quinta-feira, maio 31, 2007

Papoilas


Estou sonolento, um bocado tonto;

sinto as pálpebras pesadas, os olhos cansados;

não dá para "postar" mais nada, a vontade está em baixo;

estranho, não bebi nada de mais nem tomei nenhuma droga extra;

mas, não sei... só me apetece desligar, passar ao estado inconsciente... dormir.

papoilas, os campos em meu redor estão pejados de papoilas, será que me estão a afectar?

a Fonte 109


Na Estrada de Monserrate - Sintra
Fonte da Penha Verde

ESTA FONTE DENOMINADA DE EL REY
HE DO SENHOR DESTA QUINTA:
MANDOUA FAZER A CAMARA DA VILLA
DE CINTRA EM RECOMPENÇA DE OUTRA
DE BOA E ANTIGA ARQUITECTURA
QUE TINHA POUCO MAIS ABAIXO
QUE SE DEMOLIO QUANDO
SE MUDOU ESTA ESTRADA.

Não tem data.

la chanson


Lisboa

Lisboa je pars
Sans but, au loin et au hasard
De port en port, de gare en gare
Pour effacer les cris stridents de ma mémoire
Et tenter un nouveau départ
Je pars.

Lisboa je fuis
Vers l'incertain, vers l'infini
Vers des ailleurs chercher l'oubli
Comme un fuyard traqué, comme un proscrit.
J'ai gâché l'amour et détruit
Ma vie.


(Charles Aznavour, 2003)

quarta-feira, maio 30, 2007

Flor esta 2


Poema da Buganvília

Algum dia o poema será a buganvília
pendente deste muro da Calçada da Graça.
Produz uma semente que faz esquecer os jornais, o emprego e a família,
e além disso tudo atapeta o passeio alegrando quem passa.

Mas antes desse dia há-de secar a buganvília
e o varredor há-de levar as flores secas para o monturo.
Depois cairá o muro.
E como o tempo passa
mesmo contra a vontade,
também há-de acabar a Calçada da Graça
e o resto da cidade.

Então, quando nada restar, nem o pó de um sorriso
que é o mais leve de tudo que se pode supor,
será esse o momento de o poema ser flor,
mas já não é preciso.

(António Gedeão)

Vista daqui 29



Cheira a Lisboa

Um craveiro numa água-furtada
Cheira bem, cheira a Lisboa!
Uma rosa a florir na tapada,
Cheira bem, cheira a Lisboa!
A fragata que se ergue na proa,
A varina que teima em passar,
Cheiram bem porque são de Lisboa,
Lisboa tem cheiro de flores e de mar!

(Carlos Dias)

a Fonte 108


(Mais uma nos caminhos da Serra de Sintra)

Século XVIII, a Fonte de Mata-Alva
Patrocinada por Francis Cook

Inscrição na lápide:

Hunc Fontem
Condidit de nouo
Pro Bono Publico
Francisco
Uisconde de Monserrate
ad 1875

terça-feira, maio 29, 2007

Flor esta



Da rosa pode ter a cor
E mais os seus espinhos
Fortes, afiados e compridos
Quando picam, ui que dor
Toca a chupar o dedinhos
E tomar uns comprimidos.

Como esta do meu quintal
Que sobe por todo o lado

Cresce de qualquer maneira
Não cheira bem nem mal
Nem precisa muito cuidado

A famosa vulgar trepadeira.

O seu nome Buganvília
Que não significa nada
Era o nome de família
de Antoine Bougainville
que a trouxe importada
p´rá Europa, lá do Brasil.


(Bicho Solitário, Maio, 2007)

Vista daqui 28



Em Lisboa, a minha cidade!
Varandas, vasos com flores;
Craveiros de todas as cores,
Jogos de sombra e claridade.

segunda-feira, maio 28, 2007

a Fonte 107


Temos a história toda; está escrita na lápide do frontão;
Sabugo é o nome desta fonte de Sintra.
A água é muito boa, dizem, desde o sec. XV.
Foi reconstruida duas vezes, antes e depois do Terremoto de 1755.
ESTA OBRA MANDOU FAZER
O SENADO DA CAMERA DESTA VILLA
SENDO PRESIDENTE DELLA O
DOUTOR MATHIAS FRANCO
FERREIRA NO ANNO DE M.DCC.IX.

a Fonte 107A


NO FRONTÃO está escrito assim:


ESTA OBRA MANDOU FAZER O SENADO DA CAMARA DESTA VILA
SENDO PREZIDENTE O DR MARCELINO OZ.. DE.. PO...ES.. VIEIRA
E O PROCURADOR ANTº RIBEIRO DE SEQVEIRA RIBAFRIA
ANNO DE 1757

Vista daqui 27


Deslizo sem pressas
P'las ruas estreitinhas
Os becos e escadinhas,
E as vielas e travessas.

