quarta-feira, março 30, 2011

Fim da Linha



Le moribond

«Adieu ma femme je vais mourir
C'est dur de mourir au printemps tu sais
Mais je pars aux fleurs les yeux fermés ma femme
Car vu que je les ai fermés souvent
Je sais que tu prendras soin de mon âme»


(Jacques Brel, 1961)

domingo, março 27, 2011

A Fonte 572


Às portas de Trancoso,
a "Fonte de David", que já teve duas bicas e dois tanques (com água).

Sonhava, anónimo e disperso,
O Império por Deus mesmo visto,
Confuso como o Universo
E plebeu como Jesus Cristo.
Não foi nem santo nem herói,
Mas Deus sagrou com Seu sinal
Este, cujo coração foi
Não português, mas Portugal.


(Poema de Fernando Pessoa,
definindo o Sapateiro, Profeta e Trovador Gonçalo Anes, o "Bandarra" (Trancoso, 1500 a 1556).

sábado, março 26, 2011

Amanhecer CCLX


Acho que hoje, deve ter sido um amanhecer bastante doloroso para "alguém"
que reside, temporariamente, aqui nas traseiras do antigo Mosteiro de S. Bento da Saúde.

quinta-feira, março 24, 2011

A Fonte 571



Sou sapateiro, mas nobre
Com bem pouco cabedal;
E tu, triste Portugal,
Quanto mais rico, mais pobre.

Quem por aqui passesse neste chafariz, às portas de Trancoso, por volta de 1530, talvez tivesse o ensejo de escutar as Profecias de "O Bandarra", ditas pelo próprio Sapateiro enquanto enchia cântaros de água para curtimento das peles com que remendava os sapatos da clientela.

segunda-feira, março 21, 2011

O Portal

Em casa sentado, frente ao computador, a tentar preencher o "Census 2011" através da Internet.
Ao fim de uma hora no Portal do INE, sem sucesso, e antes que "a coisa desse p'ró torto" achei que era melhor mandar-me a mim, em vez do computador portátil, para a rua. E fui dar uma voltinha a pé pelas ruas da zona ribeirinha da cidade velha.

Antes de voltar a casa, fixei a atenção e a objectiva noutro portal.
Desta vez, um belo Portal Manuelino (Monumento Nacional, SEC. XVI) que tem a Ermida de Nossa Senhora dos Remédios, mesmo às portas de Alfama.

sexta-feira, março 18, 2011

A Fonte 570


Um nicho escavado na parede de suporte do adro da igreja,
nas Escadinhas de Santo Estêvão.
Estão irrecuperáveis, os azulejos que ornamenta(va)m esta fonte de Alfama em Lisboa.
Ao longo dos últimos tempos foram estupidamente estragados por muitos actos do mais puro e inexplicável vandalismo.

quinta-feira, março 17, 2011

ventos e mar



«Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar»


Ao contrário do que diz a canção do Jorge Palma,
há por aí muita gente que já não tem força,
nem vontade para sair do mesmo lugar...

quarta-feira, março 16, 2011

a fonte 569


Para não ir mais longe,
hoje ficamos aqui por Lisboa,
no Jardim do Príncipe Real,
com outra face de uma fonte
(obra de ferro forjado,
ou será bronze?)
já publicada aqui "a fonte 560".

terça-feira, março 15, 2011

Rio interior


Vejam só...
as coisas interessantes que se aprendem
ao andar a pé pelas ruas da minha cidade.
Ou...
alguém devia ensinar este filósofo de rua
a utilizar o "facebook" ou um "blog" para
divulgar as suas lucubrações filosóficas.

segunda-feira, março 14, 2011

a ver navios 111


E chega uma altura da vida em que ...

"É indiferente, morrer ou viver
já pouco importa, tanto faz.
Mas se não puder viver em paz,
apetece deixar-se morrer."

(Coisas que passam pela cabeça de uma pessoa, no silêncio da madrugada, naqueles minutos que precedem a alvorada, momentos decisivos para o renascer de mais um dia ou não...)

domingo, março 13, 2011

A Fonte 568



Há já muitos anos, há décadas mesmo,
que eu não via esta fonte da Praça D. Pedro IV, em Lisboa, assim tão bem rodeada de gente, de povo vivo, activo.
Aqui, diluido no seio do meu povo, ontem à tarde senti-me algumas vezes transportado no tempo, até um passado que vivi com muita emoção.

sábado, março 12, 2011

Amanhecer CCLVIII


Esta flor, não sei como se chama,
dá-se bem na minha casa.
Floresceu durante o tempo frio,
com uma cor bem quente - Vermelha.
Gostava mais de um Cravo,
a flor adequada ao dia de hoje,
a lembrar Abril e o Maio de 74.
Mas este ano o Inverno foi rijo
e ainda dura.
Tarda em aquecer o tempo.
Não floriram ainda, no meu quintal,
os Cravos Vermelhos.

sexta-feira, março 11, 2011

a passagem



caminho inseguro
numa passada incerta
avanço de forma hesitante
sem contudo poder recuar
nem sequer é permitido parar
ao menos um bocadinho que fosse
não mais do que o lapso de tempo bastante
para concatenar dois pensamentos seguidos,
sobre a origem e natureza da vida,
e sobre a teoria do conhecimento:
será possível parar de pensar..?
talvez só no fim do caminho,
certo é que o caminho tem um fim,
mas será o fim de tudo, o fim da vida,
ou apenas mais uma passagem..?

quinta-feira, março 10, 2011

A Fonte 567


Fonte da Misericórdia, Portalegre
A data 1906 (ou 1908) está inscrita por cima do brasão de armas da cidade gravado em relevo, no mármore branco com laivos vermelhos e negros.

