sábado, dezembro 26, 2009

Amanhecer CC


O último amanhecer das férias de Inverno 2009.
A noite foi de temporal no Mar.
O Vento que soprou forte de Nordeste arrastou para a praia muitas Caravelas Portuguesas.
Dezenas delas, jazem na areia misturadas com restos de Algas mortas e pequenos pedaços de Coral.
Com os seus tons de azul forte, destacam-se na areia quase branca, mas são praticamente invisíveis na água do mar.

Quase todas (como a desta foto) têm a bolsa flutuante ainda repleta de ar. Estão semi-mortas, mas não são completamente inofensivas.
O veneno dos finos tentáculos, agora meio embrulhados e partidos, deste bicharoco não é para brincadeiras - hoje não há banho de mar para ninguém.

E com este, acabaram-se os Sábados de 2009.
P'ra este ano, já não temos mais. Gastámos todos.
P'ró ano, logo se vê, pode ser que se arranje mais..?

sábado, dezembro 19, 2009

Amanhecer CXCIX


Visto daqui, da falésia das Azenhas-do-Mar,
percebemos que se trata de um belo pôr do sol - um anoitecer.

Visto do outro lado, do lado de lá do mar,
a esta mesma hora, acontece o nascer do sol - um amanhecer.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Concentrado


Só!
Consciência centrada nas emoções interiores.
Os pensamentos rodopiando em torno de si mesmo.
Sentimentos ocupados no gozo perfeito da passagem do tempo.
O tempo que roda sem parar.
Nas rodas do tempo.
Fora do tempo.
Preso no íntimo do ser.
Isolado no âmago da alma.
Cercado de emoções agrestes.

sábado, dezembro 12, 2009

Amanhecer CXCVIII


Igreja do Mosteiro dos Jerónimos

Uma manhã de Sábado com Sol, que está de volta aos céus de Lisboa, ideal para um pequeno passeio pelas riquezas de nossa história para abrir o apetite ao almoço.
Um almoço tipicamente lisboeta (pataniscas de bacalhau com arroz de grelos) numa tasquinha muito perto do Palácio onde mora o Presidente da República Portuguesa.

sexta-feira, dezembro 11, 2009

a Fonte 463


Figueiró dos Vinhos
"Fonte das Freiras"
Na lápide está a data de 1692, mas dizem que a fonte tem origens mais remotas, porque servia para abastecer de água um Convento que aqui existiu desde muito antes do sec. XVII.
A fonte resistiu à passagem do tempo, mas o convento desapareceu, talvez porque as religiosas já não conseguiam lavar tantos pecados na água da fonte.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

quarta-feira, dezembro 09, 2009

o costume


Hoje, como ontem, não me apetece escrever...
E a coisa, isto é o "post" do dia, devia ficar por aqui. Juntava-lhe a habitual fotografia (como sempre, ou quase sempre, original), publicava a mensagem e... «pimba, está feito por hoje, adeus, amanhã há mais, ou logo se vê...»
Apesar disso, como é costme, aqui estou eu, empenhado em acrescentar mais qualquer coisita.
Tinha que ser, pois é muito difícil passar um dia ou dois sem pensar num texto, um tema, um poema, para acompanhar a imagem de uma Fonte ou de um Navio ou de uma Treta qualquer que eu, nestes momentos, acho que ilustra uma ideia, ou fica bem com alguma frase mais ou menos filosófica, ou poética.
Ah! Palavras... pois, pois, já sabemos, palavras, leva-as o vento, mas como disse outro inspirado, não há machado que corte a raiz ao pensamento.
É por isso que, é raro o dia em que eu consigo pôr de lado este vício da composição e publicação de um "post" no vosso Blog do Fotociclista.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

a Fonte 462



Por detrás desta fonte passa a Vala do Carregado.
A 28 de Maio de 1855 inaugurou-se a carreira diária da Mala-Posta entre o Carregado e Coimbra.
Os passageiros e o correio saíam de Lisboa numa barca da Companhia de Barcos e Vapores do Tejo, seguiam até ao cais da Vala do Carregado, donde partia a diligência (de 6 lugares, puxada por 4 cavalos) ao meio dia.
À mesma hora saía de Coimbra uma outra diligência que chegava à estação da Vala do Carregado pelas 11 horas da noite.
Em 1859 (há 150 anos) esta carreira alargou o seu trajecto e passou a ligar Lisboa ao Porto.


domingo, dezembro 06, 2009

Indiferente


Tenho andado assim como o nosso gato,
aqui meio escondido, debaixo da mesa,
com os olhos e ouvidos abertos,
mas
indiferentes ao que se passa à nossa volta.

