domingo, março 12, 2006

o Pudor


Todas as noites ela me cingia
Nos braços, com brandura gasalhosa;
Todas as noites eu adormecia,
Sentindo-a desleixada e languorosa.

Todas as noites uma fantasia
Lhe emanava da fronte imaginosa;
Todas as noites tinha uma mania
Aquela concepção vertiginosa.

Agora, há quase um mês, modernamente,
Ela tinha um furor dos mais soturnos,
Furor original, impertinente...

Todas as noites ela, ah!, sordidez!
Descalçava-me as botas, os coturnos,
E fazia-me cócegas nos pés...

(Cesário Verde)

2 comentários:

Anónimo disse...

E tu tinhas cocegas?

O Bicho disse...

No início tinha, mas depois, foi precisamente assim que deixei de ter cócegas.

Amanhecer DLVIII

COVILHÃ Correndo pelo vale do alto Zêzere Já chegámos? O quê! Ainda não? Então vou dormir mais um bocadinho...