sexta-feira, agosto 14, 2009

a Fonte 413


RIBALONGA
Na subida (digamos antes ladeira) que liga a Estação e aldeia de Foz Tua ao Castanheiro do Norte, tem uma Capela que é uma verdadeira relíquia arquitectónica e tem uma Rua da Fonte.
E no fim dessa rua, o que é que podemos ver?

Uma fonte, claro, também ela uma "relíquia" (1949) quase tão antiga quanto eu.
E não é uma qualquer, é a Fonte de Santa Marinha (ou Margarida) de Antioquia.
Mártir dos primórdios do Cristianismo, no tempo em que o Império Romano se estendia à Ásia Menor, aqui recordada numa lenga-lenga popular:

«Ela cabras guardou,
Sebes saltou,
Se em alguma se espetou
E a quereis assim como é,
Assim vo-la dou.»

Ora... é lógico, encontrar uma fonte na Rua da Fonte.
Pois é, mas não é costume, garanto que há muitos lugares onde essa regra lógica não se verifica, isto é, a toponímia não está de acordo com a realidade - a fonte "já lá não mora".

quinta-feira, agosto 13, 2009

a ver navios 80


A actividade mais "cansativa" da semana - acenar para o pessoal que enche os Barcos Rabelos que aqui passam, subindo ou descendo o Douro.

quarta-feira, agosto 12, 2009

a fonte 412


«..e em aqui chegando», a meio caminho entre os fundos e abafados desfiladeiros da Foz do Tua (Douro) e o planalto arejado de Carrazeda de Ansiães, pensei:

«Gosto do nome deste lugar» - e escrevi para não me esquecer - "CASTANHEIRO DO NORTE".
Dei a volta completa ao triangular entroncamento de estradas (uma delas seguia para para um lugar com um estranho nome - "TRALHARIZ") e parei junto à velha fonte (Obra Pública) - rodei a torneira - deitou água, quente.
Pudera! Aqui à torreira do sol, não admira. O termómetro marca 37º C.
Deixei correr um bocado e a água passou a sair fresca. Provei e soube-me bem.
Bebi, lavei a cara e enchi uma garrafa - «que maravilha, uma fonte com água "boa" neste sítio e nesta hora».

terça-feira, agosto 11, 2009

a fonte 411


De todas as vezes que cruzo os caminhos das pedregosas serranias da Beira interior, em direcção ao Alto Douro ou ao Nordeste Transmontano, não resisto a fazer uma paragem na bem fortificada cidade do Sapateiro Profeta de Portugal.

O Bandarra

Sonhava, anónimo e disperso,
O Império por Deus mesmo visto,
Confuso como o Universo
E plebeu como Jesus Cristo.
Não foi nem santo nem herói,
Mas Deus sagrou com Seu sinal
Este, cujo coração foi
Não português, mas Portugal.


(Fernando Pessoa)

segunda-feira, agosto 10, 2009

Hei-de



Hei-de passar, frente à porta de saída

andando sem parar, com o olhar desviado

sem querer saber o que estará do outro lado

para quê pensar nisso, se mais dia menos dia,

mais hora menos hora, mais tarde ou mais cedo

a inevitável e única certeza absoluta no futuro

e depois não sei mais nada, não tenho dúvidas

Hei-de sair, para me perder por aí

andando sem sentido, sem motivo

sem objectivo de buscar cousa alguma

mais uma vez sinto que estou a perder

e que vou perder o rumo, sem noção do tempo

vou retomar caminhos cruzados há muito, sem querer

repassando velhas pontes sobre rios de águas paradas


domingo, agosto 09, 2009

a fonte 410


Aldeia Galega, de Sintra.