Uma explicação, uma razão... haverá concerteza, não uma mas várias. Arranja-se sempre uma causa, um motivo primário ou remoto, para justificar todo e qualquer estado de espírito dos humanos e também (a Psicologia é uma ciência do "caraças") dos outros animais.
No meu "caso", não me apetece (grande calão) dar muitas explicações. Que eu as tenho, é verdade sim, tenho feito muita introspecção nos últimos anos, mas para quê..? Não vou dizer.

sábado, dezembro 05, 2009

Amanhecer CXCVII


Hoje, ao subir o Chiado, parei um bocadinho a admirar este pequeno jardim.
Enquanto isso pensava,
«não tem conto as vezes que passei por aqui e naturalmente que o meu olhar passou por esta loja, mas sem a ver, isto é, sem prestar atenção, de tal modo que me parece hoje que nunca a tinha visto antes».

quinta-feira, dezembro 03, 2009

a Fonte 461


Vila Nova da Rainha
Está em obras de reparação, esta espécie de fonte.
Bem que podiam aproveitar o ensejo e fazer com que esta coisa ficasse menos parecida com um urinol público.
Quando aqui cheguei, sequioso, após uma caminhada de três horas pelas estradas dos campos da Azambuja, perdi a vontade de beber água.
Felizmente, logo ali a 50 metros, do outro lado da estrada nacional (que aqui não é aconselhável atravessar*) construiram um excelente local de descanso, um parque de merendas com um belíssimo chafariz.

(*)
Para isso convém utilizar a passagem subterrânea encostada à Ribeira da Ota que aqui passa paralela à Ribeira de Alenquer, por baixo da EN10.

quarta-feira, dezembro 02, 2009

a ver navios 90

Agora temos outro sítio para ver navios.

É um sítio "porreiro" na Internet;
Chama-se "O NÁUTICO" o novo sítio;
Responsável e autor:
Rui Salvador, um marinheiro "Blogador" da Porcalhota.

terça-feira, dezembro 01, 2009

a Fonte 460


Arcos-de-Valdevez

O painel de azulejos do sec. XVIII não tem nada que ver com a Restauração de 1640, mas fica bem aqui para lembrar o acontecimento histórico: "o fim de 60 anos de domínio dos Reis (Dinastia dos Filipes) de Espanha sobre Portugal".
Antigamente era costume comemorar em Portugal este dia 1º de Dezembro.
Depois do 25 de Abril de 1974, as celebrações foram perdendo importância de tal modo que, hoje, para a maior parte da juventude, este dia não tem significado - é um feriado nacional e... pronto.

segunda-feira, novembro 30, 2009

penso que sinto


Às vezes penso...
penso naquilo que sinto e duvido:
- será que vale a pena pensar nisso?
Às vezes sinto...
sinto que duvido daquilo que penso:
- será que vale a pena sentir pena?
penso que sinto...
porque não minto, isso é verdade:
- mas não sei o quê, nem porquê?

domingo, novembro 29, 2009

sábado, novembro 28, 2009

Amanhecer CXCVI


por vezes o amanhecer não parece,
não parece ser... um amanhecer;
outras vezes não apetece,
não nos apetece... amanhecer;
o amanhecer de hoje
mais parece o entardecer;
há uma lua cheia a subir ao céu,
por entre os ramos das árvores;
ramos frios, despidos da folhagem,
sem os tons quentes de Outono;
para um dia assim, como este,
não apetece acordar.

sexta-feira, novembro 27, 2009

de tarde


Fim de dia,
vou descendo escadinhas abaixo,
desde as Portas do Sol, por Alfama adentro.
Olha só, ali,
na nesga de vista, por entre as esquinas desta viela,
lá ao fundo, a Igreja de St. Estêvão.
Não digas nada,
nem é preciso falar para dizer o que se sente aqui
Tranquilidade - andando pela cidade antiga
Liberdade - na cidade amiga.
No entardecer,
vou deixar esta Lisboa, vou amanhecer para outras paragens,
longe daqui, ao pé do mar, onde vou lembrar:
«Sempre Lisboa e o Mar».

