segunda-feira, novembro 30, 2009

penso que sinto


Às vezes penso...
penso naquilo que sinto e duvido:
- será que vale a pena pensar nisso?
Às vezes sinto...
sinto que duvido daquilo que penso:
- será que vale a pena sentir pena?
penso que sinto...
porque não minto, isso é verdade:
- mas não sei o quê, nem porquê?

domingo, novembro 29, 2009

sábado, novembro 28, 2009

Amanhecer CXCVI


por vezes o amanhecer não parece,
não parece ser... um amanhecer;
outras vezes não apetece,
não nos apetece... amanhecer;
o amanhecer de hoje
mais parece o entardecer;
há uma lua cheia a subir ao céu,
por entre os ramos das árvores;
ramos frios, despidos da folhagem,
sem os tons quentes de Outono;
para um dia assim, como este,
não apetece acordar.

sexta-feira, novembro 27, 2009

de tarde


Fim de dia,
vou descendo escadinhas abaixo,
desde as Portas do Sol, por Alfama adentro.
Olha só, ali,
na nesga de vista, por entre as esquinas desta viela,
lá ao fundo, a Igreja de St. Estêvão.
Não digas nada,
nem é preciso falar para dizer o que se sente aqui
Tranquilidade - andando pela cidade antiga
Liberdade - na cidade amiga.
No entardecer,
vou deixar esta Lisboa, vou amanhecer para outras paragens,
longe daqui, ao pé do mar, onde vou lembrar:
«Sempre Lisboa e o Mar».

quinta-feira, novembro 26, 2009

a Fonte 458



Que nunca se acabe a água fresca e límpida, na nascente que alimenta as bicas deste fontanário tipicamente barroco ao lado da igreja do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego.
Todo o Santuário, a escadaria de 686 degraus com os diversos patamares, a igreja e lugares de repouso e romaria, começou a ser construído em 1750, para ser terminado em 1905.
Mais uma obra de Santa Engrácia?

quarta-feira, novembro 25, 2009

a ver navios 89



«[..] Fôra um dia d'Inverno suave e luminoso, as duas janellas estavam ainda abertas. Sobre o rio, no céu largo, a tarde morria, sem uma aragem, n'uma paz elysea, com nuvensinhas muito altas, paradas, tocadas de côr de rosa; as terras, os longes da outra banda já se iam
affogando n'um vapor avelludado, do tom de violeta; a agoa jazia liza e luzidia como uma bela chapa d'aço novo; e aqui e alem, pelo vasto ancoradouro, grossos navios de carga, longos paquetes estrangeiros, dois couraçados inglezes, dormiam, com as mastreações immoveis, como tomados de preguiça, cedendo ao affago do clima doce..[..]»


(Eça de Queirós)

Finalmente - também já não era sem tempo - andei a ler uns bocadinhos de "Os Maias".

terça-feira, novembro 24, 2009

a Fonte 457


Para quebrar o tédio,
outra fonte, toma lá!
O que não tem remédio,
remediado está!


Eu até subi ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios,
mas não achei o remédio para curar esta minha mania
de fotografar as Fontes, só para publicar aqui.

segunda-feira, novembro 23, 2009

no canto



Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos á boca
e viesse o que viesse.


(António Gedeão)

domingo, novembro 22, 2009

dias iguais



Dizem, "os dias passam iguais
Aos dias que vão distantes."
Ah não, nada será como dantes,
Pois a paixão não volta mais.

sábado, novembro 21, 2009

Amanhecer CXCV


Uma imagem... nada de especial;
não tem grande beleza, nem nada que se pareça;
um espelho de azul claro, reflexo do céu das Azenhas do Mar
um apelo à serenidade, uma proposta de paz;
uma paragem no tempo, uma miragem no Inverno geral;
e simultaneamente é uma tentação:
- apetece fazer alguma coisa para quebrar a monotonia do reflexo;
- lançar uma pedra para quebrar a perfeição daquela superfície...

quinta-feira, novembro 19, 2009

a Fonte 456


..e ao lado da Igreja Matriz da Azambuja, o caminhante, o turista, encontra este fontanário que tem um letreiro bem diferente do já costumeiro ("ÁGUA IMPRÓPRIA... ETC.").
Este diz assim:

AVISO
Ao abrigo do Artigo 100º
do Regulamento Municipal
de Abastecimento de Água
SERÁ PUNIDO COM COIMA
de - 75,00 a 1.250,00 - (*)
quem utilizar água dos fontanários para fins
diferentes do uso exclusivamente doméstico.

