sexta-feira, maio 22, 2009

o Espantalho


Era uma vez um espantalho,
um espantalho que não tinha amigos.

Só, o espantalho trabalhava numa pequena horta.
Não era um trabalho dificil, mas era solitário;
só o que podia fazer era olhar os passaros;
cada vez que passavam, ele cumprimentava-os,
mas eles nunca lhe respondiam;
seguiam voando, como se tivessem medo.
Um dia, o espantalho fez algo que era proibido.
Ofereceu uma semente a um pássaro,
mas ainda assim, o pássaro não quis.

O espantalho perguntava-se,
porque ninguem queria ser seu amigo..?


Era assim, o princípio da história de um espantalho.
Uma hitória trágica que contava a triste vida
de um homem de palha, de antigamente,
um espantalho... sem vida própria.

Desde que o Homem, tal qual um Deus,
criou à sua imagem e semelhança, este "escravo"
para tomar o seu lugar na horta,
substituindo-o, o seu dono, na monótona tarefa
de tomar conta das tenras e delicadas alfaces,
e manter os sumarentos tomates maduros,
livres das bicadas agressivas da passarada.
Desde tempos imemoriais, em que a prole de Adão e Eva,
após a expulsão do Paraíso, se viu forçada a cultivar,
a criar os seus próprios alimentos,
que os espantalhos foram obrigados a trabalhar,
de sol-a-sol, sempre em pé, sem intervalos, sem fins-de-semana,
à chuva e ao frio do inverno ou à torreira do sol do verão.
Ali especado, de braços no ar, passando fome e muita sede.

Até que o mundo mudou!
Finalmente, a Revolução, trouxe novidades.
E inventaram-se coisas novas, para melhorar tudo,
até mesmo as condições de vida, de trabalho, de espantalho.

quinta-feira, maio 21, 2009

a fonte 389


Cá está mais uma daquelas rodinhas de tirar água ao "Poço dos Dois Irmãos".
«Segundo a lenda, neste local viviam dois irmãos que eram como azeite e vinagre, convivendo em perfeito desacordo de ideias e atitudes na mesma casa, perto do poço.
Numa noite de tempestade a casa desabou soterrando os dois inquilinos. No sítio onde se situava a casa, surgiram duas pedras erectas, ao lado do poço, contando o povo, que elas representam os dois irmãos.»

«A água desta nascente é boa para os Rins. Dantes vinha muita gente a esta água. Não têm aquelas lexívias todas, é sempre muito fresca, é muito boa para beber mas não é água santa.» (Diz o senhor da Residencial, em Mértola)

quarta-feira, maio 20, 2009

a fonte 388


Sempre que vejo uma coisa destas, lembro-me do Quim (que faz hoje anos) - é que ele disse-me há uns tempos que sente uma particular ternura por estas "geringonças", porque lhe trazem boas recorações da infancia.


Esta, encontra-se numa antiga estação de comboio no meio do Alentejo, servia para reabastecer os depósitos das caldeiras das velhas Locomotivas a Vapor.
É já uma engrenagem insdustrial, pois funciona com dois êmbolos, a fim de bombear a água em maior quantidade de forma mais rápida e mais eficiente.

terça-feira, maio 19, 2009

Torre Sineira


Tem relógio em funcionamento e está certo, presumo(*), esta que é das mais belas e antigas torres sineiras de Portugal - na Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, nas Caldas da Rainha.

(*)
1º) porque ouvi os sinos tocarem as horas aquando da minha voltinha ali pelos arredores;
2º) porque a hora na imagem coincide com a do registo, do ficheiro da fotografia - vantagens da coisa digital;
3º) porque, finalmente, apesar de ser uma construção "manuelina" o mecanismo do relógio foi restaurado recentemente por um especialista, por acaso, relojoeiro português.

segunda-feira, maio 18, 2009

a fonte 387

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A ÁGUA NASCE DO MONTE
UMA DAS COISAS MAIS BELAS
COMO NASCEU DE UMA FONTE
ESTE NOME DE FONTANELAS.

domingo, maio 17, 2009

a fonte 386


"La fontaine de Cristina"

Na minha voltinha de bicicleta de hoje passei, como faço muitas vezes a caminho de Fontanelas, pela casa da Cristina, nas Azenhas do Mar.
Parei um instante para espreitar por cima do muro, a ver se estava tudo bem para receber a Cristina e o Jacques que, não tarda nada estão aí, de regresso. Pareceu-me tudo bem, a casa, o quintal e sobretudo a paisagem que continua magnífica, enfim, está tudo O.K. para as férias da Cristina no "Portugal do seu coração".
Ah, no páteo da casa do lado, está este chafariz, desde 1963 (a crer na inscrição), mas eu nunca tinha reparado nele, até hoje.

sábado, maio 16, 2009

Amanhecer CLXIX

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Abreviando:

- Seja lá o que for que me tenha atormentado o espírito, que me obscureceu os pensamentos até ao despertar, passou... ao captar esta imagem de vida, "reviçada" pela da frescura da madrugada.

sexta-feira, maio 15, 2009

estou pior que...