quinta-feira, novembro 26, 2009

a Fonte 458



Que nunca se acabe a água fresca e límpida, na nascente que alimenta as bicas deste fontanário tipicamente barroco ao lado da igreja do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, em Lamego.
Todo o Santuário, a escadaria de 686 degraus com os diversos patamares, a igreja e lugares de repouso e romaria, começou a ser construído em 1750, para ser terminado em 1905.
Mais uma obra de Santa Engrácia?

quarta-feira, novembro 25, 2009

a ver navios 89



«[..] Fôra um dia d'Inverno suave e luminoso, as duas janellas estavam ainda abertas. Sobre o rio, no céu largo, a tarde morria, sem uma aragem, n'uma paz elysea, com nuvensinhas muito altas, paradas, tocadas de côr de rosa; as terras, os longes da outra banda já se iam
affogando n'um vapor avelludado, do tom de violeta; a agoa jazia liza e luzidia como uma bela chapa d'aço novo; e aqui e alem, pelo vasto ancoradouro, grossos navios de carga, longos paquetes estrangeiros, dois couraçados inglezes, dormiam, com as mastreações immoveis, como tomados de preguiça, cedendo ao affago do clima doce..[..]»


(Eça de Queirós)

Finalmente - também já não era sem tempo - andei a ler uns bocadinhos de "Os Maias".

terça-feira, novembro 24, 2009

a Fonte 457


Para quebrar o tédio,
outra fonte, toma lá!
O que não tem remédio,
remediado está!


Eu até subi ao Santuário de Nossa Senhora dos Remédios,
mas não achei o remédio para curar esta minha mania
de fotografar as Fontes, só para publicar aqui.

segunda-feira, novembro 23, 2009

no canto



Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, nem bebia,
nem falava com ninguém.
Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos á boca
e viesse o que viesse.


(António Gedeão)

domingo, novembro 22, 2009

dias iguais



Dizem, "os dias passam iguais
Aos dias que vão distantes."
Ah não, nada será como dantes,
Pois a paixão não volta mais.

sábado, novembro 21, 2009

Amanhecer CXCV


Uma imagem... nada de especial;
não tem grande beleza, nem nada que se pareça;
um espelho de azul claro, reflexo do céu das Azenhas do Mar
um apelo à serenidade, uma proposta de paz;
uma paragem no tempo, uma miragem no Inverno geral;
e simultaneamente é uma tentação:
- apetece fazer alguma coisa para quebrar a monotonia do reflexo;
- lançar uma pedra para quebrar a perfeição daquela superfície...

quinta-feira, novembro 19, 2009

a Fonte 456


..e ao lado da Igreja Matriz da Azambuja, o caminhante, o turista, encontra este fontanário que tem um letreiro bem diferente do já costumeiro ("ÁGUA IMPRÓPRIA... ETC.").
Este diz assim:

AVISO
Ao abrigo do Artigo 100º
do Regulamento Municipal
de Abastecimento de Água
SERÁ PUNIDO COM COIMA
de - 75,00 a 1.250,00 - (*)
quem utilizar água dos fontanários para fins
diferentes do uso exclusivamente doméstico.

Ora gaita!
Estava mesmo a precisar de beber água e apetecia-me lavar a cara para tirar o pó do caminho, mas não vou arriscar-me a pagar uma multa do caraças (* suponho que sejam €uros).
Ah, pois!
Segundo o aviso, só posso usar esta água para beber ou lavar as mãos se a levar para casa!

quarta-feira, novembro 18, 2009

Hora Bolas


A hora certa - hora solar - está neste relógio, à entrada da Azambuja, desde 1844, que é a data inscrita no pilar que suporta a esfera.

Ao "palmilhar" os caminhos de Portugal, encontrei outros relógios iguais a este, na estrada que liga Lisboa a Santarém.
Não sei, mas imagino que tenham sido colocados ao longo da principal Estrada Nacional (neste caso seria a N.VIII..?) para que os viajantes de antanho soubessem sempre a hora do dia, talvez para assim poderem calcular a velocidade da sua deslocação e quiçá fazer uma estimativa da hora prevista para chegar a um qualquer destino...

terça-feira, novembro 17, 2009

a Fonte 455


Vila Nova da Rainha
Por baixo das duas pontes desta terra, correm paralelas, as ribeiras Ota e Alenquer, que logo ali se juntam numa só para desaguar no Tejo.
Neste lugar de merendas não falta nada:
tem chafariz com àgua para beber, lava-loiças, mesa, bancos, grelhador, grelha, lenha e tudo o mais para o turista que só precisa de levar os comes e bebes, acender o lume e... "toca a andar".

segunda-feira, novembro 16, 2009

a ver navios 88



Fado de Vila Franca

Com o Colete Encarnado
Jaqueta e meia branca
Campinos toiros e fado
Esperas de gado em Vila Franca.