Calçada da Bica Maior,
Largo de Sto. Antoninho.
Na tasca provei o vinho,
Nada mau, podia ser pior.

Deambulando a desoras
Em busca de um passado
Noutro tempo enterrado.
Ah. Não tenho melhoras.

Agora! Ou vai ou racha:
Eu gosto de viver assim
Sempre a fugir de mim.
Isto é conversa de xaxa.


(O Bicho Solitário, 2007)

o Zepelin



GENI E O ZEPELIN

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim

A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo - Mudei de idéia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniqüidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela formosa dama
- Esta noite me servir

Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro


Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos

Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni



("Ópera do Malandro", Chico Buarque)

domingo, maio 27, 2007

sábado, maio 26, 2007

Outra Cascata


(Parque de Monserate, Serra de Sintra)

Estava quase a acabar um poema,
Quando se desligou esta porcaria.
Estou a ficar farto deste esquema,
De escrever ligado a uma bateria.

Na tal poesia que eu tinha feito,
Nem sequer falava sobre mim,
Nem das mágoas do meu peito.
Já sei, era mais ou menos assim:

Pelas negras pedras de basalto,
Que represam as águas do lago,
Escorrem fios de água lá do alto,
Como a teia, tecida por um mago.

("Escrita em dia", OBicho, Maio 2007)

Vista daqui 26


Um espécie de cor-de-rosa vermelho não sei quê, carregado, forte.

Assim é a exuberante Buganvília do meu terrasso, que nesta Primavera,
amarinhou descontroladamente pelas paredes, da minha casa da praia.

Amanhecer LXXVII


Cascata de água fresca em fundo verde intenso.
Esta água que escorre pela vertente noroeste da Serra de Sintra,
vai ao encontro da Ribeira de Colares (Rio das Maçãs) lá mais em baixo, no vale.

sexta-feira, maio 25, 2007

a Fonte 103


Na Ericeira, chamam-lhe a Fonte do Cabo.

É mais antiga c'ó caraças!
Diz-se que foi construída em 1457 - ano em que foi fundada a Capital do Japão - Tokyo.

Simetrias


(Fotociclista nas Minas de Aljustrel, 2006)
____________

"Capicua?"
"Ó Pai, mas que raio de bicho é esse, de que eu nunca ouvi falar?"
Perguntava-me à bocadinho, o Miguel (9 anos), quando eu parei o carro na berma da estrada e lhe disse:
"Bilo, olha aqui, uma capicua!"
Depois, é claro, tive que explicar:


Não é nenhum bicho. Chama-se capicua a um número que apresenta sempre o mesmo valor, lendo-o da esquerda para a direita ou ao invés ().

Olha o conta kilómetros do meu carro. Marca 189.981 kms - isto é uma capicua perfeita, uma simetria completa de 3 pares de algarismos.

Também há frases que apresentam as mesmas propriedades de simetria, na leitura, como por exemplo a expressão brasileira "SUBI NO ONIBUS", mas acho que não se designam capicuas.

Brejeirices


Cantar Brejeiro

Passei de longe para ver se não te via
Se me esquecia do teu doce bamboleio
Mas por má sorte caminhaste para mim
Olhos gulosos e assim
Com o vento a colar teu seio

Amor de verão que foi no tempo das colheitas
E o teu perfume tinha a naturalidade
De quem descansa dos trabalhos e maleitas
Nos derriços mais gostosos de uma breve mocidade

Mas da seara cortada fez-se farinha
Dessa farinha com fermento fiz o pão
Ficou-me ao peito essa trigueira rainha
Que me roubou alegria ao meu canto e coração.

(rifão)

Olha a perninha, a perninha da menina
Olha a perninha, a perninha a dar a dar
Cabeça não tem juízo e a perna é que vai pagar
Cabeça não tem juízo e a perna é que vai pagar.


(Pedro Barroso)

quinta-feira, maio 24, 2007

a Fonte 102


(Ericeira, 1926 - Fonte dos Golfinhos)

Como dizia o povo antigamente:
Quem é filho de peixe, sabe nadar!
E quando vai a favor da corrente,
Nem o pai o consegue agarrar!

