terça-feira, novembro 30, 2010

a fonte 555


Sanfins do Douro

Além do malfadado letreiro do costume "água impropria para beber",
encontra-se um outro aqui ao lado onde se diz que esta
FONTE DE BAIXO ou GRICHA
é, para os sanfinenses, muito mais que uma simples fonte:
Até ao último quartel do século passado, ela era o elemento central de um curioso sistema de tanques e canais, totalmente construidos em granito, que serviam de lavadouros públicos e de bebedouros para os animais.
Evocando tempos passados, quantos casais de namorados, ao cair da tarde, reflectidos no espelho da sua água límpida não terão gorjeado inocentes juras de amor enquanto, cumplicente, a bica retardava o enchimento dos canecos que o coração ajudava a transportar?!

segunda-feira, novembro 29, 2010

a sombra



«A sombra esconde todas as nossas actividades e desejos que podem ser considerados imorais e violentos, aqueles que a sociedade, e até nós mesmos, não queremos aceitar.
A influência do nosso lado sombrio é justificação para alguns comportamentos que habitualmente não são permitidos. É quando se diz que fomos acometidos por algo para além do nosso controle. Esse "algo" é a sombra, a parte primitiva da natureza humana.»

Ou como canta o Rui Veloso:

Desvenda-me o teu lado malsão
O túnel secreto a loja de horrores
A arca escondida debaixo do chão
Com poeira de sonhos e ruínas de amor

Eu hei-de te amar por esse lado escuro
Com lados felizes eu já não me iludo
Se resistir à treva é um amor seguro
à prova de bala à prova de tudo

domingo, novembro 28, 2010

A fonte 554


Um antigo cartaz anuncio turistico, ilustrado com a Fonte do Palácio da Vila,
que inclui frases que exprimem a forma como Sintra impressionou alguns visitantes de renome:
  • o crítico de arte francês, Armand Dayot (1851/1934);
  • o viajante poeta inglês, Lord Byron (1788/1824);
  • o dramaturgo português, Gil Vicente (1465/1536?);
  • a proverbial sabedoria popular espanhola (de sempre);
  • o compositor alemão, Richard Strauss (1864/1949).

sábado, novembro 27, 2010

amanhecer CCXLIII


Ainda não se vendeu quase nada e já vai chegando a hora do farnel.
É preciso comer uma "bucha" para aconchegar o estômago até à hora do almoço.
No mercado de rua de Almoçageme (Sintra), o Ti Manel e outros vizinhos, vendem os produtos da terra, provenientes das suas próprias e hortas e pomares.

sexta-feira, novembro 26, 2010

a Fonte 553


Serra de Montemuro
A 1380 metros de altitude, quase no cimo da serra existiram umas muralhas (Portas do Monte do Muro) hoje em ruínas, que terão sido construídas pelos Lusitanos, do comandante Sertório para melhor resistir às investidas das Legiões Romanas.
Mais tarde, foram também utilizadas por Geraldo o "Sem Pavor", no tempo em que este chefiava uma quadrilha de salteadores que actuavam por estas paragens por serem ponto obrigatório de passagem de viajantes do Douro para o Paiva.

quarta-feira, novembro 24, 2010

O Estudo


Quando eu vejo jovens licenciados (engenheiros e doutores disto e daquilo) a arrumar produtos nas prateleiras ou a trabalhar nas caixas do supermercado, fico a pensar:

«Estudar e não praticar aquilo que se aprende é como lavrar a terra e não a semear.»

sábado, novembro 20, 2010

amanhecer CCXLII



Lisboa hoje amanheceu molhada,
mas o sol vem aí, não tarda nada
e tudo vai ficar bem seco
o grande largo e o estreito beco.

terça-feira, novembro 16, 2010

Inventar o Amor


Ponte D. Luis
(Porto - Gaia)

[..]
Um homem uma mulher um cartaz de denúncia
colado em todas as esquinas da cidade
A rádio já falou A TV anuncia iminente a captura
A polícia de costumes avisada
procura os dois amantes nos becos e avenidas
Onde houver uma flor rubra e essencial
é possível que se escondam tremendo a cada batida na porta
fechada para o mundo
É preciso encontrá-los antes que seja tarde
Antes que o exemplo frutifique
Antes que a invenção do amor se processe em cadeia

Há pesadas sanções para os que auxiliarem os fugitivos
[..]

(Um bocadinho do extenso poema de Daniel Filipe, de 1961, "A Invenção do Amor".)

segunda-feira, novembro 15, 2010

sábado, novembro 13, 2010

terça-feira, novembro 09, 2010

o Eco


CALVÁRIO, em AROUCA

E estava eu aqui, neste curioso Púlpito (datado de 1640) a pensar alto:

«Oh céus, a minha vida é um calvário, já não sei o que hei-de fazer..?»

