terça-feira, outubro 17, 2006

a Fonte 20



(Alfama - Lisboa)

Fonte do Poeta

Nesta fonte que fala na surdina
De qualquer coisa que eu não sei
Matei agora mesmo a minha sede
E sentei-me ao pé dela a descançar

Não havia no ar mais do que a luz
finíssima da tarde num adeus...
Uma luz moribunda e solitária
A despedir-se frágil pelos ceus.

E à medida que a luz se diluía
Nas sombras que nasciam lentamente
A fonte no silêncio mais se ouvia
Mais límpida, mais pura e mais presente...

Anoiteceu. Ninguém só a voz dela
Só essa voz... ao longe num desmaio.
O timbre vivo e pálido de um grito.
Levantei-me, deixei-a tristemente
Acendeu-se uma estrela no infinito.

António Botto

1 comentário:

cristina disse...

O bonita poèma, com uma estrela apr me accompagnar durante a dia!

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