quarta-feira, janeiro 25, 2012

a fonte 606



Évora
Chafariz de três bebedouros/torneiras,
com escoamento para um pequeno tanque, hoje seco, mas que já teve peixes.
Lá ao fundo, podem ver-se as "Ruínas Fingidas".
Uma construção cenográfica típica do romantismo do séc. XIX, projecto do arquitecto-cenógrafo italiano Cinatti.
Aproveitando uma torre e um troço da muralha medieval do séc. XIV pre-existentes, acoplaram-se outros materiais arquitectónicos provenientes das ruínas de vários monumentos civis e religiosos da cidade, com especial relevo para os elementos de janelas geminadas de estilo manuelino-mudéjar.

terça-feira, janeiro 24, 2012

A Paragem



Por aqui passa o tempo,
já não passa o comboio.
Outrora
o comboio de passagem,
é que marcava o passo
do tempo, a compasso
aqui por esta paragem.
Agora
a estação sem comboio
vai ficar parada no tempo.

(Estação de fronteira do Ramal de Cáceres)

segunda-feira, janeiro 23, 2012

Porta Judia



Judiaria de Castelo de Vide

Para que a vizinhança não tivesse dúvidas acerca da classe dos proprietários desta casa
cuja porta não respeita o tradicional formato em arco ogival,
lá estava o símbolo da tribo de Judá - o brazão com dois leões.

domingo, janeiro 22, 2012

A fonte 605



República Dominicana

Memória de uma viagem pelas Grandes Antilhas, no Mar das Caraíbas.

No lado nascente de "La Hispaniola", aquilo que mais impressiona são os contrastes.
Notáveis os indícios do combate entre a natureza e a civilização - os avançoes e recuos da ocupação humana destes lugares - e os extremos da condição social - o convívio pacífico entre a pobreza inexplicável e o luxo desnecessário.

sábado, janeiro 21, 2012

Amanhecer CCCIII


CASTELO DE VIDE
Hoje, ao registar mais um amanhecer do Fotociclista "Nas Rodas do Tempo", reparei no número.
Caramba, já são 303, as vezes que venho aqui espetar com uma fotografia e remoer meia dúzia de linhas com umas quantas frases.
O texto, muitas vezes, não diz nada, é conversa fiada. Outras vezes fala de mim, ou do ser que dentro de mim agita as águas turvas do pensamento, fazendo afluir à consciência coisas (que se podem chamar ideias) que transbordam para o mundo das letras - coisa esquisita esta.
A fotografia, por vezes fraca, é só para encher. Outras vezes (sem modéstia) a maior parte delas, acho bonita, eu gosto de ver.

No princípio as imagens, eram quase sempre do mesmo lugar (Colares, Sintra), mas o tempo tudo muda e eu não fujo à regra, por isso comecei a diversificar os lugares do meu despertar aos Sábados. É uma estranha condição - percebo que, cada vez mais, alguma coisa em mim procura contrariar a tendência para a rotina.
A natural aquisição de hábitos - os cheiros, a luz, os sons - a repetição dos dias, semana após semana, mais um mês, um ano... à medida que vamos envelhecendo, ficamos menos rsistentes, ganhamos mais receios, encontramos protecção na estabilidade. O objectivo então é evitar o mais possível as surpresas - daí a agradável sensação de conforto do lar.

Viajar é romper com a rotina, ir à procura de novidades, coisas para descobrir, desafios novos pela frente em cada dia e em cada noite, desequilibrar a imaginação com a incerteza.
A incerteza, o inesperado, o desconhecido - os sais da vida, incentivos para o progresso do Homem.

sexta-feira, janeiro 20, 2012

Aprender a esquecer (1)


«Aprender até morrer.»
Diz o povo, como sempre, com alguma razão.
Quem não consegue aprender, está morto para o mundo, ou está morto para a vida.
Mas quando se fala em aprender, neste caso, não é só adquirir conhecimentos relativos à cultura, às coisas da escola, as letras, as ciências e por aí fora.
Mais do que isso tudo, é assimilar e guardar para mais tarde recordar a experiência (toda) da vida.
Quem não consegue aprender, querendo, é porque sofre (pensamos nós) de alguma forma de bloqueio intelectual - de ordem físiológica ou emocional.
Mas também se pode dar o caso de, simplesmente não querer..

quinta-feira, janeiro 19, 2012

a fonte 604


Castelo de Vide

Ainda mais esta, na subida (ou descida)
para a porta nascente, do castelo
em Castelo de Vide, há sempre outra fonte...

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Trovas antigas



A torre alta de Marvão
Escuta o murmúrio dos céus
E diz baixinho, aos que estão,
O que ouve dizer a Deus.

(José Amaro)

terça-feira, janeiro 17, 2012

a fonte 603



Nem mesmo esta Fonte da Vila,
um ex-libris de Castelo de Vide,
escapa aos avanços da modernidade.
O espaço em redor atravancado de automóveis
e o já famoso e indispensável letreiro,
"ÁGUA NÃO CONTROLADA"
que é como quem diz - é melhor não beber.

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Autoretrato 38



Tudo se me evapora.
A minha vida inteira, as minhas recordações, a minha imaginação e o que contém, a minha personalidade, tudo se me evapora.
Continuamente sinto que fui outro, que senti outro, que pensei outro.
Aquilo a que assisto é um espectáculo com outro cenário.
E aquilo a que assisto sou eu.

("Livro do Desassossego" de Bernardo Soares)

domingo, janeiro 15, 2012

A Fonte 602



URRA
Não é somente o tradicional grito de euforia das praxes académicas:
«EFERREÁ ...Fá, ...Fé, ...Fi, ...Fó, ...Fú CHIRIBITATATATA, CHIRIBITATATATA, URRA! URRA! URRA!»

URRA
É também o nome de uma freguesia do Distrito e Concelho de
«Portalegre Cidade do Alto Alentejo, cercada de serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros..»
(como escreveu José Régio).

Em Urra,
tropecei nesta fonte, homenagem a um tal Mira Godinho, personalidade cuja importância local, lamento, que me desculpem os vizinhos, mas não tive tempo nem ensejo para investigar.
Por coincidência, esse era também o nome de um Assistente de Realização, com quem trabalhei na "velha" RTP.
Em Urra,
frente a esta fonte, no Restaurante d'O Álvaro, serve-se a boa comida tradicional Alentejana:
Pezinhos de Tomatada, Cabrito ou Borrego ensopado, Lacão ou Bochechas assadas no forno, enfim... é "encher a mula" e regar tudo com o excelente tinto Casa da Urra.

Despertar DCCII

Praia das Maçãs, Sintra Acontece por vezes, após uma noite de mar agitado, com ondas alterosas fustigadas por ventos fortes e sabe-se lá qu...