Dia 24


(Antigo relógio da Estação de Comboios - Vila da Chança)

Passou o dia vinte e três
E o cheque ainda não veio.
Parece-me que este mês,
Temos atraso no correio!

Estou a ficar preocupado.
Mas, que terá acontecido?
Já sinto que estou lixado,
Quer dizer,"estou fodido"!

E com esta linguagem fixe
Parece que chegou a hora;
Quero que isto tudo se lixe.
Já acabei, vou-me embora!

("Escrita em dia", OBicho, Maio, 2007)

quarta-feira, maio 23, 2007

Senha 30


(São não sei quê, Igreja de S. Roque - Lisboa)

Estou à espera do médico
Numa consulta da "Caixa".
É um problema ortopédico,
Vou pedir um mês de "Baixa".


Tive um acidente de bicicleta;
Caí ao chão, bati com a "tola".
Num ápice fiz uma omeleta,
Com os ovos, dentro da sacola.


Vou pedir à minha vizinha,
Para me aliviar este "stress"
Que me dê uma ajudinha
Para aquilo que me apetece.


Até que enfim, vou embora
Chamaram o número trinta;
Porreiro, foi mesmo na hora,
Esta caneta ficou sem tinta!

("Sr. que se segue!", Maio, 2007)

Paralelas


Duas linhas paralelas
muito paralelamente
iam passando entre estrelas
fazendo o que estava escrito:
caminhando eternamente
de infinito a infinito.

Seguiam-se passo a passo
exactas e sempre a par
pois só num ponto do espaço
que ninguém sabe onde é
se podiam encontrar
falar e tomar café.

Mas farta de andar sozinha
uma delas certo dia
voltou-se para a outra linha
sorriu-lhe e disse-lhe assim:
«Deixa lá a geometria
e anda aqui para o pé de mim...»

Diz a outra: « Nem pensar!
Mas que falta de respeito!
se quisermos lá chegar
temos de ir devagarinho
andando sempre a direito
cada qual no seu caminho!»

(José Fanha, 195X)

terça-feira, maio 22, 2007

a Fonte 101


(Almargem do Bispo, Sintra)
A água nasce no monte
Lá no seio dos pedregais.
Corre por entre matagais,
Da nascente até à fonte.
Passa por baixo da ponte
E mata a sede aos animais.

Bichoman


Mais um super-herói para juntar ao clube.
Superman, Spiderman, Batman e Bichoman.

Ganda treta!
Estou novamente numa fase recessiva.

Sinto-me um tanto apagado; tenho as pilhas fracas; estou com falta de brilho.
Entrei na curva descendente da sinusóide que desenha o meu estado de alma.

Mas, não há problema, a coisa é cíclica - é uma onda com altos e baixos de igual duração e amplitude - umas vezes em baixo, outras tantas em cima.

Vou desligar a imaginação, por uns tempos, para poupar as energias.
Entretanto, fico por aqui pendurado no tecto a recarregar as baterias.
Vamos esperar que isto passe...

segunda-feira, maio 21, 2007

a Fonte 100


No Passeio Marítimo de Oeiras,
ficamos praticamente 100 poder andar de bicicleta.
Vendo bem, a medida (tirando os horários) até é acertada pois é, no mínimo, complicada a circulação simultânea de gente de todas as idades:
  • a caminhar,
  • a marchar,
  • a correr,
  • a trotar,
  • de patins,
  • de "skate",
  • de trotineta,
  • de triciclo,
  • de bicicleta

Acredito, sinceramente que, por vezes se torna um bocado perigoso.
MAS... PORÉM, TODAVIA, CONTUDO, existem alguns... CONTRA!

domingo, maio 20, 2007

o Desertor


(desenho Bilo, 9)
Le Deserteur

Monsieur le président
Je vous fais une lettre
Que vous lirez peut-être
Si vous avez le temps

Je viens de recevoir
Mes papiers militaires
Pour partir à la guerre
Avant mercredi soir

Monsieur le président
Je ne veux pas la faire
Je ne suis pas sur terre
Pour tuer des pauvres gens

C'est pas pour vous fâcher
Il faut que je vous dise
Ma décision est prise
Je m'en vais déserter
..