Oh terras do Ribatejo
Cheias de sol e alegria.
Oh gente sem ambições
Que dá lições de valentia.

Oh terras de Vila Franca
Onde tanta e tanta vez
Sem temer uma colhida
Se arrisca a vida com altivez!


Voltei ao velho cais do Jardim de Vila Franca de Xira.
Fiquei ali sentado a olhar os barcos no Tejo e a recordar os momentos de grande agitação, de intensa euforia, (de "adrenalina", como se diz hoje) das "largadas" nos dias da festa do Colete Encarnado.
«Uma ou duas vezes, pendurado na portada de uma janela ou escarranchado num poste de iluminação pública, escapei à justa, de levar uma marrada, ou uma cornada.»
Enquanto revivia mentalmente aquelas antigas imagens e emoções, veio-me à memória um fado. Velho, talvez tão velho quanto eu...
Trauteei a música - ainda me lembro bem - mas a letra (saquei da Net) só me lembrava da última estrofe.

domingo, novembro 15, 2009

a Fonte 454



Caldas de S. Lourenço
Na margem esquerda do rio Tua, a meia encosta da vertente do vale sobre o rio, a 3 Km da sede de freguesia de Pombal, junto à estação de (S. Lourenço) caminho-de-ferro da linha do Tua.

Terá sido o Padre António de Seixas, o responsável pela construção, em 1720, de um tanque para banhos... numa casa que outrora foi capela.
«Abaixo da capela de S. Lourenço, ao fim de uma eminência sumamente áspera e fragosa, descendo para o rio Tua há uma origem de água termal sulfúrea dentro de uma casa como água mãe[..]

É água bem diáfana de cor um tanto alvacenta, o cheiro e sabor próprio das sulfúreas[..]
Distante dois tiros de bala para Norte desta fonte no meio de um silvado há uma outra pequena nascente em tudo e por tudo da mesma natureza da primeira[..]»

sábado, novembro 14, 2009

Amanhecer CXCIV



«O amor é condição sine qua non para tudo.»

Um pensamento "esquisito" de Fernão Capelo Gaivota...
o tal pássaro que se tornou um solitário, não só pelo seu modo de ser, mas também em razão de ter sido expulso do seu Bando, por causa das suas ideias inovadoras...

quinta-feira, novembro 12, 2009

Ora toma


...e vai-te curar

O que diz o povo e com razão:
«Não há mal que sempre dure,
Nem há bem que não acabe!»
Isso, pazinho, a gente já sabe.
«Só que, já não há quem ature
Essa tua mania da depressão!»

quarta-feira, novembro 11, 2009

Desaperto


Des Apertos

Há dias difíceis de suportar
E noites lixadas para dormir
Em que só me apetece fugir
Deste mundo p’ra outro lugar.

Mas todo o mal terá um fim
Qualquer dia, qualquer hora
Será expulso daqui p’ra fora
Acaba por s’esquecer de mim.

terça-feira, novembro 10, 2009

a Fonte 453



Meio escondida num páteo de Alfama,
ali mesmo por baixo das Portas do Sol
esta fonte que não sei como se chama,
é mais uma para as contas do meu rol.

segunda-feira, novembro 09, 2009

Fuligem (2)


La suie

Sur la terre tombe un voile
Et augmente l'obscurité
Qui envahit le bleu du ciel
Comme la suie de charbon.


..et voilà!

domingo, novembro 08, 2009

Fuligem (1)


A Fuligem

Sobre a terra cai um véu
E avoluma-se a escuridão
Que invade o azul do céu
Como a fuligem de carvão


(Tenho andado a ver se descubro quem escreveu isto...)

Não me lembro quem escreveu.
Acho que foi um poeta francês
Que foi traduzido para português.
Seja lá quem for... não fui eu.

sábado, novembro 07, 2009

Amanhecer CXCIII


Acordei com uma vontade de dizer algumas coisas que me vão na alma.
Escrever a descrever coisas tristes, pensamentos estranhos, sentimentos sem explicação, que me assolam a consciência e não só, até invadem os meus sonhos.
Cheguei-me à varanda e esta vista do rio do esquecimento, faz-me esquecer o que tinha para dizer.