O formato desta fonte é comum a muitos lugares na região.
O aviso estampado também é coumum a muitas fontes da região.
«ÁGUA IMPRÓPRIA PARA CONSUMO»

sábado, agosto 08, 2009

Amanhecer CLXXXI


Todos os dias há dias que não chegam a começar.
Todas as manhãs acontece faltar o amanhecer.
Há sempre alguém que já não está cá para ver.
Há sempre alguém que já não consegue acordar.
O novo dia não será o mesmo para toda a gente.
Para alguns, a noite prolonga-se infinitamente.

terça-feira, agosto 04, 2009

a Fonte 409


Qué dela..?
A fonte que ainda à bocadinho estava pronta para pôr aqui.
Transviada. Desviada no caminho para cá.
Vou ter que sair para procurar uma outra, quanto mais não seja, para animar esta coisa do Fotociclista - isto começa a estar muito parado.
Vou até à rua, volto logo... com melhor disposição.

tem horas...


Tem horas, que por vezes são dias e noites inteiras, em que é difícil, até impossível para mim, controlar o desânimo que me invade.

Nessas horas de verdadeira angústia, todos os meus pensamentos passam a negativos. Então tenho receio de viver, procuro apagar-me, tornar-me invisível,
quero ficar escondido, fora da vista do mundo lá fora.

Fecho-me em casa, invento uma tarefa que exija habilidade manual aliada a alguma reflexão mental sobre um projecto, como por exemplo, aproveitar as sobras da madeira de forrar as paredes para construir uma porta para o sítio do carvão do grelhador. E lá passa um dia, às vezes dois.

Mesmo assim, física e mentalmente ocupado, tenho momentos de sobressalto, quando olho a rua pela janela ou por cima do muro do quintal e percebo nas pessoas que me fitam, os reflexos inexplicáveis de agressividade, rancor, talvez ódio. É então, que fico estupidamente desanimado e quase arrependido de ter nascido.

Farto de Mim. Porquê Eu, sempre e só Eu, a incomodar a existência dos humanos - personalidades fortes, superiores - que pululam quase todo o espaço em meu redor?

Desço à cave, isolo os ouvidos dos sons da rua, com uma música forte – Ravel e Katchaturian – e tento passar à tela, uma composição que vou buscar ao arquivo das “ideias para um quadro”, que vou guardando algures na memória, quando elas surgem em qualquer lado, a qualquer hora.

Por vezes, não resulta. A mão não consegue trazer para este mundo, isto é, pôr na tela, aquilo que me vai na alma. Então, as coisas pioram.

Maldigo a minha duvidosa existência e revolto-me contra o que não sou, mal-agradecido à Natureza porque não me dotou de uma camada protectora (fisiológica e psicológica) adequada ao meio inóspito em que decorre esta minha vida. Falta-me uma protecção adaptada ao convívio com as mentes soberbamente egoístas deste mundo ignóbil.

domingo, agosto 02, 2009

Sublime


Muitas e belas palavras (blogs, jornais, revistas e noticiários) descrevem lindamente a inesquecível actuação de Leonard Cohen, no dia 30, em Lisboa.
Mas para mim, a palavra que melhor define a impressão que me deixou, a notável figura do "velhote" do Quebec que aos 74 anos, irradia Paz, é

Sublime!
Simplesmente sublime.
A poesia, a música e a voz (inconfundível) que embala os espectadores e ouvintes.
Dessa maneira suave, ele faz passar uma mensagem forte - o apelo à PAZ e à VIDA!

..e quando ele disse:

«Ring the bells that still can ring
There is a crack in everything
That's how the light gets in.»

..eu acrescentei:

«That's how the life gets in.»

Yor's sincirely,
L. Cohen

sábado, agosto 01, 2009

Amanhecer CLXXX


Manhã de chuva.
Chuva miudinha, persistente, molha tudo.
A terra absorve lentamente toda aquela humidade.
As plantas do meu quintal e o sapo (bufo-bufo) que vive algures no meio delas, agradecem. Se a gente conseguisse escutar-lhes os pensamentos, ouviria:

«Abençoada Natureza, que a custo, lá se vai sobrepondo aos desarranjos provocados no Planeta Azul, pela vontade humana!»

Amanhecer DCXL

Praia das Maçãs, Sintra Por vezes, parece que é o fim, mas entretanto, ao despertar, abrimos os olhos e... a vida continua!