Eis senão quando, ouvi aquela voz que parecia vir de trás de uma cruz, dizendo:
«A vida é um eco.
Meu amigo, se não estás satisfeito com o que estás recebendo,
observa melhor tudo aquilo que estás emitindo.»
Percebi depois que aquela era a voz da minha amiga Consciência, uma amiga de longa data, muito chegada mas também muito discreta e controversa.

sábado, novembro 06, 2010

Amanhecer CCXL


Hoje não houve amanhecer.
S. Pedro, o porteiro dos céus, guardião das chaves dos portões da luz e do dia, passou a noite nos copos no Bairro.
Adormeceu já de madrugada, bem bebido e esqueceu-se de pôr o despertador para o alvorecer a fim de ir abrir a porta para o dia sair do quarto onde passa as noites em segurança, resguardado do escuro.
Por causa disso o dia de hoje, começou já a meio da manhã.
Quando a gente abriu os olhos e saiu à rua, já era quase meio-dia.

sexta-feira, novembro 05, 2010

a fonte 550


Serra do Montemuro
Nesta encosta a meio caminho entre Cinfães e Arouca,
as vitelas "arouquesas" pastam livremente, a quase a 1300 metros de altitude.
Durante todo o dia vagueiam pela serra onde não falta tojo para ruminar e água fresca para beber.

quinta-feira, novembro 04, 2010

Uma seca


Verdade!
Por exemplo, quando eu digo ao meu filho pré-adolescente:
«Miguel, lava as mãos antes do jantar, lava os dentes depois do jantar, está muito sol, não te esqueças do boné..»
Ele responde invariavelmente:
«Pai, estás sempre a repetir a mesma coisa, és uma seca!»

quarta-feira, novembro 03, 2010

a fonte 549


Penacova
Esta fonte vulgaríssima (há outras bonitas na região) fica
algures numa das centenas de curvas da estrada nacional
que acompanha, pela margem direita, a descida do Mondego,
entre Penacova e Coimbra.

No mês passado, tive ocasião de revisitar estes lugares e caminhos de boas e menos boas memórias para mim. Contudo, no saldo, prevalecem os bons momentos que foram muitos, nesta vila linda fantástica, absolutamente inesquecível - por isso hei-de voltar.

terça-feira, novembro 02, 2010

a ver navios 109


Estuário do Sado
Navios ancorados no meio do rio,
o sol escondeer-se por detrás do maciço da Arrábida,
foi só o consegui captar durante o recente passeio de fim de tarde,
navegando sobre as águas do Sado entre Setúbal e a Comporta.

Lembro que há 20 anos apenas (pouco tempo, comparado com a idade do planeta), era usual avistar famílias de Golfinhos nadando mais ou menos próximo do barco "cacilheiro" ou "ferryboat" que fazia a travessia di rio. Raras foram as vezes em que fiz a viagem sem avistar Golfinhos.


Certo dia, enquanto me banhava numa das magníficas praias de Tróia, aconteceu:


Um grande peixe e um Golfinho que o perseguia, saltaram fora de água,
ali mesmo ao pé de mim - quase me passaram por cima - grande susto que eu apanhei!

a fonte 548


Sanfins do Douro

Por aqui se produzem os melhores vinhos do mundo resultado do apuramento das melhores castas que leva os bons apreciadores de vinho a reconhecer Sanfins do Douro como Capital dos Vinhos, de entre os quais o muito apreciado Moscatel - daí chamarem-lhe a Pérola do Moscatel.

Também aqui se encontra o Santuário de Nossa Senhora da Piedade, cuja localização lhe confere uma beleza natural e vista panorâmica, sem dúvida das mais impressionantes do Norte de Portugal.

Na Romaria de Nossa Senhora da Piedade, tem lugar uma tradição única em Portugal.
No primeiro dia de festa, após a missa campal no Santuário, ocorre o "LEILÃO DO ANDOR" ou Arrematação do Andor, no qual, dois grupos, o Grupo Velho e o Grupo Novo disputam entre si, (oferecendo verbas que já chegaram aos 30.000 Euros) a honra de transportar aos seus ombros nas procissões que se irão seguir, o andor (900 Kgs) daquela a quem os Sanfinenses chamam de MÃE - Nossa Senhora da Piedade.

Hino de Sanfins

Aos pés da Virgem da Piedade
Verdade que até parece,
Um anjo adormecido
Ou embebido em longa prece

Sanfins, ai, Vila formosa,
És uma rosa sempre a brilhar
Aos pés dessa mãe divina
Que na colina tem um altar

Amanhecer DLVIII

COVILHÃ Correndo pelo vale do alto Zêzere Já chegámos? O quê! Ainda não? Então vou dormir mais um bocadinho...