(Boris Vian, 1954)

sábado, maio 19, 2007

Amanhecer LXXVI


Amanhecer em New York,
numa radiosa manhã de verão, Sábado, 14 de Agosto de 2002.
À porta do Hard Rock Café, dei de caras com estes dois maduros - o matulão, Cowboy de Tombstone, Arizona e o pequeno, Judeu de Lower East Side, Manhattan - conversando descontraídamente no meio da rua, quer dizer, no meio da (praça) Four Times Square.

Desde então, sempre me perguntei, qual terá sido o tema daquela conversa e cheguei a pensar escrever o diálogo possível para essa estranha parelha de personagens que fotografei naquele dia; no dia em que, percorri (sem a bicicleta) toda a 7ª Avenida (Norte), desde Times Square até lá acima ao Central Park e volta.

Ao chegar a Manhattan, fui completamente surpreendido pois não sabia que durante todo esse dia, poderia palmilhar os 14 quarteirões da 7ª Av. fechados ao trânsito automóvel e inteiramente ocupados por bancas de feira - a maior Feira da Ladra que eu vi até hoje.
E comprei lá muitas coisas. Fiquei autênticamente embasbacado com aquele New York City Street Summer Festival. Foi das coisas que mais apreciei na Big Apple - antes da visita nocturna ao Scores, é claro.


Só lá estive uma vez mas tenho saudades dos contrastes de New York City.

sexta-feira, maio 18, 2007

o Eremita


Há uma espécie de Caranguejo, o Eremita,
que tem por hábito fazer a ocupação selvagem de conchas desabitadas, fazendo delas a sua casa permanente.
Este pequenino Santo António (com o respectivo menino ao colo) parece que resolveu ocupar o nicho, que foi despojado do seu antigo inquilino, numa esquina da Rua de S. Paulo, próximo do Largo de Sto. Antoninho, em Lisboa.

Ciclos de Vida 1


Primavera

O bom tempo volta ao que era.
Este é um prenuncio de beleza.
Nos ciclos de vida na natureza.
Vivemos de novo a Primavera.

(Bicho Solitário, 2006)

Vale do Jamor


Já tenho a minha bicicleta arranjada - 30€ de reparação (*).
Para testar a nova engrenagem do tensor da corrente, desci a Ribeira do Jamor até ao Tejo. É quase sempre a descer; grande pinta; com pouco trânsito, dá gozo rolar por ali abaixo, na brasa com o "calorzinho" a bater na cara. O pior é o regreso...
De passagem, entre Carnaxide e Queijas, dá para ver que a Irmandade da Nossa Senora da Conceição da Rocha tem tudo pronto para as festas - só falta uma semana para a romaria (e feira) anual.
Em tempos que já lá vão, na última semana de Maio e primeira de Junho, havia imensos peregrinos que aqui acorriam a visitar a gruta onde, dizem, terá aparecido a imagem da Sra.
Por acaso, nunca por lá passei em dia de festa; pode ser que seja desta..?

quinta-feira, maio 17, 2007

a Fonte 99


Uma autêntica Prenda de Natal, oferecida ao povo de Colares, em 1920.
Conforme reza a história, foi inaugurada em 25-12-1920.

Bicho na Flor



Caracóis, são bichos móis.

Quais, quais,
Oliveiras, olivais,
Pintassilgos, rouxinóis,
Caracóis, bichos móis,
Morcegos, pássaros negros,
Trambolas, galinholas,
Perdizes, codornizes,
Cartaxos e pardais,
Cucos, milharucos,
Cada vez há mais!


(Moda Alentejana)

Vista daqui 25


Temos luz ao fundo do túnel, na Calçada da Bica Grande, em Lisboa.

quarta-feira, maio 16, 2007

o Soneto


Insónias

Acordei, não se via nada.
Será de noite? Fui à janela.
Ora gaita, estava fechada,
Tive que acender uma vela.

Levantei-me de madrugada
Deviam ser umas três e tal
Comi pão, queijo e marmelada
E bebi uma cerveja Imperial.

Sentia uma fome do caraças
Para tomar o pequeno-almoço
Mas já não havia mais carcaças.

Fui à rua comprar mais pão.
Ali, escorreguei num caroço
Espalhei-me todo no chão.

(Bicho Solitário, Maio 2007)

o Objectivo


Vou vomitar! Haja alguém aí que puxe o autoclismo.

Há muitos, muitos anos atrás, descobri que, sem (conscientemente) o querer, tinha definido um objectivo para o resto da vida.

