sábado, março 13, 2010

Amanhecer CCXI

«Ajuda-me a escrever isto.
Dá-me uma mãozinha para compor a crónica de hoje e eu prometo que vamos embora.
Fica combinado!
Vamos deixar este pôr-do-sol, vamos para outro lado.
Vamos sair desta praia, viajar para longe deste Mar agitado.
Também eu tenho saudades do sossego, do silêncio no ar, da brisa sem cheiro de mar, de aromas da terra florida.
Trocamos as dunas de areia estéril, seca e amarela por um prado coberto de de vida, fresca e verde.
E vamo-nos sentar sobre aquela laje de granito, aquecida pelo sol da tarde e ficamos simplesmente a olhar o horizonte recortado pelo silhuetas redondas dos aglomerados de pedregulhos.
O avolumar das sombras a fazer com que as grandes pedras pareçam cada vez mais desenterradas.
A chilrear da passarada que se agita no frenesim que precede o retomar do poiso onde vão receber a noite que está quase a chegar.»

(finalmente chegou a imagem - entardecer na Praia das Maçãs - que tinha preparado para este post)

4 comentários:

Maria disse...

Que lindo, amigo Bicho. Também tenho saudades de um prado verde batido de sol, pontilhado de papoilas, com pássaros a chilrear no ar parado. Ao longe, um fumosinho saindo de uma chaminé e uma paz que só um campo deserto dá.
Beijinho
Maria

O Bicho disse...

Só falta "postar" a fotografia. Estou indeciso entre a praia e o campo...

Maria disse...

Eu ontem fui ver o mar. Tinha saudades dele, do sol, do ar da rua.
Fiquei cansada. Tudo me cansa. Queria fugir daqui para fora e ir para longe, onde não chegasse nem noticia deste que já foi "Um jardim à beira-mar plantado".
A foto, como de costume, está bonita.
Beijinhos
Maria

M.Júlia disse...

Almas inquietas. Desejar estar,
onde não se está. Agora, nesta fase da minha vida também escolho o granito, as montanhas, até
mesmo os rios. O mar não.

A Fonte 672

Figueira de Castelo Rodrigo Na beira do caminho, junto ao Convento de Aguiar, base da encosta onde se encontra o que resta das muralhas ...