sábado, janeiro 24, 2009

Amanhecer CLIV


LEGENDA

Como quem sente
na legenda do presente
o fim duma história breve,
vou vivendo um sonho intacto
num pesadelo crescente,
uma luz fecunda e leve
nos olhos pardos dum gato.


(Fernanda Botelho, 1951)

sexta-feira, janeiro 23, 2009

a Fonte 327


Queluz

Ora aqui está, uma espécie de "ligação directa" feita por ordem de sua alteza real, o senhor D. Carlos I, na base de um pilar do Aqueduto das Águas Livres.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

a Idade


Após a subida imparável de não sei quantas dezenas de degraus da íngreme escadaria de um dos maiores monumentos (mais alto, mais largo) da antiguidade Maya, na Península do Iucatão - a acrópole pirâmide "La Torre", em "Ek Balam" - este velho amigo nosso, descansou alguns minutos, para recuperar o fôlego e falou assim:
«Aqui, bem no alto dos meus 60 anos, posso afirmar com toda a alegria, que, não tenho que me preocupar com a idade enquanto puser os sonhos à frente das frustrações!»

Obs.:
Sim, eu sei, mas não quero comparações com os 40 séculos da treta do Napoleão, no alto da Grande Pirâmide de Gizé - é que EU NÃO GRAMO nem um bocadinho, ESSE FIGURÃO da história da Europa.

a ver navios 57

VER MAIOR
Que linda falua
que lá vem, lá vem
é uma falua,
que vem de Belém.

Eu peço ao senhor barqueiro
que me deixe passar.
Levo filhos pequeninos,
não os posso sustentar.

passará,
passará,
mas algum ficará
se não for a mãe na frente
será um filho lá atrás!


(Cantilena base de um antigo jogo e bricadeira de crianças, em Portugal)

quarta-feira, janeiro 21, 2009

O Amor em Portugal (3)


o sal

Conheço o sal da tua pele seca
Depois que o estio se volveu inverno
De carne repousada em suor nocturno.

Conheço o sal que resta em minhas mãos
Como nas praias o perfume fica
Quando a maré desceu e se retrai.

Conheço o sal da tua boca, o sal
Da tua língua, o sal de teus mamilos,
E o da cintura se encurvando de ancas.

A todo o sal conheço que é só teu,
Ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,
Um cristalino pó de amantes enlaçados.

(Jorge de Sena)

a Fonte 326


Albarraque

«Também conhecida com a cidade do tabaco é uma aldeiazita manhosa localizada na freguesia de Rio de Mouro, concelho de Sintra, mas ninguém lá vai porque não se faz lá nada que tenha interesse.
Quem la mora tenta deseperadamente migrar para Mem Martins, essa sim, uma cidade a sério..?
Alguns mitras(?) rolam por ali na noite, no seu "Saxo Cup" iluminando o pavimento da única estrada alcatroada lá do sítio, com as suas lâmpadas fluorescentes, vermelhas ou azuis, colocadas sob o "chassis".


Esclarecimento
Para evitar possíveis manifestações de desagrado (por parte de Albarraqueiros) contra o autor do Blogue, por causa deste texto, devo dizer que, não fui eu o autor - outro alguém descreveu desta maneira Albarraque, na Wikipedia, como facilmente poderão confirmar.

terça-feira, janeiro 20, 2009

Um Bolero

AMPLIAR
Un cigarrillo, la lluvia y tú

Un cigarrillo, la lluvia y tú
Me trastornan.

Dejo mis labios sobre tu piel
Me vuelvo loco
La posesión del momento
Ya se olvidó del invierno
Y a la ventana se asoman
Buscando sus brazos muertos
Supieron mirar desde el cristal
Que locura
..


Um clássico (1965) de Alberto Cortez, que se transformou numa recordação residente na minha memória para sempre, desde a época (1971?) em que uma versão deste Bolero, esteve nos tops da nossa rádio.
A palavra exacta - nostalgia ou melancolia?
Não sei, só sei «que me invadia uma tão grande e estranha sensação de paz e ao mesmo tempo ansiedade, quando, naquele tempo, antes de sair de casa para mais um dia de trabalho nos Estúdios do Lumiar, eu parava por alguns momentos à janela, fumando languidamente (gosto da palavra) um cigarro, olhando, por olhar, o movimento na rua molhada de chuva, lá fora, enquanto escutava esta música, no programa da manhã da estação de rádio, sei lá qual.»

Hoje, a manhã chuvosa, o dia de céu carregado e a escrita dos "Alcatruzes da Roda", trouxeram-me estas coisas à lembrança. Então, pesquisei na Net e consegui ouvir um bocadinho de uma versão da música - «o efeito? Quase igual a "dantes"...»


segunda-feira, janeiro 19, 2009

Velhices


Aniversário

Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me os dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.

(F. Pessoa)

a Fonte 325


Janas (Sintra)

Fontanário e lavadouro público da pequena aldeia histórica, onde se situa a Capela (redonda) de S. Mamede, junto à "Ribeira de Janas", «habitada pelas Fadas dos Rios».

Janas
«Mulheres de baixa estatura, invisíveis, fiando um linho muito fino e sem nós. Acredita-se que, se deixar na lareira o linho acompanhado de dádivas - pão e vinho - este linho será fiado pelas janas durante a noite.»Sardoal, Portugal.

Janas
«Belas mulheres loiras e de olhos azuis, que vivem nos rios das montanhas, fontes e grutas e passam a maior parte do tempo pentear-se com pentes de ouro. São bondosas com os que as ajudam, mas rancorosas e vingativas com os que invadem seus domínios.»
Astúrias e Galiza.

Janas
Investment Bankers and Management Consultants, providing services in the following areas:
Mergers and Acquisitions, Corporate Finance, Management Consulting.
Pasadena, California.

Noite Parada

Retido em Casa - dia 29 O nevoeiro cerrado adensa o silêncio e as sombras da noite. Não há movimento na rua - está toda a gente fechad...