domingo, junho 18, 2006

no sexto dia


(Sábado, 17 de Junho de 2006)

Ansiosamente, forçosamente, o regresso.
A chuva é intensa, muito forte, a trovoada acompanha.
É tempo de sair daqui, vamos embora, o tempo já não está connosco.
Vou escrevendo e ouvindo "Os quadros de uma exposição" penso que de Mussorgski.
Escorraçado depois de desprezado e depois de ignorado.

Ser ignorado pode ser, por vezes irritante e desencadear uma viva manifestação de protesto, que no fundo tem como objectivo apenas "dar nas vistas" pois muitas vezes já não é possível reparar a situação descriminatória que provocou o sentimento de inferioridade.
Quero desenvolver melhor o meu complexo de inferioridade.

  1. sou transparente - ser inexplicavelmente ignorado pelo empregado(a) do balcão da cafetaria quando quero fazer um pedido;
  2. sou uma sombra - o empregado de balcão, engana-se invariavelmente, entregando sempre a outro cliente ao lado, o café que eu tinha pedido;
  3. escolhi a mesa errada - pedir um serviço à mesa do restaurante e ficar a ver o cliente da mesa do lado ser atendido em primeiro lugar;
  4. pedi a comida errada - o prato do dia, que eu encomendei, só chega depois de todas as outras mesas em redor de mim estarem servidas;
  5. com azar até na sorte - no Casino, carrego no botão para recolher o prémio da Máquina onde estava a jogar. O entregador dos prémios, dá prioridade ao meu vizinho do lado esquerdo (que chamou depois de mim), depois passa para o vizinho do meu lado direito (que foi o último a chamar) e finalmente, eu. Mas só depois de eu ter feito alguns gestos, assim como que a dizer, então e EU não estou cá, não tenho direito a nada?
  6. a sorte de novo no azar - e que tal esta cena invariavelmente repetida ao longo de uma noite? É bom sinal, quer dizer que tive muitos prémios na noite de jogo e no final já nem me ralava com a descriminação negativa - que se lixem todos - de tal modo que quando me vieram entregar um prémio, passado apenas um minuto após eu ter chamado, apanhei um susto.
  7. e a senda continua - outras vezes, muitas vezes... há mais coisas, mas agora só mais esta, retirada de um texto do Blog do Pessoal, num convite para jantar: "Estou a contar com - Eu, tu, Rui, Pantas, Bruno, Júlio, Marcelo, Xico, Nelson, Carlos e Zé Maria... jantar amanhã, 5ª feira, numa tasca perto daqui." ORA AGORA, ADIVINHEM LÁ QUEM É QUE É O tu?!!

Um complexo de superioridade é o normal reflexo de quem se sente socialmente descriminado, quer seja negativa ou positivamente.

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