Para perseguir esse objectivo, deixei tudo, mudei tudo, comecei de novo uma vida renovada, reconstruída do nada.
Claro que foi difícil, mas no fundo, em abono da verdade, acho que não me custou nada - a recuperação material, não teve grande importância;
quando comparada com o objectivo que me desafiava, uma qualquer dificuldade material, insignificante, era... apagada!

O verdadeiro conforto, então, não era propriamente uma questão física;
também não era coisa que estivesse exclusivamente ao alcance do espírito;
era fundamentalmente uma questão sentimental - sentimentos não se explicam;
diz o povo - "o amor não dura p'ra sempre" - com razão ou talvez não, pois há sentimentos inesquecíveis!

Quanto ao objectivo, perdeu-se, mas eu não o perdi de vista; manteve-se sempre no meu horizonte imediato; encontrava-se no fim de cada dia e na renovada esperança do dia seguinte.
Agora, próximo do regresso ao nada, no termo da grande viagem - "no comboio descendente, de Queluz à Cruz Quebrada" - uma vida (em busca do prazer) vivida em função de nada - de quem não consegui, nunca, satisfazer.

a Fonte 97/98


Uma é pequena, a outra é grande.
Uma é simples, a outra monumental.

Uma tem água, a outra nem por isso.
Uma mata a sede, a outra nem nada.

Uma refresca por dentro, a outra por fora.
Uma deita água, a outra tem jorros de luz.

Uma dá de beber, a outra dá que ver.

terça-feira, maio 15, 2007

Vida de nada



Pois, para mim, isso é uma verdade!
Mas para aqueles que me rodeiam,
Aqueles a quem eu quero bastante,
Que são o objectivo da minha vida,
Para eles, isso não serve, não chega:
"Vida de pequenos nadas, não é nada!"

Estou triste, desolado, cada dia mais
Solitário, desinteressado da realidade
Que não se adapta à minha idade (?)
Poderia pensar assim, dessa maneira,
Mas não, não é essa a verdadeira razão
pois, a idade já não me interessa mesmo;
o meu principal problema é esta vida,
que não condiz com a minha mentalidade!

Não me apetece dizer mais nada, nem
fazer mais nada, vou sair, vou-me perder
por aí, por uma estrada qualquer, até...
ao Estoril, para começar, ou acabar..?

E depois... vou voltar! Nada mais.

pequenos nadas


Hoje não me sai da cabeça, esta velha canção.

A vida é feita de pequenos nadas

Muito boa noite, senhoras e senhores
muito boa noite, meninos e meninas
muito boa noite, Manuéis e Joaquinas
enfim, boa noite, gente de todas as cores
e feitios e medidas
e perdoem-me as pessoas
que ficaram esquecidas
boa noite, amigos, companheiros, camaradas
a vida é feita de pequenos nadas
a vida é feita de pequenos nadas.


(Sérgio Godinho)

segunda-feira, maio 14, 2007

Flor com bicho


Flor com cinco pétalas e Bicho com seis patas.

a Fonte 96


Chamou-se miradouro de Santa Luzia, talvez devido à extraordinária vista que adqui se desfrutava, sobre o Tejo e o casario de Alfama.

O mau estado de conservação desta fonte, condiz perfeitamente com a lixeira que a rodeia, no que resta de um dos mais belos miradouros de Lisboa.

Quase todo o local, se encontra cercado por tapumes e ocupado com um estaleiro de obras, que prosseguem (?) desde 2005 - HÁ DOIS ANOS - sabe-se lá até quando?
É caso para pedir a Santa Lúcia - a protectora dos olhos - que proteja os olhos dos turistas, que aqui acorrem diariamente à procura de uma vista que já não é vista há muito tempo.

Vista daqui 24


Quadras ao Gosto Popular

Esta vista faz-me lembrar
O teu sorriso de Domingo,
Quando um salpico do mar
Deixou na tua face, um pingo.

(Bicho Solitário, meu heterónimo)


Leve vem a onda leve
Que se estende a adormecer
Breve vem a onda breve
Que nos ensina a esquecer.

(Fernando Pessoa, ele mesmo, o próprio)

sábado, maio 12, 2007

Amanhecer LXXV


O amanhecer, hoje está difícil.
O tempo, parece estar de resssaca, como eu.
O resultado de uma noite inteira de comidas e muitas bebibas.
Deitei-me cedo, bastante cedo, às 6:30 da madrugada e acordei tarde, tarde e a más horas.
Mal disposto, com má cara, estou eu, igualzinho ao tempo que faz, aqui no Vale de Colares, nesta manhã de Sábado.
A cabeça pesada, a vista nublada - tal e qual este Ceu, carregado de nuvens que ameaçam chuva.

