terça-feira, dezembro 16, 2008

a ver navios 51


uh...
aqui está ele parado,
à beira do rio;
outra vez apanhado,
a ver um navio...

segunda-feira, dezembro 15, 2008

o nosso Mar


Este é o nosso Mar - hoje não é o meu.
O meu terá águas calmas e transparentes.
Este é fragorososo e agitado - mete medo.


Tenho por dentro um Oceano de Paz,
com ondas de Luz e correntes de Alegria;
não tenho a Raiva das vagas alterososas;
não sinto o Ódio dos vórtices estonteantes;
a maré-alta do meu Mar, extravasa Bonomia;
e o recuo da baixa-mar, descobre a Melancolia.


Hoje tenho cá dentro um Oceano de Paz.
Não sei porquê, mas acho que sou mesmo assim...
isto tudo, são coisas de cada um
isto, são coisas próprias de mim.

domingo, dezembro 14, 2008

a fonte 315


A fonte mais recente que eu conheço
- acabadinha de construir, e bem, no recinto de merendas recentemente criado, com uma bela vista para a Serra de Sintra, na estrada de ligação de Janas-Gouveia-Fontanelas à Varzea de Sintra.

sábado, dezembro 13, 2008

Amanhecer CXLVIII


Para quem, às 6 da manhã ainda não conseguia dormir, foi penoso, este despertar antes do meio-dia para acompanhar a família num passeio de manhã de Sábado de Primavera-Outono-Inverno pela beira-mar, neste caso, pela beira do Tejo.
Apesar dos olhos mal abertos, ainda consegui vislumbrar esta curiosoa e rara formação cristalina, incrustada num dos blocos de pedra da muralha de suporte da Estrada Marginal, em Caxias.
Trata-se de uma Ágata, por sinal, um tanto ou quanto valiosa - até me admiro que ainda ninguém tenha tentado retirá-la dali;
bem, com um escopro e martelo, dava muito trabalho e dava muito nas vistas - o mais natural era alguem chamar a polícia;
pois claro, não se pode fazer buracos, assim sem mais nem menos, impunemente, na muralha de protecção da marginal;
e depois, o valor da coisa, às tantas nem compensava o trabalho...

quinta-feira, dezembro 11, 2008

a fonte 314


"Chafariz dos Pasmados" (Azeitão)

Na terra das famosas Tortas doces e do excelente vinho Moscatel.
Vila Nogueira de Azeitão, junto às adegas José Maria da Fonseca (as mais antigas de Portugal) encontra-se este imponente chafariz.
Um belo exemplar da arquitectura barroca, mais uma das obras do reinado de D. José, o primeiro, o tal que até parece que gostava de meter água.


a ver navios 50


navegando num mar de luz
vai um Cacilheiro no Tejo
sem os óculos não o vejo;
onde será que eu os pus?

ah! Já vejo - é o "PALMELENSE"
que segue vazio, sem passageiros;
é igualzinho a outro dos Cacilheiros,
irmãos deste - o "SEIXALENSE".

quarta-feira, dezembro 10, 2008

talvez ficar


como estou aqui
na beira-rio
ao sol da manhã:
- espero a mudança
da maré!

sozinho, calado,
sentado ao sol
armazem de calor:
- espero a sombra
dos dias!

aquecido por fora
em fogo brando
requentado por dentro:
- espero pelo fim
do dia!

vou ficar talvez,
olhos fechados
pensamento parado:
- espero que passe
a vontade!

a vontade
de sair desta terra
para outro lugar
para outro mar
para longe
fugir daqui:
- pois, mas para quê,
fugir, de quê?
de mim... não consigo fugir assim.

terça-feira, dezembro 09, 2008

segunda-feira, dezembro 08, 2008

a fonte 313


Vinte do Nove de Mil Novecentos e Sessenta e Quatro, noves fora, quatro.
Que podemos acrescentar a esta obra?
Que tem pouca utilidade, porque a "Água imprópria para beber".
Que é uma perfeita apologia ao gosto do dono, fruto da falta de jeito ou falta de sentido estético ou falta de orientação ou falta de interesse da hierarquia, que encomendou o trabalhinho ao pacato cantoneiro da Câmara Municipal ou da Junta de Freguesia.
Já sei, vão-me dizer:
«Criticar é fácil! Fosses lá tu, a ver se fazias melhor!»,
Pois eu, afirmo e garanto,
«Tenho a certeza que eu fazia bem melhor!!!»
E alguém vai dizer mal deste blog e chamar-me nomes impróprios, porque não acaba aqui, a série das fontes do lugar de "Covas-do-Ferro", em Almargem do Bispo.


sábado, dezembro 06, 2008

a ver navios 49


À tardinha, no cais do Ginjal de Cacilhas,
vamos a uma "Caldeirada à Fragateira"...

na base, dizem que tem:
tomate, cebola e batata,
tudo cortado às rodelas,
em camadas sobrepostas
e de maneira alternada,
a cobrir o fundo do tacho
pode-se refogue em banha
e de seguida, o principal:
em cima dispôr o peixe,
peixe diverso, em postas
ou cortado aos bocados
tamboril, congro ou safio
enguia, anchova e raia
e atenção tomar cuidado
ao veneno do peixe-aranha
para dar gosto, pode ser
apenas uma sardinha,
mas nunca, usar taínha;
antigamente era berbigão,
hoje, ameijoas e camarão;
para bem temperar:
regar com vinho branco
e deitar um fio de azeite
e sal, apenas uma colher
uma pitada de colorau
o bastante para dar cor
algumas folhas de louro
e um raminho de salsa
uns pozinhos de pimenta
havia mais umas coisas,

para compôr esta poesia,
alem de pôr a coisa a rimar
mas, ao fim e ao cabo, isto é
"uma caldeirada à maneira!"
vamos a ela que se faz tarde
antes que o prato arrefeça;
o resto, fica para outra vez.
É isso mesmo que eu acho.

Amanhecer CXLVII


Um belo dia cinzento de Outono/Inverno.
Tempo de recordar, mas o quê e para quê?
Uma maravilha, o pensamento humano, que me permite estar aqui a - olhar, ouvir, cheirar - gozar tão simplesmente, este momento, abstraindo-me de tudo o mais, da porcaria de mundo que nos rodeia.
Aos poucos, fomo-nos deixando aprisionar na teia imensa com que esta sociedade, que ajudamos a construir, nos procura envolver. Cercados por todos os lados, não há escape físico possível - a única fuga é a do pensamento:
«Pensando em algo de muito diferente da realidade(1), ou, desligando simplesmente o pensamento!»

(1)
"Realidade", o que é, ou, é o quê, a realidade? Não sabemos bem...

Noite Parada

Retido em Casa - dia 29 O nevoeiro cerrado adensa o silêncio e as sombras da noite. Não há movimento na rua - está toda a gente fechad...