quarta-feira, julho 29, 2009

a fonte 408


Até aqui ao chafariz, tudo bem, posso chegar e sentar-me por uns momentos a apreciar a vista para a foz do Rio das Maçãs e respirar um bocadinho da maresia da manhã, na hora em que a brisa (virou, já não é da terra pró mar) sopra ainda muito ligeira.

Mais lá para baixo, até ao areal, ainda não posso ir - só daqui a alguns dias.
Como toda a gente me costuma dizer, «tem calma rapaz, há mais marés...»
«OK, eu vou esperar. E volto p'rá semana, com as marés grandes da Lua Cheia de Agosto.»

sábado, julho 25, 2009

amanhecer CLXXIX


A poesia para hoje não tem letras
A palavra, hoje é da Natureza
A Natureza que se renova, sempre,
Em cores, novas formas e aromas

sexta-feira, julho 24, 2009

a ver navios 79


À janela olhando o Mar, tristemente,
Debaixo do céu pesado, nevoeirento,
A meditar na vida. Não lamento...
Aquilo que vivi, vivi intensamente.

(acho que alguém, antes de mim, já tinho escrito isto... que desculpe, se for assim.)

quinta-feira, julho 23, 2009

a fonte 407


Já me ia esquecendo desta antiga nascente termal da Calçadinha de Santo Estêvão.

Desde há muitos séculos que este é um dos locais de "Banhos Públicos" de Alfama.

Tanto quanto sei, hoje em dia, com o alastrar da crise económica no País, estes Balneários(grátis) estão a ser cada vez mais procurados.

quarta-feira, julho 22, 2009

esta noite


Ao relento, no fresco da noite, todo embrulhado em roupa,
um gorro na cabeça, um comprimido para a tosse,
dois Benurons para a febre, às 10 da noite,
lá estou eu sentado, num sítio bem esquisito...

No Hipódromo de Cascais
Nesta noite sem Lua
O prazer é demais,
ver e ouvir Katie Melua.

..when she sings:

You, soft and only
You,lost and lonely
You, strange as angels
Dancing in the deepest oceans
Twisting in the water
You're just like a dream
You're just like a dream

Daylight licked me into shape
I must have been asleep for days
And moving lips to breathe his name
I opened up my eyes
And found myself alone alone
Alone above a raging sea
That stole the only boy I loved
And drowned him deep inside of me

sábado, julho 18, 2009

domingo, julho 12, 2009

a fonte 406


Mindelo
É como se designa o local desta fonte, miradouro e também "excelente pesqueiro" (dos meus preferidos), na falésia da Praia das Maçãs. O panorama que aqui se pode apreciar é sensacional, sobretudo ao pôr-do-sol.
Mindelo,
também é o nome de uma importante cidade, "a mais internacional", do Arquipélago de Cabo Verde.

Mindelo,
é ainda uma Praia de Vila do Conde, onde eu passei algumas tardes de pesca e onde terá acontecido o histórico "desembarque dos bravos" durante a Guerra Civil Portuguesa.
Curiosidade:
«entre esses bravos combatentes Liberais vindos do Mar para fazer o cerco da cidade do Porto, encontrava-se um trio famoso -
Almeida Garret, Alexandre Herculano e Joaquim António de Aguiar
- nem mais nem menos que dois figurões do Romantismo literário em Portugal e um político profissional, que ficaria conhecido pelo "Mata Frades", pois foi o Ministro que ordenou a extinção das Ordens Religiosas no País.»

sábado, julho 11, 2009

amanhecer CLXXVII


Estava eu muito quietinho, concentrado a fotografar este cálice de "Madre-Silva" (um arbustro silvestre, comum na nossa terra, cujo aroma intenso, eu gosto especialmente) quando o "tlãooooo" do sino da Igreja de Colares, ali mesmo por cima da minha cabeça, me sobressaltou.
Com o sino a tocar não consegui fotografar.

