro 05, 2006

To a Lady


With The Poems of Camoëns

This votive pledge of fond esteem,
Perhaps, dear girl! for me thou’lt prize;
It sings of Love’s enchanting dream,
A theme we never can despise.

Who blames it but the envious fool,
The old and disappointed maid;
Or pupil of the prudish school,
In single sorrow doom’d to fade?

Then read, dear girl! with feeling read,
For thou wilt ne’er be one of those;
To thee in vain I shall not plead
In pity for the poet’s woes.

He was in sooth a genuine bard;
His was no faint, fictitious flame.
Like his, may love be thy reward,
But not thy hapless fate the same.

(Lord Byron)

sábado, fevereiro 04, 2006

e parou


(pôr-do-gato ao sol-no-Tejo)
aperfeiçoar, afeiçoar, o que falta, o resto, o tempo que não tem paragens, não ficamos à espera de nada mais que tão somente uma lenta agonia que suporta a criatividade na estação das palavras que me saiem pela sensação do que entra pelos sentidos semi despertos de todo o resto que rodeia esta incdescritível actividade extra-sensorial que liga os sons às palavras que se formam no labitinto da imaginação e vão fluindo, saltando para as mãos que traduzem e... parou, parou, não dá mais, fiquei trespassado, chiça, oiço a Bábá Guimarães, não, não suporto, não aguento, é demais a intelectualite aguda dessa mulher!!!
(esta era para amanhã, mas acabou assim, mesmo antes de nascer)

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

gosto de mar



Gosto de barcos, gosto do mar,
gosto de fotografar, fixar e rever
as imagens, as curvas das ondas,
o recorte na linha do horizonte,
as chaminés, os mastros, as velas,
das silhuetas que transportam vida
sobre as águas, ou a morte afogada
em salgada água ou em negro alcatrão.

Gosto dos rios, ainda mais que tudo,
gosto de subir às nascentes e partir
percorrendo na descida até à foz
aldeias, vilas e cidades à beira-rio.
Depois, chegar ao mar e esquecer
a terra, a fonte, a serra, o monte
e ficar a olhar o infinito horizonte
onde o magnífico sol vai esmorecer.

(poesia livre, sem dono, sem rima, sem métrica, com sentido, eu escrevi)

a Roda


(A Roda do Tempo)

A profunda proposta filosófica do post anterior, deixou a minha cabeça para aqui às voltas, à roda, pensamento amarrado àquelas ideias:
  • A nossa ligação à vida vai enfraquecendo com o tempo - física, fisiológica, material.
  • A nossa ligação ao passado vai fortalecendo com o tempo - mental, psíquica, espiritual.
As coisas esquisitas que o ser humano* consegue fazer... a isto chama-se reflexão, a gente vira o olhar do pensamento para dentro de nós e recebe um reflexo que depois "bota" cá para fora, falando, escrevendo, pintando ou esculpindo (não é cuspir).
(*) não sabemos se os cães, ou os gatos, os crocodilos, as avestruzes ou até mesmo as vacas, as cabras e as mulas, também sabem reflectir; o que sabemos é que eles não conseguem transmitir cá para fora, para nós, o resultado dessa actividade; não falam, não escrevem, não pintam, não esculpem.
Pois... esculpem lá esta seca, vou reflectir para outro lado.

Fábrica da Água

Fábrica da Água do Porto Santo Em 1906 começou a funcionar uma fábrica rudimentar (com máquinas a vapor) de engarrafamento da água da Fontin...