sábado, janeiro 14, 2012

Amanhecer CCCII



Évora
Palácio de D. Manuel, no jardim da cidade.

Não fora o cheiro intenso da relva acabada de cortar
e a temperatura do ar, fresco nesta manhã de Inverno,
eu diria que ainda estava lá longe, do outro lado do mar,
num qualquer lugar das Antilhas, terra de calor eterno.

sexta-feira, janeiro 13, 2012

quinta-feira, janeiro 12, 2012

Autoretrato 37

 

Velho espelho pendurado 
nessa parede do fundo, 
"Diz-me tu, espelho meu, 
que faço eu neste mundo?" 
O espelho nada respondeu 
mas ficou todo embaciado. 

quarta-feira, janeiro 11, 2012

a fonte 601


Chafariz do Rossio de S. Brás (ÉVORA)

Na segunda terça-feira de cada mês, são as carrinhas e as tendas dos feirantes que abancam em redor do chafariz.
Durante os restantes dias do ano, são os comuns automóveis particulares que ocupam todo o espaço do Rossio, o terreiro de feiras da cidade.
São contraditórias as informações acerca da construção deste monumento de arquitectura civil.
Há registos da permissão concedida por D. Manuel I a um munícipe para a construção de um poço no Rossio em 1497, posteriormente transformado em chafariz público em 1501. Outras informações apontam para o ano de 1592, a mando de D. Filipe II.

Seja como for, "nem água vai, nem água vem" das bicas deste monumento que
«se encontra em processo de classificação como Imóvel de Interesse Público, desde 2007 integrado no conjunto de fontes e chafarizes, urbanos e peri-urbanos de Évora, este é um chafariz com figurações maneiristas, patentes na estilização dos elementos arquitectónicos, com notáveis características ornamentais, de que é exemplo a taça com original desenho em forma de cálice de flor.»

terça-feira, janeiro 10, 2012

a Feira


É Terça Feira

É terça-feira
e a feira da ladra
quase transborda
de abarrotada

E a rapariga
vende tudo o que trazia
troca a tristeza
pela alegria

E todos querem
regateiam
amarguras
ilusões
trapos e cacos e contradições


É terça feira, hoje está em Évora, no Domingo em Castelo de Vide e depois em Monforte e por aí fora... lá está a rapariga (do Sérgio Godinho), uma figuraça de mulher cigana, de pé sobre o estrado das camisolas, como se fora o palco, alteando a voz, bem ao estilo das vedetas do Teatro de Revista do Parque Maier de Lisboa:

«E é p'rácabar, ó minha gente. Hoje é tudo a seis érios. Ist'aqui é mais barato có Pingo Doce! Aiii, pró senhor, chegue-se cá, são cinco truces bem ajustinhas, à medida, por seis éros.»
E eu comprei, até estava a precisar...

domingo, janeiro 08, 2012

a fonte 600


Castelo de Vide

Uma fonte colada na parede exterior da (se não me engano) Igreja de S. Tiago.
Lamento não ter conseguido evitar que os automóveis ficassem na imagem, mas hoje é mesmo assim, encontramos carros estacionados por tudo quanto é lugar. Em qualquer cidade e vila, grande ou pequena, é igual.
É claro que não podemos mandar os carros embora para longe da vista, mas as autarquias podiam pelo menos, procurar soluções para regular da melhor forma o estacionamento nas zonas urbanas de interesse histórico e turístico.

Os nossos "carrinhos" são um estorvo na paisagem mas... o que se há-de fazer, eles fazem-nos falta. Podíamos viver sem eles? Pois, evidentemente que podíamos, mas não era a mesma coisa - acho eu, que seria bem mais complicado.
Se eu não tivesse (como tenho desde os meus 20 anos) um automóvel particular, muito provavelmente, não estaria agora de passagem por esta região do interior que muito aprecio.
Vou poisar por alguns dias, mais uma vez (a "enésima" vez) na Sintra do Alentejo.

sábado, janeiro 07, 2012

Amanhecer CCCI



Rever este registo de uma manhã de um calmo e claro dia passado nos claustros do velho Convento quinhentista, onde já esteve instalada uma Fábrica de Cortiça e hoje se encontra o Museu Minicipal de Faro, traz-me à lembrança um escrito de Camões:

Mundo

Enfim, mundo, és estalagem
em que pousam nossas vidas
de corrida;
de ti levam de passagem
ser bem ou mal recebidas
na outra vida.


("Cartas" de Luís Vaz de Camões)

quarta-feira, janeiro 04, 2012

a ver navios 118



Menina em teu peito sinto o Tejo
E vontades marinheiras de aproar
Menina em teus lábios sinto fontes
De água doce que corre sem parar
Menina em teus olhos vejo espelhos
E em teus cabelos nuvens de encantar
E em teu corpo inteiro sinto feno
Rijo e tenro que nem sei explicar
Se houver alguém que não goste
Não gaste, deixe ficar
Que eu só por mim quero te tanto
Que não vai haver menina para sobrar.


("Menina Dos Olhos De Água", Pedro Barroso)

terça-feira, janeiro 03, 2012

a fonte 599


Évora
Largo do Colégio e Igreja do Espírito Santo,
depois pela R. da Freiria de Baixo, R. do Cenáculo, Portas de Moura, etc.,
um passeio no fresco da noite para desentorpecer as articulações e reactivar a circulação do sangue, relentada pelas horas passadas no conchego do chaminé junto ao borralho do lume de azinho.
No sossego da noite alentejana, «no interior, felizmente», dizia o amigo Zé, «ainda distante do bulício das terras do litoral».
«Apesar das boas estradas e da grande autoestrada que hoje ligam todas as cidades do interior, aqui ainda podemos passear na rua pela noite dentro, sem grandes temores, sem recear-mos ser alvo de actos de malvadez.»
«Por enquanto... pró bem e pró mal, por enquanto estamos um bocado afastados, esquecidos, esquecidos dos políticos e de outros vândalos que tal.»

segunda-feira, janeiro 02, 2012

domingo, janeiro 01, 2012

a Fonte 598


ÉVORA

E passando do calor Caribenho directamente para o calor Alentejano,
estamos Évora, na Praça do Giraldo, onde hoje a fonte é de calor.
Calor que, tal como a água, também é origem da vida.
Na noite de Fim de Ano, a festa teve lugar á volta da fogueira.Este ano, não foi o fogo de artifício, lá nos ares, o responsável pelo invulgar ajuntamento das pessoas neste largo da cidade património da Unesco.
Desta vez foi o fogo do braseiro, ali no chão, que fez acorrer o pessoal à rua, na noite fria da grande planície. Foi o calor do tradicional madeiro que aqui se manteve aceso desde o Natal até ao Ano Novo - sem dúvida alguma, muito mais quente e duradouro do que os cinco ou dez minutos do costumeiro fogo-de-vista.

Noite Parada

Retido em Casa - dia 29 O nevoeiro cerrado adensa o silêncio e as sombras da noite. Não há movimento na rua - está toda a gente fechad...