Não escolhi o melhor enquadramento para fazer a fotografia - os automóveis estão a mais na imagem. Infelizmente, em muitas ruas e recantos das zonas históricas das nossas cidade é permitido o trânsito e estacionamento de automóveis. É assim, o que se há-de fazer..?

quarta-feira, março 09, 2011

Santo(a)s da Casa



MARVÃO

Uma antiga porta da igreja,
o lugar do santo, hoje está bem ocupado por aquela que tem tido uma paciência de santa para me aturar no dia-a-dia, desde há 30 anos.

terça-feira, março 08, 2011

a Fonte 566

Em noite de Carnaval,
havia em Castedo, um costume curioso. Era o das pulhas ou casamentos:
Homens munidos de grandes funis colocavam-se em morros fronteiros da aldeia e dali anunciavam, uns para os outros, casamentos de pessoas que muito bem entendiam, intrometendo­-se frequentemente na vida privada.
Ultimamente as pulhas são “deitadas” cada vez menos, tendo praticamente desaparecido.


Um dos Miradouros de Castedo do Douro, Alijó
Adeus, adeus, ó Castedo.
Com que fazeis a vindima?
Com talhadas de botelha
e rabinhos de sardinha.

Adeus, adeus, ó Castedo,
Quem te correra aos tiros,
c’uma pistola de prata
cargadinha de suspiros.

(Cancioneiro Popular Duriense)

domingo, março 06, 2011

a ver navios 123



Há muitos, muitos anos (provavelmente mais do que terá esta carcaça de traineira do rio), os miúdos e miúdas da minha rua, ocupavam uma parte do tempo livre com jogos e brincadeiras em plena rua.
Desses, recordo hoje esta cantilena, que servia de base a uma inocente e animada brincadeira na qual participava normalmente um grupo grande de rapazes e raparigas, à mistura.

Que linda falua,
que lá vem, lá vem,
é uma falua,
que vem de Belém.

Eu peço ao Sr Barqueiro
que me deixe passar,
tenho filhos pequeninos
não os posso sustentar.

Passará, não passará,
algum deles ficará,
se não for a mãe à frente,
é o filho lá de trás.

sábado, março 05, 2011

Amanhecer CCLVII



Desde esta janela virada a sul,
avistamos uma nesga de sol que irrompe, enfim, por entre um halo nas núvens que teimavam em prolongar a noite.
É uma réstia de esperança, uma promessa de mais animação para o Sábado Gordo, na cidade que agora desperta lá em baixo no vale, aos pés deste altaneiro Castelo do Sul.

sexta-feira, março 04, 2011

A Fonte 565


Castedo
Daqui até Alijó e Favaios, estende-se um plano pouco inclinado completamente forrado de vinhedos de uva moscatel - o famoso Moscatel de Favaios.
Um remoto lugar de quase 500 habitantes que surge inesperado no topo de uma íngreme e típica encosta de socalcos xistosos do Alto Douro vinhateiro.

É espetacular e perigosamente emocionante a subida desde o antigo apeadeiro de S. Mamede do Tua (junto ao Douro, na Foz do Tua) serpenteando encosta acima, por um estreito caminho.
Até agora em serviço quase exclusivo dos tractores e demais maquinaria agrícola que se ocupa dos trabalhos nas vinhas do Douro.
Caminho muito pouco adequado a passeios num simples automóvel de turismo. Mas quando alguém me sugeriu este percurso (Foz do Tua, Cotas, Vilarinho, Loivos, Pinhão) nem pensei duas vezes - novos caminhos e diferentes pontos de vista...

quinta-feira, março 03, 2011

sem paz

Cais do Guadiana, no Pomarão

Amar, sofrer, fugir em pavor
morrer e morrer, viver amor
perder, perdoar a sonhar amar
fuga, construção, solidão e paixão
afago de paixão, odor de amizade
pequenez, ansiedade, morto
morto, obcessão,
obcessão, amplexo,
asfixia da razão, manso,
manso, a revolta em embrião,
manso, fuga fugaz,
fugaz, o renovar novo de novo
imagem, imaginação abatida,
perdida, pérfida a revolta
manso, urgente vivo
sofrer amar, fugir
condescender, perder prazer
prazer, prazer ou morrer.

Não há paz!

(escrito com caneta e papel;
conflito interior de sentimentos, emoções contraditórias;
coisas próprias de uma quinta-feira típica dos idos anos 80)

terça-feira, março 01, 2011

Amanhecer DLIII

Rio Tejo (Lisboa) Como foi? Bom!? Sim e não: talvez alguns momentos bons para recordar, outros menos maus que acabam por se desvanec...