sexta-feira, março 20, 2009

Mal da Primavera


Pingando do nariz,
como um pobre sem tecto, infeliz,
tosse seca, persistente,
fruto de um pulmão incompetente,
respiração difícil, cansaço,
viver assim comigo, é um embaraço,
sonhos inquietantes,
pensamentos recidivantes,

tristeza, desilusão e monotonia,
febrezinha chata, sempre a moer,
melancolia, em italiano malencolia,
não sei mais como explicar,
nem sequer alguém saberia entender,
mesmo que eu conseguisse lá chegar,
são maiores os perigos da idade,
não vai mudar nada, só desgosto,
porque não tenho mais vontade,
mas vou continuar no meu posto.

quinta-feira, março 19, 2009

a fonte 355


ÉVORA

Esqueci-me!
Do nome da fonte...
Do que está escrito na placa de mármore...
Do nome da rua, que é uma entrada Sul da cidade...
Do facto de ter ou não ter água corrente...

Da cidade... isso não me esqueço nunca - «Évora tem lugar especial no meu coração.»

a ver navios 68

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- Porque é que me sinto indecentemente infeliz?
Porque estou a trabalhar há um mês e meio...

E ainda dizem que trabalhar faz bem.!?
- Que é bom para manter o espírito activo.
- Que é preciso ter compromissos para não cair na monotonia, na inutilidade de vida.
- Que faz bem a gente saber que somos parte da camada produtiva de cidadãos que polulam por esta nossa terrinha.
- Que faz falta ter uma ocupação para além do comer, beber e passear, normal no dia-a-dia de qualquer médio-pequeno-burguês da Europa Ocidental.
- Que é útil, ocupar o nosso tempo pessoal (que nos foi dado ao nascer, atribuido, estipulado no momento preciso de entrar neste mundo imundo), convivendo com uma maioria de Portugueses que estão convencidos que contribuem para o desenvolvimento do País, para dar um melhor futuro aos seus filhos, vendendo algum do seu tempo livre, ao serviço de um empreendimento, isto é, de uma qualquer empresa.

- Cada dia que passa, grande merda, me sinto mais afastado do comum... da ordem do dia.

quarta-feira, março 18, 2009

Amor em Portugal (8)

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O DINHEIRO DA INFELICIDADE

Um casal de namorados de Barcelos, desavindos, digladiam-se em tribunal, há dois anos, por um prémio do Euromilhões.
A verba, de 15 MILHÕES DE EUROS, em vez de estar a ser utilizada para viver faustosamente, está bloqueada numa conta comum, por ordem do Tribunal, porque os dois namorados, ambos de 22 anos, não se entendem quanto à propriedade legítima do dinheiro.

Terminou o namoro e a discussão passou a:
- Afinal de quem é o dinheiro?
De quem registou o boletim?
De quem o encomendou?
Ou de quem escolheu os números?
- E afinal, quem o registou?
Conhecidos da rapariga dizem que foi ela, amigos do rapaz dizem que foi ele.

Podiam ter uma vida milionária, mas... eis como o dinheiro pode mudar a vida das pessoas para pior.
Comenta uma vizinha: «O dinheiro é como o diabo que se mete no corpo. Se não fosse o Euromilhões, estavam casados e felizes!»

terça-feira, março 17, 2009

a fonte 354

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Ora aqui está - "Monte Abraão" (Queluz) também tem uma fonte.

domingo, março 15, 2009

a fonte 353

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Rogel - uma aldeia no concelho de Mafra.
Pela coloração castanho-ocre da fonte, dá ideia que a água deve ser bastante férrea, mas ainda assim a água desta fonte de Santo António, pode-se beber.

Amor em Portugal (7)



...e as Gaivotas também!

Deixa-me que te diga
Não estás bem assim

Minha querida amiga
Chega-te mais a mim


sexta-feira, março 13, 2009

A Infusa

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Mãe Infusa

Ainda estão por dizer
as púdicas confidências
do tempo em que era possível
ouvir as hortênsias.

No quintal de incontinente
o maracujá enlanguescia
e pedra a pedra se reconstruía
a casa infinitamente.

Teu rosto ainda não vagueava
na noite fria do retrato.
Em que desmemoriada candeia
derramaste oh mãe o azeite intacto?


(Natalia Correia, 1966)

quinta-feira, março 12, 2009

a fonte 352

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Já que andamos a pensar em navios,
aqui está uma das tais fontes-lavadouro (mais uma obra pública típica da região Saloia) que encontrei próximo de "St. Estêvão das Galés" - freguesia do concelho de Mafra.

a ver navios 67

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O Fotociclista, literalmente, "apanhado a ver navios", no estaleiro.

Não fora o caso de eu me sentir enjoado, quando estou muito tempo a bordo de um barco parado e a solução ideal para a minha futura casa, seria um destes "barquitos".

Quando era novo, antes de assentar num emprego fixo, pensava sempre nas hipóteses de vir a ser camionista ou marinheiro - até me inscrevi na Escola Naval antes de ser chamado para a tropa.

E depois... a vida dá muitas voltas, mas ainda hoje gosto de estar à beira do Tejo - espreitando por entre as rimas de contentores - a ver o movimento dos barcos.
E sempre que tenho umas horas livres, respondendo ao ancestral apelo à navegação, lá vou eu, dar um passeio até à "Outra Banda", ida-e-volta num Cacilheiro.

Noite Parada

Retido em Casa - dia 29 O nevoeiro cerrado adensa o silêncio e as sombras da noite. Não há movimento na rua - está toda a gente fechad...