Blog em remodelação

terça-feira, novembro 25, 2008

a ver navios 47


Adeus, Lisboa

Vou-me até à Outra Banda
no barquinho da carreira.
Faz que anda mas não anda;
parece de brincadeira.
Planta-se o homem no leme.
Tudo ginga, range e treme.
Bufa o vapor na caldeira.
Um menino solta um grito;
assustou-se com o apito
do barquinho da carreira.
Todo ancho, tremelica
como um boneco de corda.
Nem sei se vai ou se fica.
Só se vê que tremelica
e oscila de borda a borda.


(António Gedeão)

1 comentário:

  1. Bicho:
    Para "lutar" com Gedeão, só Ary.

    Lá vai no Mar da Palha o Cacilheiro,
    comboio de Lisboa sobre a água:
    Cacilhas e Seixal Montijo mais Barreiro.
    pouco Tejo pouco Tejo e muita mágoa.

    Na ponte passam carros e turistas
    iguais a todos que há no mundo inteiro,
    mas embora mais caras a ponte não tem vistas
    como as dos peitoris do Cacilheiro.

    Leva namorados
    marujos soldados
    e trabalhadores
    e parte dum cais
    que cheira a jornais
    morangos e flores.
    Regressa contente
    levou muita gente
    e nunca se cansa.
    Parece um barquinho
    lançado no Tejo
    por uma criança.

    Num carreirinho aberto pela espuma
    lá vai o Cacilheiro Tejo à solta,
    e as ruas de Lisboa sem ter pressa nenhuma
    tiraram um bilhete de ida e volta.

    Alfama Madragoa Bairro Alto,
    tu cá tu lá num barco de brincar
    metade de Lisboa à espera no asfalto e
    já meia saudade a navegar.

    Se um dia o Cacilheiro for embora
    fica mais triste o coração da água
    e o povo de Lisboa dirá como quem chora,
    pouco Tejo pouco Tejo e muita mágoa.

    Ary dos Santos.

    Maria

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