quinta-feira, fevereiro 10, 2011

da Escrita


Gaivoto (pousado sobre a pata esquerda)
- «Sabes, aqui há tempos, andei a pensar escrever algumas histórias de vida.»
Gaivota (aninhada sobre o muro quente)
- «Da vida de quem, da tua? Isso interessa a alguém?»
Gaivoto (estica e recolhe de novo a pata direita)
- «Sabes como é. Contar coisas que me aconteceram, ou coisas importantes a que assisti, durante a minha breve passagem por este mundo.»
Gaivota (aconchega-se mais ao calor da pedra)
- «Ah!!! Pois, tou a ver...»
Gaivoto (ainda sobre a pata esquerda)
- «Porém, a minha veia de procastinador inveterado, felizmente, fez-me adiar o projecto o tempo bastante para encontrar um motivo que justificasse não realizar essa tarefa»
Gaivota (quase a adormecer com o calorzinho)
- «Quem te arranjou a desculpa para evitar todo o trabalho de pensar o que escrever, e escrever?»
Gaivoto (flectindo um pouco a pata esquerda)
- «Olha, foi o Sr. Pitigrilli, um crítico/jornalista Italiano famoso, que, antes de morrer de velho, em 1975, escreveu o seguinte,»
«Aquele que escreve memórias é como um fulano que se assoa e depois olha para o lenço, antes de dobrar e guardar no bolso.»

3 comentários:

Anónimo disse...

Que diálogo tão erudito!
M.Júlia

O Bicho disse...

Pois, as gaivotas às vezes têm destas coisas... sofrem do complexo do Fernão Capelo Gaivota.

Anónimo disse...

Boa recordação para ir ao youtube,
escutar a música que ouvi hà anos,
e da qual gostei bastante.
Ainda devo ter o LP. Era Neil
Diamond que cantava.
O livro nunca li.
M.Júlia

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