quinta-feira, fevereiro 02, 2006

a bordo


Lá vou eu a bordo do Marvila
a "fazer-me ao mar", como
dizem os avieiros do Tejo.
Este rio que a gente vê hoje
manhã de neblina levantada
tem ondas, fundões, areeiros,
baixios, correntes e agueiros.

Tem dias pintados de cinzento
céu tombado sobre as águas
que parecem mortas, paradas,
porquando não se vê água nem ar.
E o tempo pára, a vida espera,
no espelho de água e nevoeiro
moldado nas curvas da falua
onde morava aquele pescador.

A mulher aconchegou o toldo,
lona e canas, para tapar o lume
e aquecer a panela com a janta.
Dentro daquele pequeno barco
amarrado no tronco do salgueiro
a meio da Vala de Salvaterra
abrigado do corropio das ondas
empurradas pela maré enchente
salpicadas de vento do fim de tarde.

A brisa que vem do mar, sobe o rio
carrega o sal, o iodo, a humidade cresce
na subida rápida sem obstáculos.
Um rio como o Tejo, enquanto livre,
plano, sem barragens, tempera a terra.
É sistema de ar condicionado do interior,
frescura e humidade no estiolar do campo.
Aporta o ar menos frio ao inverno da lezíria
e na mistura das águas cresce mais vida.

E a vida, costumava dizer a minha Mãe:
- A vida é mais curta que comprida!!!

(recordações soltas de um Diário de Bordo, nunca escrito,
em 5 dias de navegação desorientada de Vila Franca a Santarém e volta)

1 comentário:

Anónimo disse...

Pois cá a Maria já tem mais dias de navegação do que o menino, da primeira vez 21 dias e da segunda 8,gostei muito e não queria morrer sem fazer pelo menos mais uma,falta-me as Ilhas Gregas,Holanda,França,é melhor do que andar de avião e não é preciso andar com a tralha às costas.Também já fui a Veneza,que foi das coisas mais bonitas que já vi, mas, gostava de visitar as ilhas todas de barco.Chau e boa viagem.É verdade também me falta a viagem no barco do amor,mas isso só quando já estivar muito caduca.

Amanhecer DLVIII

COVILHÃ Correndo pelo vale do alto Zêzere Já chegámos? O quê! Ainda não? Então vou dormir mais um bocadinho...