Mal consigo pensar - gaita p'ra isto!
A minha vizinha parece que acordou numa onda de "Rock & Roll" - ligou os Decibeis todos e acordou-me também a mim.
São 11 da manhã, vou tomar uma Aspirina e vou tentar dormir mais um bocadinho...

sexta-feira, maio 11, 2007

a Fonte 95

(Belas, Sintra)

REDONDILHA

Descalça vai para a fonte
Leonor, pela verdura:
Vai formosa , e não segura...

Leva na cabeça o pote,
O têsto nas mãos de prata,
Cinta de fina escarlata,
Saiinho de chamalote.

Traz a vasquinha de cote
Mais branca que a neve pura;
Vai formosa ,e não segura

Descobre a touca a garganta;
Cabelos de ouro entrançado,
Fita de côr de encarnado,
Tão linda, que o mundo espanta,
chove nela graça tanta,
Que dá graça à formusura:
Vai formosa, e não segura.

(Luís de Camões, 155X)

os Amigos



Portugal no Coração

Portugal foi a razão
Por que um dia morreu meu irmão
Mas também é coração
A bater nesta canção

Não sei bem de quem eu nasci
Não descobri nem pai nem mãe
Só sei que já nasci aqui e foi aqui
Que eu fui alguém

Digo tudo quanto eu sou
Serei criança ou malmequer?
Tenho apenas o que eu dou:
Este lugar que ninguém quer

Neste país onde estou
Serei tudo quando eu fizer
Este povo a que me dou
Não é homem nem mulher

Portugal é querer dar a mão
Sermos amigos, termos pão
Portugal é ter a vontade
De acabar com a saudade

Portugal já tem idade
Para o povo entender liberdade
Portugal é uma nação
Onde vive o meu irmão

Portugal, ai meu amor
Coração desta minha canção
Bate, bate coração
Para termos a vida melhor.

(Ary dos Santos, 1977)

quinta-feira, maio 10, 2007

Vista daqui 22


Até parece uma cigarrrilha ou uma espécie de boquilha daquelas que se usavam há alguns anos, no tempo da outra senhora, para fumar cigarros sem filtro.
Pois, mas não é - trata-se da porra de uma seringa descartável, daquelas que nós, decentes cidadãos ordinários, comuns contribuintes, oferecemos aos agarrados para se injectarem em melhores condições de higiene e segurança, utilizando sempre seringas novas e não partilhadas, que vão buscar de borla, às farmácias.


Mas então, o Zé Povinho, para facilitar a vida aos janados, paga do seu bolso as seringas que eles utilisam e em seguida deitam fora em qualquer lado, sem pensarem em mais ninguém? Os filhos da... mãe.
Esta estava num jardim público, mas já tenho encontrado muitas merdas dessas enterradas na areia da Praia das Maçãs.
Quando penso que uma qualquer criança se poderá picar na puta da seringa que um cabrão de um drogado larga no meio do chão, fico mesmo fodido de todo!


Afinal, que merda vem a ser esta? Ao protejer os mais incapazes (os desgraçados, com um futuro bastante duvidoso) estamos a pôr em perigo a vida dos mais importantes - os inocentes que serão o nosso futuro mais promissor.

o Batedor


Monumento ao Calceteiro - autor: Sérgio Stichini.
Na Baixa de Lisboa - Rua da Vitória, frente à Igreja de S. Nicolau.
O monumento era composto por duas figuras: o calceteiro e o batedor.
Um mês depois da inauguração (Dez. 2006) a estátua do batedor foi retirada pelos serviços da CML para recuperação, depois de ter sido danificada por desconhecidos que pretendiam levá-la para casa.
- Como é que é possível acontecer uma coisa destas, em pleno centro da capital do país mais pacífico da Europa? Como é que se perderam os tão apregoados brandos costumes da minha terra?
- Porque no fim do dia, depois de desocupados os escritórios e encerradas as lojas, fecham os restaurantes, e toda a antiga zona nobre da cidade é abandonada e fica quase deserta - entregue à bicharada.

Amanhecer DLIII

Rio Tejo (Lisboa) Como foi? Bom!? Sim e não: talvez alguns momentos bons para recordar, outros menos maus que acabam por se desvanec...