Ora gaita!
Estava mesmo a precisar de beber água e apetecia-me lavar a cara para tirar o pó do caminho, mas não vou arriscar-me a pagar uma multa do caraças (* suponho que sejam €uros).
Ah, pois!
Segundo o aviso, só posso usar esta água para beber ou lavar as mãos se a levar para casa!

quarta-feira, novembro 18, 2009

Hora Bolas


A hora certa - hora solar - está neste relógio, à entrada da Azambuja, desde 1844, que é a data inscrita no pilar que suporta a esfera.

Ao "palmilhar" os caminhos de Portugal, encontrei outros relógios iguais a este, na estrada que liga Lisboa a Santarém.
Não sei, mas imagino que tenham sido colocados ao longo da principal Estrada Nacional (neste caso seria a N.VIII..?) para que os viajantes de antanho soubessem sempre a hora do dia, talvez para assim poderem calcular a velocidade da sua deslocação e quiçá fazer uma estimativa da hora prevista para chegar a um qualquer destino...

terça-feira, novembro 17, 2009

a Fonte 455


Vila Nova da Rainha
Por baixo das duas pontes desta terra, correm paralelas, as ribeiras Ota e Alenquer, que logo ali se juntam numa só para desaguar no Tejo.
Neste lugar de merendas não falta nada:
tem chafariz com àgua para beber, lava-loiças, mesa, bancos, grelhador, grelha, lenha e tudo o mais para o turista que só precisa de levar os comes e bebes, acender o lume e... "toca a andar".

segunda-feira, novembro 16, 2009

a ver navios 88



Fado de Vila Franca

Com o Colete Encarnado
Jaqueta e meia branca
Campinos toiros e fado
Esperas de gado em Vila Franca.

Oh terras do Ribatejo
Cheias de sol e alegria.
Oh gente sem ambições
Que dá lições de valentia.

Oh terras de Vila Franca
Onde tanta e tanta vez
Sem temer uma colhida
Se arrisca a vida com altivez!


Voltei ao velho cais do Jardim de Vila Franca de Xira.
Fiquei ali sentado a olhar os barcos no Tejo e a recordar os momentos de grande agitação, de intensa euforia, (de "adrenalina", como se diz hoje) das "largadas" nos dias da festa do Colete Encarnado.
«Uma ou duas vezes, pendurado na portada de uma janela ou escarranchado num poste de iluminação pública, escapei à justa, de levar uma marrada, ou uma cornada.»
Enquanto revivia mentalmente aquelas antigas imagens e emoções, veio-me à memória um fado. Velho, talvez tão velho quanto eu...
Trauteei a música - ainda me lembro bem - mas a letra (saquei da Net) só me lembrava da última estrofe.

domingo, novembro 15, 2009

a Fonte 454



Caldas de S. Lourenço
Na margem esquerda do rio Tua, a meia encosta da vertente do vale sobre o rio, a 3 Km da sede de freguesia de Pombal, junto à estação de (S. Lourenço) caminho-de-ferro da linha do Tua.

Terá sido o Padre António de Seixas, o responsável pela construção, em 1720, de um tanque para banhos... numa casa que outrora foi capela.
«Abaixo da capela de S. Lourenço, ao fim de uma eminência sumamente áspera e fragosa, descendo para o rio Tua há uma origem de água termal sulfúrea dentro de uma casa como água mãe[..]

É água bem diáfana de cor um tanto alvacenta, o cheiro e sabor próprio das sulfúreas[..]
Distante dois tiros de bala para Norte desta fonte no meio de um silvado há uma outra pequena nascente em tudo e por tudo da mesma natureza da primeira[..]»

sábado, novembro 14, 2009

Amanhecer CXCIV



«O amor é condição sine qua non para tudo.»

