sábado, janeiro 17, 2009

a Fonte 324


Esta, tem andado por aqui esquecida, misturada nos ficheiros, muitos, no disco fixo do meu computador.

Já faz um ror de tempo, que passei pelo lugar; na Primavera, ou princípio de Verão.

O nome da terra "caiu-me no goto" - ficou na memória de coisas de que gosto, sem saber muito bem porquê - gosto do som, gosto das palavras e pronto: AVELÃS DE CIMA (ANADIA).

Amanhecer CLIII


Hoje, quero ser diferente
Sentir-me apenas um só
No meio de toda a gente
Como mais um grão de pó.

Ter apenas uma alma
Menos coisas a esquecer
Viver uma vida calma
Porquê, andar a correr?

sexta-feira, janeiro 16, 2009

a ver navios 55



«QUEM VAI AO MAR, PERDE O LUGAR.»

acontece...


Sensation

Je ne parlerai pas, je ne penserai rien…
Mais un amour immense entrera dans mon âme,
Et, j’irai loin, bien loin; comme un bohémien
Par la Nature, — heureux comme avec une femme!


(A. Rimbaud, 1870)

quinta-feira, janeiro 15, 2009

a Fonte 323



O tempo feio destes primeiros dias do ano - dias cinzentos, escuros, frios, chuvosos - em que nem apetece sair à rua, faz-me sentir saudades desta fonte.

Junto a ela, eu não fui beber água, só Tequila ou Cerveja, conforme a hora do dia, ou da noite.
Ela faz parte da decoração de "La Casita", o bar/restaurante mais próximo (a 100 metros) do que foi o meu apartamento, de alguns dias, nas Férias de Natal, junto ao Mar das Caraíbas, na terra dos Mayas.

quarta-feira, janeiro 14, 2009

terça-feira, janeiro 13, 2009

Coitado do Passarinho


O fidalgo, enquanto aguardava pelo Rei, deu meia dúzia de passos no vasto salão da Casa da Mina, olhando para o rio acanhado de naus e caravelas e foi encostar-se a uma das janelas viradas ao sul, contemplando o movimento dos pedreiros nas obras dos Jerónimos, à beira-Tejo.
D. Diogo Pacheco, já mal se recordava da capela que existira no local, mandada erigir pelo Infante D. Henrique em honra de Nossa Senhora de Belém e do antigo bairro de marinheiros e pescadores que a rodeava, dando cor e vida aquele espaço, até à sua demolição, por decreto régio de de 23 de Junho de 1496.
- Em que meditais? Acaso vos desagrada a magnificência da obra que daqui vedes? - perguntou irónico, o Monarca, acabado, de entrar silenciosamente no salão.
- É muito bela, meu rei e senhor! - respondeu o fidalgo, fazendo uma vénia perante a simiesca figura de El-Rei D. Manuel - Em cada dia que passa mais grandiosa fica.
- Então qual o motivo para o vosso semblante tão carregado? Que vos atormenta o espírito, meu leal súbdito? - inquiriu o cognominado Venturoso, enquanto se sentava na sua sédia real.
- Oh, nada de especialmente grave. Nada que justifique a preocupação de vossa senhoria. - retorquiu o fidalgo, sentando-se junto ao Rei, num banco de pinho. - Estava só a pensar naquele pobre passarinho que o nosso velho cronista "O Fotociclista" ali postou, já faz um ror de tempo. Até quando será, que o desgraçado vai resistir ali sozinho, pendurado ao frio?

[um bocadinho (adulterado, o José Manuel Saraiva perdoa-me) do romance "Aos Olhos de Deus"]

sábado, janeiro 10, 2009

Amanhecer CLII


Aí está ele, prontinho para sair de casa - "ala, que se faz tarde" - em busca do pequeno-almoço.

Não sei como é que o passarinho consegue voar, com um frio destes, chiça! Manhã cedo, 2º Graus Celsius, na rua.
Ah, talvez o bicharoco seja um Pardal Americano e então vem equipado com um termómetro com a escala Fahrenheit - para ele estão 36º F.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

anti-coisas


Uma receita para as coisas deste tempo frio, desengraçado.
Para combater a gripe, a constipação e o resfriado.
Mitigar os sintomas da dor-de-corno e o mau olhado.
Aliviar os penosos estados de solidão e depressão.
Tratar achaques relacionados com coisas do coração,
como a desilusão, a angina de peito e a frustração.
Nada melhor que uma "Cucaracha" bem quentinha.
Uma dose (que são duas) que deve beber-se de uma assentada, como um "shot" e enquanto a chama estiver acesa.
Utiliza-se uma palhinha para sugar a bebida (uma de cada vez, claro) desde o fundo do copo, o mais rápido possível, antes que o fogo a derreta.
Depois, é cantar, «la cucaracha, la cucaracha, já no puede camiñar...» e esquecer... o resto.

a ver navios 64



barcos, veem e vão
alguns voltam
e outros não;
partem na insegurança

na dúvida do regresso

quando chegam
descarregam esperança

com que se faz o progresso

e serve para quê?
ora, não sei.
e escrevo porquê?
dito isto, acabei.

Noite Parada

Retido em Casa - dia 29 O nevoeiro cerrado adensa o silêncio e as sombras da noite. Não há movimento na rua - está toda a gente fechad...