quarta-feira, dezembro 07, 2011

A Fonte 593



ORTIGA (Mação)

Por aqui se pesca,
sável, peixe-rei e irós,
e se come a
fritada de peixe do rio,
servida com a
excepcional açorda de ovas.
e um carrascão,
vinhaça bem portuguesa,
a completar
uma noite em beleza.
Isto meus amigos,
não são coisas novas,
aconchegar o
estômago a enganar o frio
à maneira do
tempo dos nossos avós.

segunda-feira, dezembro 05, 2011

a ver navios 115



o navio desaparece
rumo ao anoitecer
a onda que esmorece
no flanco da mulher

é o navio do desejo
vogando na lua cheia
e o homem, caranguejo
no céu feito de areia

o corpo que se esfrega
em agitação na praia-mar
no corpo que se entrega
na beira-rio, a ondular...

(rima de letras desenquadradas)

domingo, dezembro 04, 2011

a fonte 592



Vale de S. Gião
Um pequeno lugar nos arredores de Lisboa, já em plena região saloia, perto do Freixial, Cabeço de Montachique e Póvoa da Galega, para nomear apenas os lugares mais conhecidos.

Existe outro no concelho de Oliveira do Hospital.
Nesse outro vale dedicado ao santo (Julião, Gião ou João?) montei por algumas vezes a tenda de campismo, à beira das frescas e límpidas águas do Rio Alva, nos meus tempos de campista itinerante - já lá vão algumas décadas - que percorria todo o Portugal interior de tenda às costas.

sábado, dezembro 03, 2011

Amanhecer CCXCVI



Sui monti di pietra può nascere un fiore...
in me questa sera è nato l'amore per te!

Non son degno di te,
non ti merito più,
ma quando la sera tu resterai sola
ricorda qualcuno che amava te.


Este é um bocadinho do poema de uma canção que sobrevive na minha fraquíssima memória musical, há um ror de anos, há mesmo muitas décadas.
Porquê, não sei, talvez por ser uma letra romântica, por ser uma música bonita, ou por ser uma excelente interpretação do Gianni Morandi.
Ou terá sido por tudo isso mais a audição repetida vezes sem conta, nos "tops" da Rádio, em conjunto com uma provável situação afectiva da minha parte, naquele tempo, especialmente propícia...

sábado, novembro 26, 2011

Amanhecer CCXCV



as bagas de "não-sei-o-quê",
ao sol de, quase, inverno,
a meio da manhã de outono,
no ar o cheiro da lareira,
lume aceso para todo o dia,
do fim de semana no campo,
costumes do íntimo do povo,
perfumes do País interior,
coisas que é preciso viver...

segunda-feira, novembro 21, 2011

a fonte 591



Maçãs de Caminho

No verão passado, andei alguns dias, mais ou menos perdido, por estradas e estradinhas no pinhal interior centro do nosso pequeno País.
Como eu gosto de fazer, sem utilizar o GPS, nem olhar para o Mapa das Estradas, guiando-me apenas pela minha bússula interior e pelo sol.
Mais uma vez, passei por lugares bem interessantes, que nem fazia a mais pequena ideia que existiam, como foi o caso que hoje recordo aqui.
Uma curiosa toponímia:
depois das "Maçãs de D. Maria", mais curva menos curva, mais km menos km, lá estão as "Maçãs de Caminho".

domingo, novembro 20, 2011

A Cegonha



Olá cegonha
..
Ainda me lembro
De ouvir dizer
Que tu de longe
Os bebés vinhas trazer
Mas os homens vão crescendo
E as cegonhas a morrer
Ainda me lembro
Não pode ser
..


(Carlos Paião)

sábado, novembro 19, 2011

Amanhecer CCXCIV



Ontem, frio, chuva e trovoada,
Agora, um belo dia de sol.
Hoje o chapéu e o cachecol,
Não fazem falta para nada.

terça-feira, novembro 15, 2011

a fonte 590


SINTRA

Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra,
Ao luar e ao sonho, na estrada deserta,
..
Vou passar a noite a Sintra por não poder passá-la em Lisboa,
Mas, quando chegar a Sintra, terei pena de não ter ficado em Lisboa.
Sempre esta inquietação sem propósito, sem nexo, sem conseqüência,
Sempre, sempre, sempre,
Esta angústia excessiva do espírito por coisa nenhuma,
Na estrada de Sintra, ou na estrada do sonho, ou na estrada da vida...

"Ao Volante", de Álvaro de Campos

sábado, novembro 12, 2011

Amanhecer CCXCIII



Acordei tarde e a más horas.
Não dormi como devia ser,
E agora estou mal disposto.
Mas a noite foi a meu gosto
Fartei-me de comer e beber...
Vou-me deitar. Estim'as melhoras!

(in comphidencias)

quinta-feira, novembro 10, 2011

a fonte 589


Fragas de S. Simão

(Figueiró dos Vinhos)

Ao longo de todo o curso da Ribeira de Alge - desde a nascente, nas faldas da Serra da Lousã, até à foz, em lugar magnífico na albufeira do Zêzere - existem locais interessantíssimos, do ponto de vista turístico e não só.
É o caso do sítio onde se encontra esta pequena nascente, fio de água pura. Na beira do caminho que ladeia uma levada, na margem direita da ribeira, junto às ruínas de uma antiga azenha e praia fluvial, construídas bem lá no fundo de um apertado desfiladeiro; ou, como dizem ali na região, num lugar "fundeiro".
Estive aqui no pico do Verão; a água na ribeira corria suavemente mas com intensidade; gostava de poder visitar o local, agora; com as recentes chuvas de Outono, imagino a corrente, na parte estreita da fraga - deve ser impressionante, um espectáculo aterrador.

Despertar DCCII

Praia das Maçãs, Sintra Acontece por vezes, após uma noite de mar agitado, com ondas alterosas fustigadas por ventos fortes e sabe-se lá qu...