O esquecimento tomou conta dos meus dias - ontem, hoje, amanhã... que importa, isso tudo é para esquecer!

sexta-feira, novembro 06, 2009

a Fonte 452


Águas de Favaios (3)
Um fontanário em cada esquina.
Às tantas, dei comigo a perguntar:

- O que será mais abundante nesta Vila? O Vinho Moscatel ou a Água?

quinta-feira, novembro 05, 2009

O Absurdo


[..grande parte da nossa vida é construída sobre a esperança do amanhã,
do amanhã que nos aproxima da morte - cada dia a mais que se vive é um dia a menos para o fim - as pessoas vivem como se não tivessem a certeza do resultado da última batalha..]
Sísifo, o herói absurdo, que vive a vida ao máximo, odeia a morte e é condenado a uma tarefa sem sentido. Não obstante, reconhecendo a falta de sentido, ele continua executando a sua tarefa diária.
Será esta a metáfora da vida moderna dos trabalhadores nos seus empregos fúteis em fábricas e escritórios..?
«O operário que trabalha todos os dias da sua vida, executando as mesmas tarefas; um destino não menos absurdo que o de Sísifo; e trágico, nos raros momentos em que se toma consciência da realidade.»
(Albert Camus)


quarta-feira, novembro 04, 2009

dia-a-dia


SÍSIFO

Rompe a manhã, senil, semeada de escombros.
Perde-se o meio-dia entre nimbos. Escura,
pende a tarde, sabendo a cinza e sepultura.
O poeta carrega a noite sobre os ombros.

(Anderson Braga Horta)

segunda-feira, novembro 02, 2009

a ver navios 87



Esse outro eu que havia em mim,
Era como um barco vogando
No mar sem tempo, sem fim,
Ao sabor da brisa, vento brando.

sábado, outubro 31, 2009

Amanhecer CXCII


09:00 H - o Sol ultrapassou a silhueta da serra e brilha no Céu azul claro;
10:00 H - as Nuvens avolumam-se lá longe no horizonte sobre o Mar;
11:00 H - no último dia de Verão deste ano, os sinais do tempo prometem Chuva para breve;

«AMANHÃ - o tempo vai ser outro!» diz o ti Acácio, velho migrante Alentejano, que cuida da sua horta na Várzea de Colares.

quinta-feira, outubro 29, 2009

a Fonte 449


S. Domingos de Rana, Carcavelos
Nada de especial para dizer sobre este chafariz, a não ser que fica pertinho da melhor tasquinha (de peixe fresco) da Costa do Estoril.
Para quem gosta de saborear a bela da Sardinha Assada na brasa, ou uma mista de Peixe Frito com Açorda ou Arroz de Tomate malandrinho... e por aí adiante, tudo bem regado com a Sangria feita na hora - é na "Casa do Mar"!
Por falar nisso, deixa-me ir andando, que são quase horas do almoço...

quarta-feira, outubro 28, 2009

a ver navios 86



Só isso; mais nada;
estou apenas a ver;
olhar deitado sobre o mar;
pensamentos enterrados;
nada mais se passa;
tudo vai na volta da maré;
não penso no que penso;
...
não penso mesmo;
deixo fugir as ideias;
vejo-as passar à frente;
vão deitar-se na areia;
de mistura com o sal;
átomos da vida.

terça-feira, outubro 27, 2009

a Fonte 448



"QUEEN VICTORIA"
O mais recente navio de cruzeiros da Cunard Lines, tem
  • 294 metros de Comprimento e 32,3 metros de Largura;
  • Uma data de Piscinas, Ginásio, Spa e Sauna;
  • Um monte de Bares e Restaurantes;
  • Uns quantos Salões de Baile e Discoteca;
  • Sala de Teatro e Cinema, Galeria de Arte, Biblioteca e Internet Centre;
  • Um Casino, muitas Lojas e Butiques;
  • para gaudio permanente dos 2.014 Passageiros, instalados em 1.007 Cabines (718 com varanda);
  • todo o serviço é aassegurado por 900 Tripulantes.
Isto faz-me saudades do meu cruzeiro de 10 dias de mar, a bordo do único sobrevivente da frota de transatlânticos de bandeira portuguesa,
o "PAQUETE FUNCHAL"
  • nos seus 154 metros de comprimento (apenas metade do Queen Victoria)
  • tem 241 Camarotes para arrumar 600 passageiros (nem sequer chegavam para alojar os 900 Tripulantes do "Grandalhão") 
  • mas também tem dois restaurantes, dois bares, uma piscin(inh)a, sauna, salão de baile, sala de jogos, biblioteca e sala polivalente (casino / igreja).

