quinta-feira, janeiro 08, 2009

O Linho e a Estopa


Os 12 trabalhos do linho

  1. Semear: na primavera, no fim de Abril ou Maio;
  2. Arrancar: em Junho a planta sempre pela raiz;
  3. Ripar: separar do caule a "baganha" (semente);
  4. Enriar: as manadas de linho ripado, apertadas em molhos, são colocadas no rio, para fazer a curtimento;
  5. Secar: quando retirado do rio é colocado em molhadas, a secar ao sol, por quinze dias;
  6. Malhar: uma vez seco, estende-se o linho na eira, onde é batido com "malhos";
  7. Macerar: moer num engenho formado por um tambor rotativo canelado em que engrena uma série de roletas;
  8. Espadelar: o linho é batido com um cutelo de madeira, chamado "espadela", em cima de uma tábua, chamada espadeladouro;
  9. Assedar: depois de limpas as fibras são separadas por comprimentos e espessuras. As mais longas e finas formam o linho, as mais curtas e grosseiras, a estopa.
  10. Fiar: a fiação do linho faz-se nos últimos meses do ano. Pode ser feita com a roca e o fuso, ou com o auxilio da roda de fiar;
  11. Barrelar: antes de dobrar e tecer as meadas é necessário branqueá-las, embebendo-as em água com cinza dissolvida;
  12. Dobrar: finalmente (antes de tecer) o fio das meadas é dobrar para novelos, utilizando-se para isso a "dobadoura".

quarta-feira, janeiro 07, 2009

a Fonte 322


FONTE DAS LÁGRIMAS

As filhas do Mondego a morte escura
Longo tempo chorando memoraram,
E, por memória eterna, em fonte pura
As lágrimas choradas transformaram.

O nome lhe puseram, que inda dura,
Dos amores de Inês, que ali passaram.
Vede que fresca fonte rega as flores,
Que lágrimas são a água e o nome Amores!

Le chat



Viens, mon beau chat, sur mon coeur amoureux;
Retiens les griffes de ta patte,
Et laisse-moi plonger dans tes beaux yeux,
Mêlés de métal et d'agate.

Lorsque mes doigts caressent à loisir
Ta tête et ton dos élastique,
Et que ma main s'enivre du plaisir
De palper ton corps électrique,

Je vois ma femme en esprit. Son regard,
Comme le tien, aimable bête,
Profond et froid, coupe et fend comme un dard,

Et des pieds jusques à la tête,
Un air subtil, un dangereux parfum,
Nagent autour de ton corps brun.


(C. Baudelaire)

terça-feira, janeiro 06, 2009

a Fonte 321


Vale do Jamor, Oeiras.

Hoje é dia de regressar aos treinos.
Faz tanto frio aqui, ao fim da tarde, que a água deste chafariz está quase a congelar, faz doer os dentes.

a ver navios 54


A força verde no mar azul.

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Piedades


Santuário de Nossa Senhora da Piedade da Serra, em Almargem-do-Bispo, desde há 250 anos um lugar, de romaria popular.

Um grupo de marinheiros ingleses mandou erigir num dos pontos mais elevados (280 metros acima do mar) do Concelho de Sintra, (em 1758) uma capela, em paga de uma promessa feita à Padroeira da sua Esquadra Naval, quando se encontravam em perigo de vida, no meio de uma grande tormenta, ao largo da costa Oeste.

«In the middle of the XVIII century Royal Navy sailed along the coast of Ericeira, when it was surprised by a strong storm. They felt lost and evoked his faith in Nossa Senhora da Piedade, saint protectress of his fleet. They have done well the promise of building a chapel at the highest point in return for their salvation.»

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Do outro lado do Atlântico (no Brasil), os Bandeirantes, mandaram construir (em 1760), no ponto mais alto da Serra da Piedade, um Santuário semelhante, também dedicado a Nossa Senhora da Piedade, a Padroeira de Minas Gerais.

«A Serra da Piedade, é cercada por enormes penhascos, rochedos gigantescos e uma vegetação típica de montanha. Bromélias, orquídeas e hortências estão por toda parte e garantem ainda mais a beleza do lugar.
Do alto de seu cume de 1746 metros, é possível ver uma exuberante paisagem e avistar as cidades mais próximas: Belo Horizonte, Caeté, Lagoa Santa, Raposos e Sabará. Além disso, é da Serra da Piedade onde é possível observar os mais belos pôr-do-sol do estado, que se descortinam diante dos nossos olhos num horizonte multicolorido sem fim. A luz do crepúsculo "varre" as montanhas e salienta suas formas e texturas, decifrando assim, o famoso "mar" de Minas.»

domingo, janeiro 04, 2009

Jet Lag


Estou a recuperar do chamado "jet lag" da viagem de férias de Natal.
É preciso reajustar o meu ritmo circadiano para 6 horas de diferença.

(Seis horas e vinte e tal graus.)

sábado, janeiro 03, 2009

a Fonte 320s


Depois dos "navios", mais uma recidiva: a série das "fontes", também vai continuar.

Prossegue com
uma fonte-cisterna de água do velho castelo, sobre a qual estão outras duas fontes;
duas fontes que às vezes fazem nascer a água nos meus olhos, a maioria das vezes de alegria (graças aos céus!); mas também são fontes de preocupações, de cuidados - como se diz, "nascem com eles, os meus cabelos brancos, crescem com eles, as minhas rugas"; mas compensam quando outras tantas vezes, são as minhas fontes de orgulho.
São as fontes de juventude - o princípio e o fim da juventude - 10 anos e 20 anos.
São as fontes de ternura - estar próximo deles, ainda que, por vezes, invisível, é reconfortante:
- quando à noite passo a minha mão ao de leve pela cabeça de um para o sossegar durante um sonho agitado, resultado de um dia mais atribulado na escola;
- quando vou tapar os ouvidos dela com as minhas mãos, enquanto ela esconde a cara de encontro ao meu pescoço, para não ver nem ouvir a trovoada.

Amanhecer CLI


O despertar no regresso a Portugal.

sexta-feira, janeiro 02, 2009

Gato crepuscular


Gato no Crepúsculo

Cai o sol sobre o mar.

E nas sombras de mais uma noite,
Enquanto no céu os aviões
Acendem suas luzes verde-vermelho-verde,
Terminam as diferenças raciais.

Da janela da tarde olho os banhistas tardios
Enquanto, junto ao muro do quintal,
Os gatos todos vão ficando pardos.


Millôr Fernandes

quinta-feira, janeiro 01, 2009

a ver navios 53


Há muita gente que, como eu, gosta de fotografar barcos, por isso esta série, vai continuar.

Vejam-me aqui esta "piquena" habilidosa: para fotografar um Cacilheiro, ela colocou-se numa situação verdadeiramente perigosa - sobre a amurada de um cais do Tejo a uma altura bastante grande por cima da água - ao mais pequeno deslize... pimba, tem direito a um mergulho na maré cheia, num local do rio de onde é muito difícil nadar por causa dos remoinhos.
Ela me faz recordar "ma chère amie Cristina - un salut à Bruxelles!"

Amanhecer DCXL

Praia das Maçãs, Sintra Por vezes, parece que é o fim, mas entretanto, ao despertar, abrimos os olhos e... a vida continua!