domingo, maio 15, 2011

A Fonte 577



Pinhão (Alto Douro Vinhateiro)
Durante uma das últimas cheias, o nível das águas do rio passou acima desta velha porta na rua que leva ao cais do Douro.

«Durante séculos o Douro foi temido.
Os homens afastavam-se das margens com medo das cheias violentas de Invernos chuvosos e das febres palustres de Verão quando o Douro era um fio, no leito seco.
Por isso as povoações ribeirinhas que hoje existem são relativamente recentes, como o Pinhão e a Régua, Pocinho ou Barca d'Alva, outrora pequenos núcleos de cabanas de barqueiros e pescadores.
Cachões e rápidos, só com destreza e fé dos marinheiros e um barco apropriado se passavam. O pior era o da Valeira, até final do século XVIII fragão intransponível donde as águas reprimidas caíam em açude, no cenário dantesco da penedia abrupta das margens.
Mesmo depois de quebrados os rochedos que impediam aos barcos a passagem (1792), só com o credo na boca e a alma entregue a S. Salvador do Mundo, que lá em cima velava, os marinheiros, de braços tesos, ganhavam coragem para seguir em frente. Muitos lá ficaram...
Entre os naufrágios conta-se o do Barão de Forrester que aí morreu, dizem, com o cinturão de libras de ouro que o levou ao fundo. Mais sorte teve D. Antónia Ferreira, a sua anfitriã dos dias passados na Quinta do Vesúvio, que, na tradição popular, teria ficado a boiar nas saias rufadas em balão.»

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