Um pensamento "esquisito" de Fernão Capelo Gaivota...
o tal pássaro que se tornou um solitário, não só pelo seu modo de ser, mas também em razão de ter sido expulso do seu Bando, por causa das suas ideias inovadoras...

quinta-feira, novembro 12, 2009

Ora toma


...e vai-te curar

O que diz o povo e com razão:
«Não há mal que sempre dure,
Nem há bem que não acabe!»
Isso, pazinho, a gente já sabe.
«Só que, já não há quem ature
Essa tua mania da depressão!»

quarta-feira, novembro 11, 2009

Desaperto


Des Apertos

Há dias difíceis de suportar
E noites lixadas para dormir
Em que só me apetece fugir
Deste mundo p’ra outro lugar.

Mas todo o mal terá um fim
Qualquer dia, qualquer hora
Será expulso daqui p’ra fora
Acaba por s’esquecer de mim.

terça-feira, novembro 10, 2009

a Fonte 453



Meio escondida num páteo de Alfama,
ali mesmo por baixo das Portas do Sol
esta fonte que não sei como se chama,
é mais uma para as contas do meu rol.

segunda-feira, novembro 09, 2009

Fuligem (2)


La suie

Sur la terre tombe un voile
Et augmente l'obscurité
Qui envahit le bleu du ciel
Comme la suie de charbon.


..et voilà!

domingo, novembro 08, 2009

Fuligem (1)


A Fuligem

Sobre a terra cai um véu
E avoluma-se a escuridão
Que invade o azul do céu
Como a fuligem de carvão


(Tenho andado a ver se descubro quem escreveu isto...)

Não me lembro quem escreveu.
Acho que foi um poeta francês
Que foi traduzido para português.
Seja lá quem for... não fui eu.

sábado, novembro 07, 2009

Amanhecer CXCIII


Acordei com uma vontade de dizer algumas coisas que me vão na alma.
Escrever a descrever coisas tristes, pensamentos estranhos, sentimentos sem explicação, que me assolam a consciência e não só, até invadem os meus sonhos.
Cheguei-me à varanda e esta vista do rio do esquecimento, faz-me esquecer o que tinha para dizer.

O esquecimento tomou conta dos meus dias - ontem, hoje, amanhã... que importa, isso tudo é para esquecer!

sexta-feira, novembro 06, 2009

a Fonte 452


Águas de Favaios (3)
Um fontanário em cada esquina.
Às tantas, dei comigo a perguntar:

- O que será mais abundante nesta Vila? O Vinho Moscatel ou a Água?

quinta-feira, novembro 05, 2009

O Absurdo


[..grande parte da nossa vida é construída sobre a esperança do amanhã,
do amanhã que nos aproxima da morte - cada dia a mais que se vive é um dia a menos para o fim - as pessoas vivem como se não tivessem a certeza do resultado da última batalha..]
Sísifo, o herói absurdo, que vive a vida ao máximo, odeia a morte e é condenado a uma tarefa sem sentido. Não obstante, reconhecendo a falta de sentido, ele continua executando a sua tarefa diária.
Será esta a metáfora da vida moderna dos trabalhadores nos seus empregos fúteis em fábricas e escritórios..?
«O operário que trabalha todos os dias da sua vida, executando as mesmas tarefas; um destino não menos absurdo que o de Sísifo; e trágico, nos raros momentos em que se toma consciência da realidade.»
(Albert Camus)


quarta-feira, novembro 04, 2009

dia-a-dia


SÍSIFO

Rompe a manhã, senil, semeada de escombros.
Perde-se o meio-dia entre nimbos. Escura,
pende a tarde, sabendo a cinza e sepultura.
O poeta carrega a noite sobre os ombros.

(Anderson Braga Horta)

segunda-feira, novembro 02, 2009

a ver navios 87



Esse outro eu que havia em mim,
Era como um barco vogando
No mar sem tempo, sem fim,
Ao sabor da brisa, vento brando.

Amanhecer DLVIII

COVILHÃ Correndo pelo vale do alto Zêzere Já chegámos? O quê! Ainda não? Então vou dormir mais um bocadinho...