Enquanto esperava, aquele ecoar das badaladas pelo vale abaixo, foi-me transportando no espaço e no tempo para uma outra aldeia saloia, terra de meus Avós, não muito longe desta, onde eu passava as minhas férias de Verão, naquele tempo em que se chamavam as Férias Grandes.

Sino, coração da aldeia.
Coração, sino da gente.
Um, a sentir quando bate,
Outro a bater quando sente!


(António Correia de Oliveira)

terça-feira, julho 07, 2009

Mais Vida


Esplanada no largo de S. Rafael.
Na noite de Lisboa canta-se o Fado na rua.
A guitarra encanta os ouvintes e na letra do fado passa uma quadra de um poeta mal conhecido da generalidade dos portugueses.
Foi amigo pessoal de Fernando Pessoa.
Nasceu em Abrantes, mas cresceu em Lisboa.
Alfama foi o bairro onde amadureceu e viveu até emigrar para o Brasil, para escapar à descriminação homofóbica de que era vítima em Portugal.
Por causa disso, só regressou a Lisboa depois de morto.
Afirmam que a vida é breve.
Engano... A vida é comprida.
Cabe nela amor eterno
E ainda sobeja vida!


(António Botto)

segunda-feira, julho 06, 2009

Perninhas



S. Miguel de Alfama, sentados nas escadas,
estão todos de pernas ao léu.
Toda a gente incluindo, Eu.
Ao lado das jeitosas, umas mais fininhas;
pois claro, são essas as minhas,
um tanto peludas e escalavradas.

domingo, julho 05, 2009

a fonte 405


Existiu em tempos a "Bica da Alfândega" (uma das antigas fontes alimentadas pelo rico manancial de nascentes termais de Alfama) aqui mesmo, no páteo do Museu do Fado, onde hoje viemos beber, não água, mas "Sangria de Champagne" e ouvir uma sessão de Fados e Guitarradas à maneira - Obrigado! Disse a Mariana, ao Sr. Ministro Presidente Costa).

sábado, julho 04, 2009

amanhecer CLXXVI


Esta espécie de Cravo, habitualmente matizado de cor-de-laranja, é uma das poucas, mas fortes, recordações que guardo da minha infância, em Lisboa.

Ficou-me na memória o aroma picante, característico desta flor, que na Primavera e no Verão, dava mais colorido às varandas, aos páteos e quintais das traseiras das casas do bairro onde nasci, Campo de Ourique, no mesmo prédio onde viveu o maior poeta de Lisboa.

Dele, do Pessoa, obviamente, não me lembro mesmo nada - ele morreu duas décadas antes de eu nascer; do Poeta, desse sim, lembro algumas coisas escritas, como por exemplo,

«Quer pouco, terás tudo.
Quer nada: serás livre.»

quinta-feira, julho 02, 2009

a fonte 404


Fonte do Ídolo
(Bracara Augusta)

O ilustre cidadão Celico Fronto, emigrado, ou desterrado, ou exilado, da longínqua Arcóbriga (cidade romana Aragonesa, próximo de Calatayud, na província de Saragoça), deciciu, sabe-se lá porque carga d'água, mandar construir este pequeno monumento dedicado à divindade fluvial regional conhecida por "Tongonabiago".

Há quanto tempo não vou a Braga?
Recordo as últimas noites em Guimarães e os mais recentes dias de feira em Barcelos.
Mas de passear em Braga, coisa estranha... não me lembro de lá ter estado este milénio.

quarta-feira, julho 01, 2009

Uma Vida



Quando cheguei pouco fazia:
Só chorava, comia e dormia.

Depois os anos para recordar:
Aprender, crescer e brincar.

E aquilo que se chama viver:
Com trabalho, amor e prazer.

Agora enfim, o tempo da dor:
Todo o corpo perdeu o fulgor.

Sou a sombra daquilo que fui:
Doi-me tudo, até a alma. Ui, ui!


("coisas da vida", 2009)

Amanhecer DLXIII

Praia das Maçãs, Sintra C'est en septembre Quand les voiliers sont dévoilés Et que la plage, tremblent sous l'ombre D'un...