quarta-feira, agosto 22, 2007

Mais vento


E, não há dúvida nenhuma, que

Palavras, leva-as o vento!
(Popular, antigo)

Redemoinha o vento,
Anda à roda o ar.
Vai meu pensamento
Comigo a sonhar.

Vai saber na altura
Como no arvoredo
Se sente a frescura
Passar alta a medo.

Vai saber de eu ser
Aquilo que eu quis
Quando ouvi dizer
O que o vento diz.


(Fernando Pessoa, 1933)


terça-feira, agosto 21, 2007

Ventania



E há quem diga (do vento leste):
Que de Espanha não vem nem bom vento nem bom casamento!

Mas também há ventos de bonança e ainda, ventos de mudança:

E o vento mudou
Ela não voltou
As aves partiram
As folhas caíram

Ela quis viver
E o mundo correr
Prometeu voltar
Se o vento mudar

E o vento mudou
E ela não voltou
Sei que ela mentiu
P'ra sempre fugiu
Vento por favor
Traz-me o seu amor

(Festival da Canção, 1967)

segunda-feira, agosto 20, 2007

Ventos


Velas ao vento (Fátima, 2007)

O que faz andar o barco não é a vela enfunada, mas o vento que não se vê!
(pensamento de Platão, o filósofo, em 400 AC)

E eu,

Pergunto ao vento que passa,
Notícias do meu País.
E o vento cala a desgraça.
O vento nada me diz.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.


(escreveu Manuel Alegre, o poeta, em 1963)

domingo, agosto 19, 2007

O Vento


Vento - ar em movimento.
Com mais vento tenho menos ar. Mais ar, faz-me falta mais ar. O ar em movimento, eu não consigo agarrar. Passa por mim, muito rápido, depressa demais para o poder captar, inspirar.
São 5 da madrugada, passei por AQUI, parei para escrever umas palavras que me rodopiavam na cabeça... de vento.
Dentro da minha caixa de ideias, as tempestades de Verão, começaram a fazer das suas, das minhas, ideias um pandemónio.
Não gramo o vento, não gosto do ar que passa por mim a correr, transportando com ele tudo o que não tem dono, que não é reclamado por ninguém.
EU, RECLAMO! Vou continuar a protestar, mas... cá para mim, o vento do ar, ou o ar do vento, foi pelos ares, foi um ar que lhe deu, não liga boia ao que eu digo, ou muito menos, que penso. Também não está mal pensado, não senhor! Quer dizer, se eu pensasse mais e melhor, secalhar não escrevia nada disto - estava era a dormir bem sossegadinho ali á beira-mar, embalado pelo constante troar da rebentação na Praia-das-Maçãs.
O barulho do mar - 5.000 locomotivas a puxar um comboio de 30.000 carruagens. E não tem fim, nunca mais acaba de passar por cima da ponte, o ressoar de pesadelo que o vento-brisa do mar do Oeste transporta até à minha cama, aos meus sentidos, ressentidos desta vida.
Aaaah! Vou seguir por aí fora, a escrever, palavras ao vento, em folhas de papel esvoaçante... e o vento, o vento e o tempo, passam, vão continuar passando por mim. E eu? Eu, sem querer poder fazer nada para mudar.
O tempo, o vento e o tempo: muda-se o tempo, mudam-se o quê?

sexta-feira, agosto 10, 2007

a Fonte 131


Ontem, quinta-feira, houve festa Brava na renovada Praça de Touros do Campo Pequeno, em Lisboa.

Amanhecer DLVIII

COVILHÃ Correndo pelo vale do alto Zêzere Já chegámos? O quê! Ainda não? Então vou dormir mais um bocadinho...