O Vazio



O tédio é, nem mais nem menos que, o sentimento do vazio da existência.
Se a vida – desejo primário do nosso ser - possuísse qualquer valor real e positivo, o tédio não existiria:
«a própria existência em si nos satisfaria, e não desejaríamos mais nada».
Escreveu Schopenhauer em "O Vazio da Existência".

Mas a nossa existência não é uma coisa agradável a não ser que estejamos em busca de algo; então a distância e os obstáculos a serem superados representam a nossa meta como algo que nos irá satisfazer – uma ilusão que desvanece assim que o objetivo é atingido.
Mesmo o prazer sensual em si não significa nada além de um esforço contínuo, o qual cessa tão logo quanto o seu objetivo é alcançado.

Assim, sempre que não estivermos ocupados em algum destes modos, mas apenas entregues ao acto da mera existência em si, somos confrontados com o vazio e futilidade da vida - isso é o que denominamos tédio.

«O nosso inato e inextirpável anseio pelo que é incomum demonstra quão ávidos e gratos somos pela interrupção do entediante curso natural das coisas.»

segunda-feira, outubro 26, 2009

a Fonte 447


Bombarral
"Quinta dos Loridos"
Para a grande quantidade de pacóvios(*) que aqui arribam às carradas, em autocarros de excursão, em automóveis famíliares, todos os fins-de-semana (e também durante os outros dias da semana, quando faz bom tempo) num corropio diário - para esses, esta é a "Quinta dos Doridos".
Doridos, das pernas e doridos dos pés, de tanto caminhar, deambulando por entre as impressionantes esculturas semeadas ao longo de muitas centenas de metros, que compõem as alamedas da mais falada propriedade rural do Berardo.
Doridos dos olhos de tanto fitar o ecran da câmara digital, para enquadrar as imagens a captar; os dedos doridos de tanto carregar nos botões das máquinas de fotografia e vídeo.
Os maxilares doridos de tanto abrir a boca de espanto, de admiração, perante a enormidade de obras de arte Oriental, que o espertalhão do Joe para aqui mandou acartar.

(*)
Pacóvios, como eu, que já passei por lá duas vezes e só não entrei porque achei que havia ajuntamento a mais para o meu gosto.
Hei-de voltar - às três é de vez - quanto mais não seja para comprar umas garrafas de vinho da produção local, que não é nada má.

domingo, outubro 25, 2009

o Padre Eterno


[..]
E, arremessando a Bíblia, o velho abade
Murmurou:
"Há mais fé e há mais verdade,
Há mais Deus concerteza
Nos cardos secos dum rochedo nu
Que nessa Bíblia antiga… Ó Natureza,
A única Bíblia verdadeira és tu!..."

Como se pode ver (ler) na literatura em Português, não é nenhuma novidade questionar os Dogmas da Fé Católica como fez recentemente Saramago.
Nem sequer é um caso único, este outro de há já 100 anos, em tempos infinitamente menos liberais do que hoje, quando Guerra Junqueiro teve coragem de escrever "A Velhice do Padre Eterno".

sábado, outubro 24, 2009

Amanhecer CXCI


[..]
Numa manhã ao passear
Vi uma abelha numa flor
E ao sentir que me olhou
Com os seus olhitos de cor

E esta abelha era a nossa amiga Maia
Fresca, bela, doce Abelha Maia
Maia voa sem parar
No seu mundo sem maldade

quinta-feira, outubro 22, 2009

a Fonte 446

Correlhã (aldeia na margem do Lima)


Água fria que o sol aqueceu,
Velha aldeia..
[..]

Três corpetes, um avental,
Sete fronhas, um lençol,
Três camisas do enxoval,
Que a freguesa deu ao rol.

Um lençol de pano cru,
Vê lá bem tão lavadinho,
Dormindo nele, eu e tu,
Vê lá bem, está cor de linho.

Amanhecer DLII

Museu dos Terceiros (Ponte de Lima) Um museu de Arte Sacra do norte do País, instalado no extinto Convento de Santo António dos Capuchos...