«Cão que ladra, não morde», dizem, mas... incomoda!!!

Incomoda sim, incomoda com'ó caraças. Estou pior que f...lixado. Os meus ouvidos não aguentam, o meu cérebro já nem pensa em mais nada que não seja, "como calar aquele cão?"

Não tenho sossego, nem sei o que escrever... no sossego duma noite longe dos ruidosos motores dos automóveis, comboios ou aviões, estou num desassossego, por causa de um cão - nem consigo ouvir o requebrar das ondas na praia.
Incomoda, porra! Digam lá o que quiserem - "cão é assim mesmo, ladra para dizer qualquer coisa"... pois muito bem, só que, a merda é que a dona não ouve.
Ah, pois não. Ele (cão) bem pode ter alguma coisa para dizer, mas a "mula" da dona não está cá para ouvir - por isso ele ladra que se desunha, cada vez mais alto, como que a ver se consegue fazer que alguem o oiça, que alguem lhe preste atenção, se chegue perto dele, lhe estenda a mão, lhe faça uma festa, ou fale com ele (ao menos para o mandar calar) - chiça, caraças, que "gaja" mais estúpida que deixa o "parvo" do cão a ladrar sozinho até depois da meia-noite, todas as noites.

quinta-feira, maio 14, 2009

a fonte 385

Jardim dAgua
Isto faz-me lembrar Barcelona, Gaudi, a obra inacabada da Sagrada Família.
Aqui é Ferreira da Silva, o escultor do "Jardim da Água", nas Caldas da Rainha.
Acerca desta obra, eis um texto - rico no palavreado típico das críticas de arte - publicado na Revista do Sindicato dos Bancários do Centro - diz assim:

«Espaço cénico e percurso pedonal que tira partido de um conjunto de materiais pré-existentes e de estruturas de encaminhamento de águas termais, aos quais se acrescentam multifacetados recursos de originalidade e um sentimento criativo sem peias.

É uma obra dominada por um empolgante sentimento de utopia, destinada a fornecer um permanente espectáculo de águas rumorejantes, circulando através de planos diversificados, animado dos mais diversos efeitos de cor e luz.

A estrutura geral de suporte associa à solidez do betão uma libérrima multiplicidade de planos com intenso dinamismo escultórico, sobre os quais a cerâmica, o vidro, o ferro e outros materiais ganham significados novos, amplificantes do seu usual valor.»

quarta-feira, maio 13, 2009

Treze de Maio

Mertola
Por sinal, foi no dia treze, não de Maio, mas de Abril passado,
que passei por este vetusto Cruzeiro, em redor do qual, alguns fiéis devotos da cidade (vila) de Mértola (Portugal), tratam de acender as luminárias, especialmente nos dias treze de cada mês.


"Treze de Maio" também é nome de um rico Município de Santa Catarina (Brasil) fundado essencialmente por colonos Italianos que aqui chegaram em busca de um futuro promissor, ou pelo menos, condições de vida melhores do que as que deixaram para trás, na conturbada sociedade em reconstrução na bota da Europa, ao tempo de VERDI (Vitorio Emanuel Re d'Italia).

Teu signo é herança de um falaz passado,
Mas hoje é lema do Brasil inteiro
A liberdade à sombra da Bandeira
Os pés na terra e os olhos no Cruzeiro.


(uma estrofe do hino de Treze de Maio)

terça-feira, maio 12, 2009

a fonte 384

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Insisto no tema das Termas (ou Caldas) com mais um chafariz,
no largo traseiro ao Hospital Termal Rainha D. Leonor, desta vez animado com as palavras da "Maria dos Alcatruzes" - ela escreveu,
«Bicho:
As tuas fontes das Caldas touxeram-me à ideia, a história delas.

Caldas da Rainha

Saindo um dia de Óbidos a Rainha,
Viu muito povo banhar feridas e dores.
Num poço de lama, uma charquinha.
Irisada de amarelo e outras cores.
Curiosa mandou alguém saber
O porquê tratamento em tal local.
A água não servia p´ra beber,
Era suja e até cheirava mal.
Foi-lhe dito que era milagrosa
E a Rainha foi-a experimentar.
A sua pele ficou igual à rosa,
As dores nos ossos estavam a passar.
Contente e convencida ela ficou
E logo ali deixou tudo o que tinha.
Quis dar-lhe e lhe chamou
As milagrosas Caldas da Rainha

Maria 2009»

Noite Parada

Retido em Casa - dia 29 O nevoeiro cerrado adensa o silêncio e as sombras da noite. Não há movimento na rua - está toda a gente fechad...