segunda-feira, fevereiro 11, 2013

a fonte 624



AMARANTE

Em dia de feira, tempo quente de outono, almocei na esplanada do mercado, na margem direita do rio, ao pé desta fonte que é uma verdadeira relíquia histórica.

O empregado de serviço, trouxe para a mesa uma Francesinha, especialidade da casa, uma garrafa de verde, o melhor da região, e uma quadrinha popular alusiva ao lugar:

São Gonçalo de Amarante
Que estás virado prá vila
Virai-vos pró outro lado
Que vos dá o sol na pila

domingo, fevereiro 10, 2013

a ver navios 126


Este pequeno batel, acostado na margem do Tâmega, junto a Amarante, serve de mote para uma das muitas lendas de S. Gonçalo.
Certo dia de Romaria, Gonçalo havia ficado de castigo a guardar o milho que secava na eira, enquanto seus pais iam para a festa.
À saída, seu pai, Gonçalo Pereira, recomendou ao barqueiro: «se o filho aparecesse por aquelas bandas não o atravessasse, sob pena de ter de se haver com ele no regresso.»
Ainda o barqueiro não tinha acabado de coçar o queixo já Gonçalinho, rapioqueiro, lhe pedia para atravessar. Negação imediata do barqueiro; novo pedido; nova negação.

Gonçalinho pensativo, olhou o céu, o rio, o barqueiro e, num repente, tirou a capa que trazia pelos ombros, lançou-a à água, sentou-se nela e, com um cajadinho que sempre o acompanhava, remou até à outra margem, para espanto do barqueiro, que não queria acreditar no que estava vendo.
Foi à festa e voltou atravessou o rio da mesma maneira: sentado na capa e a remar com o cajadinho.

sábado, fevereiro 09, 2013

AMANHECER CCCLIII




Foi viver, amar, viajar, sem tempo.
Imaginar, correr para o fim do dia.
Vaguear pelas encostas da solidão.

Agora, cansado da vida - desalento.
Mais nada para fazer - melancolia.
Bem podia ser melhor - frustração.

terça-feira, fevereiro 05, 2013

a fonte 623


Vila Alva (CUBA)

Uma das vilas mais belas do concelho da Cuba, em terras do Alentejo.
Aqui há regras bem definidas para utilização do lavadouro e chafariz.
Para que não restem dúvidas, ou não haja desculpas, elas estão escritas bem à vista de todos,
na parede branca da frontaria desta obras pública de 1889.

PROIBIDO LAVAR 
SACOS DE AZEITONA
ROUPA MUITO SUJA
SÓ À QUINTA FEIRA.


sábado, janeiro 26, 2013

AMANHECER CCCLI



Pronto! Cá estamos nós a despertar,
novamente juntos, após uma viagem de 15 semanas, para a frente (ou para trás, vá-se lá saber?) no tempo.

Um passeio de 274.000.000 de kms (mais coisa menos coisa) através do espaço sideral, onde nos cruzamos com poeiras e gases, resquícios de estrelas e planetas há muito desaparecidos, resíduos de vida passada e prováveis formações de vida futura.

Neste intervalo de tempo, alguns milhões de sóis arrefeceram, congelando tudo o que se alimentava da sua energia, enquanto outros se expandiram, derretendo toda a vida em seu redor.

Entretanto, o nosso pequeno mundo deu  muitas voltas. Umas quantas vidas desapareceram, outras tantas renasceram e muitas mais, incontáveis, começaram a ocupar o seu lugar, contribuindo para a transformação de tudo o que existe - a vida, o tempo, o espaço - ou talvez não?

terça-feira, outubro 23, 2012

A Fonte 622


GUIMARÃES

Uma das vistas que eu mais aprecio na "cidade berço" da Nação Portuguesa:
a exótica Igreja de Nossa Senhora da Consolação e Santos Passos no fundo do extenso largo-alameda-jardim.

segunda-feira, outubro 22, 2012

Nas Rodas do Tempo a Passar



Passei muito tempo a viajar
(apesar disso, muito menos tempo e menos viajens do que eu gostava)...
Foi tempo de viajar pelo mundo fora, pela geografia,
e quase ao mesmo tempo viajar por dentro de mim, pela intimidade.

Passei tanto tempo a pensar:
tempo a pensar no que ia e poderia escrever
e outro tempo a escrever e depois a ler;
e logo foi o tempo de apagar aquilo que escrevi.

Ainda houve tempo para esquecer quase tudo:
aquilo que escrevi sem pensar,
o que pensei em escrever,
o que não escrevi mas pensei,
e fiz força para esquecer muito do que li...

Com tudo isto, passaram muitas semanas;
nada de mais, apenas alguns dias de vida.
Perdi tempo? Não senhor. Gastei do meu tempo.
Pois se o tempo existe (?) é para isso mesmo...

domingo, outubro 21, 2012

A FONTE 621


A Fonte das Ratas, tratava-se de uma nascente que alimentava o Tanque das Lavadeiras de Alfama e as Alcaçarias (Banhos Públicos ou Termas) do Duque do Cadaval, no Beco dos Cortumes.

A popularidade desta nascente (que de acordo com a crença popular, teria virtudes terapêuticas) cuja reputação curativa da água se espalhou rapidamente, atingiu o auge em final de 1963, como se constata nesta reportagem do Diário Popular de há quase meio século.

Milhares de pessoas acotovelvando-se, esperavam horas, para encher os seus garrafões com água (chegando a ser de 360 garrafões/hora), abrandando apenas entre as 3 e as 5 da manhã.



sábado, outubro 20, 2012

Amanhecer CCCXXXVIII




Eis que o tempo nos vem aliciar para sair-mos à rua, com uma manhã de sol radioso.
Um dia que promete ser quente no Outono triste que vem ensombrando a esperança de vida neste país de velhos. Cada dia mais velhos, cada dia menos vida, cada dia menos esperança...
Apesar de tudo, nos canteiros plantados no meu pequeno quintal, vou colhendo os frutos do trabalho incessante das forças da natureza e recordo as palavras do meu Avô, velho "saloio" do Livramento.

«Em Outubro sê prudente: guarda pão e guarda semente.»

quinta-feira, outubro 18, 2012

Reflectindo mais





Cada dia que passa reforça uma certeza:
"Pelo que hoje sou e que fui no passado,
acho a minha vida um projecto falhado,
um erro, um engano da mãe Natureza!"

quinta-feira, junho 21, 2012

a fonte 620


Numa rua pouco frequentada do centro histórico de Sintra,
escondida num recanto da parede lateral da Igreja de S. Martinho.

Despertar DCCII

Praia das Maçãs, Sintra Acontece por vezes, após uma noite de mar agitado, com ondas alterosas fustigadas por ventos fortes e sabe-se lá qu...