quinta-feira, janeiro 19, 2012

a fonte 604


Castelo de Vide

Ainda mais esta, na subida (ou descida)
para a porta nascente, do castelo
em Castelo de Vide, há sempre outra fonte...

quarta-feira, janeiro 18, 2012

Trovas antigas



A torre alta de Marvão
Escuta o murmúrio dos céus
E diz baixinho, aos que estão,
O que ouve dizer a Deus.

(José Amaro)

terça-feira, janeiro 17, 2012

a fonte 603



Nem mesmo esta Fonte da Vila,
um ex-libris de Castelo de Vide,
escapa aos avanços da modernidade.
O espaço em redor atravancado de automóveis
e o já famoso e indispensável letreiro,
"ÁGUA NÃO CONTROLADA"
que é como quem diz - é melhor não beber.

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Autoretrato 38



Tudo se me evapora.
A minha vida inteira, as minhas recordações, a minha imaginação e o que contém, a minha personalidade, tudo se me evapora.
Continuamente sinto que fui outro, que senti outro, que pensei outro.
Aquilo a que assisto é um espectáculo com outro cenário.
E aquilo a que assisto sou eu.

("Livro do Desassossego" de Bernardo Soares)

domingo, janeiro 15, 2012

A Fonte 602



URRA
Não é somente o tradicional grito de euforia das praxes académicas:
«EFERREÁ ...Fá, ...Fé, ...Fi, ...Fó, ...Fú CHIRIBITATATATA, CHIRIBITATATATA, URRA! URRA! URRA!»

URRA
É também o nome de uma freguesia do Distrito e Concelho de
«Portalegre Cidade do Alto Alentejo, cercada de serras, ventos, penhascos, oliveiras e sobreiros..»
(como escreveu José Régio).

Em Urra,
tropecei nesta fonte, homenagem a um tal Mira Godinho, personalidade cuja importância local, lamento, que me desculpem os vizinhos, mas não tive tempo nem ensejo para investigar.
Por coincidência, esse era também o nome de um Assistente de Realização, com quem trabalhei na "velha" RTP.
Em Urra,
frente a esta fonte, no Restaurante d'O Álvaro, serve-se a boa comida tradicional Alentejana:
Pezinhos de Tomatada, Cabrito ou Borrego ensopado, Lacão ou Bochechas assadas no forno, enfim... é "encher a mula" e regar tudo com o excelente tinto Casa da Urra.

sábado, janeiro 14, 2012

Amanhecer CCCII



Évora
Palácio de D. Manuel, no jardim da cidade.

Não fora o cheiro intenso da relva acabada de cortar
e a temperatura do ar, fresco nesta manhã de Inverno,
eu diria que ainda estava lá longe, do outro lado do mar,
num qualquer lugar das Antilhas, terra de calor eterno.

sexta-feira, janeiro 13, 2012

quinta-feira, janeiro 12, 2012

Autoretrato 37

 

Velho espelho pendurado 
nessa parede do fundo, 
"Diz-me tu, espelho meu, 
que faço eu neste mundo?" 
O espelho nada respondeu 
mas ficou todo embaciado. 

quarta-feira, janeiro 11, 2012

a fonte 601


Chafariz do Rossio de S. Brás (ÉVORA)

Na segunda terça-feira de cada mês, são as carrinhas e as tendas dos feirantes que abancam em redor do chafariz.
Durante os restantes dias do ano, são os comuns automóveis particulares que ocupam todo o espaço do Rossio, o terreiro de feiras da cidade.
São contraditórias as informações acerca da construção deste monumento de arquitectura civil.
Há registos da permissão concedida por D. Manuel I a um munícipe para a construção de um poço no Rossio em 1497, posteriormente transformado em chafariz público em 1501. Outras informações apontam para o ano de 1592, a mando de D. Filipe II.

Seja como for, "nem água vai, nem água vem" das bicas deste monumento que
«se encontra em processo de classificação como Imóvel de Interesse Público, desde 2007 integrado no conjunto de fontes e chafarizes, urbanos e peri-urbanos de Évora, este é um chafariz com figurações maneiristas, patentes na estilização dos elementos arquitectónicos, com notáveis características ornamentais, de que é exemplo a taça com original desenho em forma de cálice de flor.»

terça-feira, janeiro 10, 2012

a Feira


É Terça Feira

É terça-feira
e a feira da ladra
quase transborda
de abarrotada

E a rapariga
vende tudo o que trazia
troca a tristeza
pela alegria

E todos querem
regateiam
amarguras
ilusões
trapos e cacos e contradições


É terça feira, hoje está em Évora, no Domingo em Castelo de Vide e depois em Monforte e por aí fora... lá está a rapariga (do Sérgio Godinho), uma figuraça de mulher cigana, de pé sobre o estrado das camisolas, como se fora o palco, alteando a voz, bem ao estilo das vedetas do Teatro de Revista do Parque Maier de Lisboa:

«E é p'rácabar, ó minha gente. Hoje é tudo a seis érios. Ist'aqui é mais barato có Pingo Doce! Aiii, pró senhor, chegue-se cá, são cinco truces bem ajustinhas, à medida, por seis éros.»
E eu comprei, até estava a precisar...

domingo, janeiro 08, 2012

a fonte 600


Castelo de Vide

Uma fonte colada na parede exterior da (se não me engano) Igreja de S. Tiago.
Lamento não ter conseguido evitar que os automóveis ficassem na imagem, mas hoje é mesmo assim, encontramos carros estacionados por tudo quanto é lugar. Em qualquer cidade e vila, grande ou pequena, é igual.
É claro que não podemos mandar os carros embora para longe da vista, mas as autarquias podiam pelo menos, procurar soluções para regular da melhor forma o estacionamento nas zonas urbanas de interesse histórico e turístico.

Os nossos "carrinhos" são um estorvo na paisagem mas... o que se há-de fazer, eles fazem-nos falta. Podíamos viver sem eles? Pois, evidentemente que podíamos, mas não era a mesma coisa - acho eu, que seria bem mais complicado.
Se eu não tivesse (como tenho desde os meus 20 anos) um automóvel particular, muito provavelmente, não estaria agora de passagem por esta região do interior que muito aprecio.
Vou poisar por alguns dias, mais uma vez (a "enésima" vez) na Sintra do Alentejo.

Noite Parada

Retido em Casa - dia 29 O nevoeiro cerrado adensa o silêncio e as sombras da noite. Não há movimento na rua - está toda a gente fechad...