terça-feira, agosto 11, 2009

a fonte 411


De todas as vezes que cruzo os caminhos das pedregosas serranias da Beira interior, em direcção ao Alto Douro ou ao Nordeste Transmontano, não resisto a fazer uma paragem na bem fortificada cidade do Sapateiro Profeta de Portugal.

O Bandarra

Sonhava, anónimo e disperso,
O Império por Deus mesmo visto,
Confuso como o Universo
E plebeu como Jesus Cristo.
Não foi nem santo nem herói,
Mas Deus sagrou com Seu sinal
Este, cujo coração foi
Não português, mas Portugal.


(Fernando Pessoa)

segunda-feira, agosto 10, 2009

Hei-de



Hei-de passar, frente à porta de saída

andando sem parar, com o olhar desviado

sem querer saber o que estará do outro lado

para quê pensar nisso, se mais dia menos dia,

mais hora menos hora, mais tarde ou mais cedo

a inevitável e única certeza absoluta no futuro

e depois não sei mais nada, não tenho dúvidas

Hei-de sair, para me perder por aí

andando sem sentido, sem motivo

sem objectivo de buscar cousa alguma

mais uma vez sinto que estou a perder

e que vou perder o rumo, sem noção do tempo

vou retomar caminhos cruzados há muito, sem querer

repassando velhas pontes sobre rios de águas paradas


domingo, agosto 09, 2009

a fonte 410


Aldeia Galega, de Sintra.

O formato desta fonte é comum a muitos lugares na região.
O aviso estampado também é coumum a muitas fontes da região.
«ÁGUA IMPRÓPRIA PARA CONSUMO»

sábado, agosto 08, 2009

Amanhecer CLXXXI


Todos os dias há dias que não chegam a começar.
Todas as manhãs acontece faltar o amanhecer.
Há sempre alguém que já não está cá para ver.
Há sempre alguém que já não consegue acordar.
O novo dia não será o mesmo para toda a gente.
Para alguns, a noite prolonga-se infinitamente.

terça-feira, agosto 04, 2009

a Fonte 409


Qué dela..?
A fonte que ainda à bocadinho estava pronta para pôr aqui.
Transviada. Desviada no caminho para cá.
Vou ter que sair para procurar uma outra, quanto mais não seja, para animar esta coisa do Fotociclista - isto começa a estar muito parado.
Vou até à rua, volto logo... com melhor disposição.

tem horas...


Tem horas, que por vezes são dias e noites inteiras, em que é difícil, até impossível para mim, controlar o desânimo que me invade.

Nessas horas de verdadeira angústia, todos os meus pensamentos passam a negativos. Então tenho receio de viver, procuro apagar-me, tornar-me invisível,
quero ficar escondido, fora da vista do mundo lá fora.

Fecho-me em casa, invento uma tarefa que exija habilidade manual aliada a alguma reflexão mental sobre um projecto, como por exemplo, aproveitar as sobras da madeira de forrar as paredes para construir uma porta para o sítio do carvão do grelhador. E lá passa um dia, às vezes dois.

Mesmo assim, física e mentalmente ocupado, tenho momentos de sobressalto, quando olho a rua pela janela ou por cima do muro do quintal e percebo nas pessoas que me fitam, os reflexos inexplicáveis de agressividade, rancor, talvez ódio. É então, que fico estupidamente desanimado e quase arrependido de ter nascido.

Farto de Mim. Porquê Eu, sempre e só Eu, a incomodar a existência dos humanos - personalidades fortes, superiores - que pululam quase todo o espaço em meu redor?

Desço à cave, isolo os ouvidos dos sons da rua, com uma música forte – Ravel e Katchaturian – e tento passar à tela, uma composição que vou buscar ao arquivo das “ideias para um quadro”, que vou guardando algures na memória, quando elas surgem em qualquer lado, a qualquer hora.

Por vezes, não resulta. A mão não consegue trazer para este mundo, isto é, pôr na tela, aquilo que me vai na alma. Então, as coisas pioram.

Maldigo a minha duvidosa existência e revolto-me contra o que não sou, mal-agradecido à Natureza porque não me dotou de uma camada protectora (fisiológica e psicológica) adequada ao meio inóspito em que decorre esta minha vida. Falta-me uma protecção adaptada ao convívio com as mentes soberbamente egoístas deste mundo ignóbil.

domingo, agosto 02, 2009

Sublime


Muitas e belas palavras (blogs, jornais, revistas e noticiários) descrevem lindamente a inesquecível actuação de Leonard Cohen, no dia 30, em Lisboa.
Mas para mim, a palavra que melhor define a impressão que me deixou, a notável figura do "velhote" do Quebec que aos 74 anos, irradia Paz, é

Sublime!
Simplesmente sublime.
A poesia, a música e a voz (inconfundível) que embala os espectadores e ouvintes.
Dessa maneira suave, ele faz passar uma mensagem forte - o apelo à PAZ e à VIDA!

..e quando ele disse:

«Ring the bells that still can ring
There is a crack in everything
That's how the light gets in.»

..eu acrescentei:

«That's how the life gets in.»

Yor's sincirely,
L. Cohen

sábado, agosto 01, 2009

Amanhecer CLXXX


Manhã de chuva.
Chuva miudinha, persistente, molha tudo.
A terra absorve lentamente toda aquela humidade.
As plantas do meu quintal e o sapo (bufo-bufo) que vive algures no meio delas, agradecem. Se a gente conseguisse escutar-lhes os pensamentos, ouviria:

«Abençoada Natureza, que a custo, lá se vai sobrepondo aos desarranjos provocados no Planeta Azul, pela vontade humana!»

quarta-feira, julho 29, 2009

a fonte 408


Até aqui ao chafariz, tudo bem, posso chegar e sentar-me por uns momentos a apreciar a vista para a foz do Rio das Maçãs e respirar um bocadinho da maresia da manhã, na hora em que a brisa (virou, já não é da terra pró mar) sopra ainda muito ligeira.

Mais lá para baixo, até ao areal, ainda não posso ir - só daqui a alguns dias.
Como toda a gente me costuma dizer, «tem calma rapaz, há mais marés...»
«OK, eu vou esperar. E volto p'rá semana, com as marés grandes da Lua Cheia de Agosto.»

sábado, julho 25, 2009

amanhecer CLXXIX


A poesia para hoje não tem letras
A palavra, hoje é da Natureza
A Natureza que se renova, sempre,
Em cores, novas formas e aromas

sexta-feira, julho 24, 2009

a ver navios 79


À janela olhando o Mar, tristemente,
Debaixo do céu pesado, nevoeirento,
A meditar na vida. Não lamento...
Aquilo que vivi, vivi intensamente.

(acho que alguém, antes de mim, já tinho escrito isto... que desculpe, se for assim.)

Noite Parada

Retido em Casa - dia 29 O nevoeiro cerrado adensa o silêncio e as sombras da noite. Não há movimento na rua - está toda a gente fechad...